terça-feira, 24 de março de 2015

TOP 5: Embates Inesquecíveis da Teledramaturgia





Babilônia está no ar prometendo muito em seu desenrolar e, com duas grandes vilãs como protagonistas, é impossível não pensar no momento em que elas se engalfinharão para acertar suas baixarias. Será?

Pensando nisso, alguns dos colunistas do Barba Feita se reuniram para hoje criarem essa coluna especial, que traz um TOP 5 que todo fã de novelas vai adorar: embates inesquecíveis da teledramaturgia. Porque, convenhamos, a gente gosta de novela e, é claro, amamos baixaria, tiro, porrada e bomba, como já cantou uma grande pensadora contemporânea.

Assim, quer nos acompanhar nessa viagem e nesse post especial em plena terça-feira no Barba Feita? Sem mais delongas, vamos aos momentos inesquecíveis escolhidos pelos nossos colunistas e fãs de novela!

Iolanda Pratini x Júlia Matos (Dancin' Days, 1978)


Em 1978, o Brasil parou para acompanhar Dancin' Days, a primeira novela de Gilberto Braga no horário nobre da Globo. Mestre em criar embates antológicos, o autor transformou as irmãs rivais, Júlia Matos e Iolanda Pratini, em personagens tão inesquecíveis que até hoje, 37 anos depois, não saíram do imaginário do público. 

A história, onde as duas brigavam pelo amor da filha adolescente da ex-presidiária, criada pela tia rica enquanto a mãe estava presa, era forte e mexia com as emoções do público. E dentre muitos momentos marcantes em Dancin' Days, a cena do acerto de contas entre as irmãs, no último capítulo, é a mais lembrada. No meio de um restaurante vazio, engasgadas de mágoas até o pescoço, elas tentam conversar civilizadamente, mas não conseguem, a raiva toma conta da situação e as duas se atracam com tapas, mordidas, arranhões e puxões de cabelo, até rolarem no chão. Quando param de se agredir, caem em si e percebem que se amam apesar de tudo. Totalmente desgrenhadas e ainda no chão, Júlia e Iolanda, abraçam-se, beijam-se e, finalmente, fazem as pazes ao som da linda Amanhã, de Guilherme Arantes, tema de Júlia. 

A cena é bastante significativa, pois sela a reconciliação entre as irmãs e mostra que uns bons tapas na cara de vez em quando são melhores que muita terapia ou uma simples conversa civilizada. Recheado de muita emoção, o embate final entre Júlia e Iolanda é um dos grandes momentos de nossa teledramaturgia e foi a graduação de Gilberto Braga, até chegar hoje em seu empolgante doutorado com Inês e Beatriz.

Laura x Maria Clara (Celebridade, 2003)
Celebridade foi exibida em 2003 e trouxe ao público sua versão de All About Eve ou, como muitos conhecem: A Malvada.

Na trama, escrita por Gilberto Braga, acompanhamos a saga de Laura Prudente da Costa, interpretada por Claudia Abreu, fã da ex-modelo e atual produtora cultural de sucesso, Maria Clara Diniz, vivida por Malu Mader. No dia em que a jovem acaba perdendo sua grande oportunidade de trabalhar com sua musa, acontece uma virada do destino, e ela acaba por tentar impedir o sequestro de sua ídolo e, no fim das contas, isso faz com que se torne protegida e aprendiz. Mas Laura quer mais. Muito mais. Ela deseja tudo o que Maria Clara possui. Reconhecimento. Dinheiro. Sua casa. Sim, a jovem quer e, claro, consegue.

Mas seria só a pura e simples inveja? Seria maldade? O que motiva essa jovem a dedicar sua vida no proposito de acabar com alguém? Acho que posso resumir tudo isso com uma só palavra: Karma! Assim, pode-se dizer. Em uma das cenas mais memoráveis da nossa dramaturgia recente, Gilberto Braga e seu time de colaboradores nos presentearam com um novo clássico. O momento em que Laura visita Maria Clara na cadeia. Por inúmeros motivos essa cena pode ser lembrada. Seja por seu sarcasmo original quando é oferecido um simples café quanto pela revelação de toda a motivação da, até então, vilã.

Conhecendo as tramas Gilbertianas, é um fato que a mocinha daria sua volta por cima. Ela chegou a se vingar fisicamente em uma bela surra em um banheiro. Um clássico e uma metalinguagem do autor, já que ele fez isso em uma de suas primeiras novelas.

Mas, pra mim, foi a retribuição da visita na cadeia que mostrou toda a importância das duas grandes personagens. Foi o momento em que a mocinha da história mostrou ter um ego a ser saciado, devolvendo na mesma moeda aquilo que sofreu.

Considero a novela um dos melhores trabalhos recentes do autor, que acaba de retornar ao horário nobre com Babilônia. A trama, inclusive, foi o inicio de sua parceria com Ricardo Linhares.

Flora x Donatela (A Favorita, 2008)



Em 2008, foi ao ar A Favorita, primeira novela de João Emanuel Carneiro no horário nobre da Globo. Ele é o mesmo autor da aclamada Avenida Brasil, que pararia o país quatro anos depois.

João, um exímio autor, decidiu inovar e começar sua trama sem uma vilã declarada. Duas mulheres contavam cada uma sua versão de uma mesma história. No fim, só uma estava dizendo a verdade.

Durante os três primeiros meses, o público não sabia qual das duas era a mocinha ou a vilã. Será que Flora havia sido presa injustamente por um assassinato que não cometeu? Seria Donatela uma pessoa de bom coração e que decidiu criar a filha que seu marido teve com a amante? Ou será que Donatela armou tudo para se vingar da melhor amiga e de seu marido?

O embate entre as duas foi o que me instigou durante todos os 55 capítulos iniciais da novela.  O capitulo 56 foi o da revelação. O público finalmente descobriu que Flora era a grande vilã da história e que sua missão desde o início era retomar seu plano inicial e fazer com que Donatela apodrecesse atrás das grades. Mas, diferente dos outros autores, João faz com que suas mocinhas sejam duras na queda. Donatela acaba saindo da cadeia e inicia sua jornada para provar sua inocência.

Posso dizer que a audiência resistiu em ver a trama em seu início; sinto uma grande pena por eles. Assumo que desde a chamada me interessei por esse jogo de detetive proposto pelo autor. E, a cada capítulo, minha mente trabalhava nas inúmeras possibilidades que a trama abria. É, inclusive, a primeira novela que comprei em DVD e, mesmo sabendo todas as revelações, a trama não deixou de ficar menos genial.

Nina x Carminha (Avenida Brasil, 2012)


Em tempos de mídia cada vez mais segmentada, redes sociais e perda de audiência nas TVs abertas, Nina/Rita e Carminha foram capazes de arrastar multidões para a frente das telinhas em 2012. Avenida Brasil foi um fenômeno por uma série de coisas: tinha um roteiro ágil e inteligente, lidava com um dos assuntos mais passionais do ser humano (a vingança), trouxe a tão falada Classe C para o protagonismo sem clichês, foi a primeira novela a ser acompanhada de fato em tempo real nas mídias sociais e, principalmente, tinha um elenco inspiradíssimo e afinadíssimo, capitaneado por Débora Falabella e Adriana Esteves – a sua Carminha conseguiu entrar para a história da teledramaturgia brasileira.

Avenida Brasil tinha um núcleo principal tão forte que se sustentou em cima dele durante toda a sua duração, não recorrendo a núcleos periféricos para segurar a audiência. Todos os capítulos terminaram “congelando” em cima de algum personagem principal – exceto um, no qual teve uma votação popular e a Zezé de Cacau Protásio foi eleita para encerrar.

 A grande graça de Avenida Brasil, por meses foi não ter embate entre a mocinha (que não era tão boazinha assim) e a vilã (que era mais humana que muitos outros personagens, ainda mais no seu amor infinito pelo filho que não a aceitava). Como num War do subúrbio regado a revanchismo, Nina/Rita estudou por muito tempo a hora exata em que daria o bote em sua algoz. Acabou descoberta por Carminha. Foi parar em uma cova, completamente enlameada, com uma Adriana Esteves inspiradíssima bancando a insana, lhe apontando uma arma do alto, num cenário de horror completo. Após ter sido deixada viva pela vilã, numa cena cheia de lirismo, esperou a chuva lavar-lhe o corpo imundo e se reergueu. Não poderia deixar todo o seu plano de uma vida no fundo daquela cova, ainda mais depois de ter chegado tão perto.

Recuperando o controle da situação na base da chantagem, ela volta à mansão de Tufão e, sozinha com Carminha, a faz de doméstica. Quem não se lembra do “Me serve, vadia! Me serve!”? Depois desse episódio, virou um jogo de gata e rata, até o momento em que Carminha foi desmascarada de vez e expulsa do bairro do Divino jogando na cara de toda a vizinhança o que de fato ela pensava sobre eles, os suburbanos.

A vilã desce ao inferno voltando ao lixão de onde saiu. Revive o fantasma do pai. Redime-se matando o amante para que esse não fizesse o mesmo com a mocinha, a essa altura o amor de seu querido filho. Mesmo no último capítulo, no meio do lixão, ela mantém a pose e dá ordens em Nina/Rita na hora de servir-lhe o café. Ainda que redimida, manteve sua essência e o autor foi fiel ao seu público até os últimos instantes, mantendo a essência embate entre as duas, agora sogra e nora, que movimentou toda a sua trama.

Paloma x Félix (Amor à Vida, 2013)


Se Amor à Vida, de Walcyr Carrasco, foi uma trama que começou eletrizando e depois acabou descambando, pelo menos uma coisa é inegável: o sucesso e apelo do grande vilão Félix foi o grande ponto positivo da novela.

Interpretado por um inspirado Mateus Solano, Félix era um invejoso compulsivo, capaz de tudo para roubar para si a atenção que sua meia irmã Paloma recebia do pai. E, logo no primeiro capítulo, ele é capaz de abandonar a irmã na rua, logo depois de ela dar à luz à sua sobrinha, levar a menina e deixá-la em uma lata de lixo, sem nenhum pudor ou arrependimento.

Durante toda a novela, Félix destilou maldades para cima da irmã Paloma, sempre interessado em desacreditar a irmã e herdar sozinho o hospital da família. Mas, é claro, sua hora estava por vir e, quando veio, foi em uma cena maravilhosa, que levou a audiência da novela às alturas.

Desmascarado pelo próprio pai perante toda a família, o embate entre Félix e Paloma acontece quando toda a verdade do roubo da sobrinha vem à tona. Confrontado, Félix assume a culpa, sem nenhum remorso e Paloma, a insossa mocinha vivida por Paolla Oliveira, vai com tudo para cima do meio-irmão, em uma cena com interpretações memoráveis de todos os envolvidos.

Claro que muita novela ainda estava por vir e o vilão caricato, através do amor de Nico, interpretado por Thiago Fragoso, acaba se redimindo e encerrando a novela em uma cena antológica com  o pai César, vivido por Antônio Fagundes.
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A nossa listinha termina aqui. Mas, perguntamos: e você, de que embate inesquecível da televisão brasileira se lembra? Conte pra gente!

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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Um comentário:

Thais Abreu disse...

Para mim, faltou apenas Maria do Carmo x Nazaré Tedesco. Como esquecer os xingamentos maravilhosos que teve em "Senhora do Destinos"?