quinta-feira, 5 de março de 2015

The Fosters: O Beijo, a Sociedade e os Aprendizados




Já faz um tempo que venho fugindo de spoilers das séries que assisto. Não funciona mais pra mim. Agora preciso ser surpreendido. Mergulhar no plot twist e ficar sem saber o que irá acontecer no próximo episódio. Mas ontem, 04 de março de 2015, eu entrei no Twitter e a primeira coisa que vi foi uma foto. A foto de um beijo. Um beijo de um casal que torço muito em determinada série que acompanho. E não foi um beijo qualquer, mas o primeiro desse casal. Só que no lugar de ficar irritado, sorri. Fiquei completamente feliz. Fiquei tão feliz e chocado com aquilo que cheguei até a gargalhar.

Sei que grandes batalhas não serão vencidas após esse beijo. Sei que é um pequeno passo para uma grande transformação. Mas um beijo aconteceu e espero, sinceramente, que ele seja o início de algo novo. Especial e que faça algumas cabeças começarem a aceitar o novo, o diferente.

Para você entender o que estou falando, primeiro vou pedir para que se segure muito bem. Depois, que me acompanhe até a Tardis mais próxima, precisaremos dela. Então voltaremos no tempo até 2013. Mais precisamente no dia 03 de junho de 2013. Foi nesse dia e pelo canal a cabo ABC Family que foi ao ar o primeiro episódio de uma série muito especial. Enquanto aqui no Brasil a discussão era sobre beijo gay ou não gay em nossas novelas, uma série em um canal fechado decidiu abordar o próximo nível da pergunta (no caso, o que nossa sociedade já discute hoje e fora do âmbito da dramaturgia).

A história apresentava o casal Stef (Teri Polo) e Lena (Sherri Saum), duas mulheres que possuem uma família estável e que acaba acolhendo uma jovem recém-saída de um reformatório e que precisa muito de ajuda, Callie (Maia Mitchell). Mas a família Foster já é bastante numerosa. Do primeiro casamento de Stef nasceu Brandon (David Lambert), seu filho biológico com Mike (Danny Nucci). Depois que se uniu a Lena, as duas entraram com o pedido de adoção dos irmãos gêmeos: Jesus e Marianna. Então, o que já era meio complicado por sua própria natureza, recebe novos elementos de drama com a chegada de Callie e seu irmão, Jude (Hayden Byerly).

Enquanto beijar ainda era algo bastante perigoso para nossa sociedade assistir em pleno horário nobre, nos Estados Unidos os jovens estavam começando a acompanhar a história de uma família formada por duas mulheres que se amam e estão dispostas a criar, educar e amar crianças que foram abandonadas. Só por esse início a série já é sensacional. Mas existe outro fator bem especial, na verdade, muito especial que faz de The Foster ser uma série única e seu nome é: Jude, o irmão de Callie, que tem só 11 anos, mas já é possível sentir que ele é diferente dos outros meninos. De início, claro, você abandona essa ideia. Não é possível que essa série, que já ousou ao ter em seu título o nome do casal protagonista que é formado por duas mulheres, também espere mexer com a homossexualidade desde cedo. Mas não é isso que sempre respondemos? Nós já não nascemos assim? Não passamos desde cedo por crises que não tínhamos como explicar ao certo e muito menos com quem desabafar? Se esse drama é real e atinge a grande maioria dos jovens gays, por que não ser a história desse menino? Por que não ter um jovem gay aos 11 anos em uma série de televisão?

Nada em The Fosters havia me preparado para o belíssimo quinto episódio, chamado de The Morning After.  Aqui Jude enfrenta preconceito na escola. Mas, o mais mágico foi um diálogo simples e verdadeiro e que chegou a doer à alma (muito poético, eu sei, mas é preciso assistir pra entender). Lena explica pra Jude que apesar de amar muito Stef, evita fazer isso em público. O menino não entende, então Lena vai explicando. Ela diz que existem pessoas que têm medo. E esse medo muitas vezes faz com que essas pessoas machuquem outras. Pelo simples fato de temer o diferente. A cena foi linda por ser honesta em todos os sentidos. Foi uma maneira de passar para quem assiste que não importa se você tem 11 ou mais de 30 anos, existem pessoas que temem o diferente e fazem qualquer coisa para impedir que ele exista e se mostrar como realmente é.

Infelizmente não consegui achar a cena com legenda em português, mas se você entende inglês, pode dar o play!


Agora vamos falar sobre o que anda acontecendo na série. Lá nesse episódio em que Jude sofreu preconceito, bem, conhecemos Connor e The Fosters mostra que tem coragem e que vai contar, no seu tempo e da sua maneira, essa história. Na segunda temporada, em uma ida ao cinema, os meninos deram as mãos. Mas Connor estava lutando com o que é confuso pra ele ainda, afinal, os dois só têm 13 anos. Existem mais incertezas nessa idade do que garante a nossa van filosofia. Mas, como já anunciei no início desse texto, o beijo entre os dois aconteceu. No que isso vai impactar a série e essa trama no futuro? Não faço a menor ideia. No momento, só tenho um fato para comemorar. Uma bela história está sendo contada e, aparentemente, sem medo.

Como sou um cara bacana, peguei a promo do episódio em que o beijo foi ao ar. Quer conferir? é só dar o play!


Ah, e se você estiver curioso, sim, The Fosters foi renovada e terá uma terceira temporada. E se eu fosse você, ia aproveitar para fazer uma bela de uma maratona, essa série mais do que merece! Caso você goste da trama, por favor, recomende para mais amigos. É algo bom demais pra não ser conhecido.

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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