quinta-feira, 30 de abril de 2015

Sexo Oral - # 05





Estamos de volta, gente! Como o mês de março foi corrido e ficamos sem a coluna mais bacanuda da interwebs, esse mês temos uma edição extra e mega especial! E como convidado da vez temos Esdras Bailone, o autor dos maravilhosos textos de sábado aqui do Barba Feita. O moço veio me ajudar a responder as dúvidas de vocês, queridos leitores. 

Mas como o objetivo aqui é ajudar, temos também uma outra participação mais do que especial nessa edição... Posso adiantar que ela é inteligente, engraçada e bonita pra caramba. 

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Sobre Referências e Reverências





Uma das coisas que mais me divertem na TV hoje em dia (na verdade, não mais, porque a temporada já acabou) é o quadro Silvio’s Greatest Songs, do programa Tá no Ar – A TV na TV, da Globo. Uma simples imitação de Marcelo Adnet para o ícone Silvio Santos cantando hits como All About That Bass, Take My Breathe Away, Estoy Aquí, Thrift Shop, Gordinho Gostoso, até a música tema de fim de ano da própria TV Globo. Uma sátira, uma referência e, principalmente, uma reverência para uma figura que transcendeu o que faz. Silvio Santos está no imaginário de grande parte das pessoas que eu conheço e das que eu não conheço também.

E foi justamente isso que me fez refletir: ao vir contar o quanto estava me divertindo com o quadro para uma colega da empresa, nascida na década de 1990, ela falou que tinha ouvido falar nele, mas que não achava graça porque não tinha muita noção de quem ele era. Poderíamos pensar que era falta de cultura. Mas, na verdade, é o ciclo natural das coisas. Provavelmente, ela é uma pessoa que sabe muito bem quem é Ariana Grande ou Sia e usa o Snapchat para contar a vida aos amigos. Novos tempos. Novas referências. Então reparei o quanto sou de outra geração – e quanto aqueles que para mim são referência irão naturalmente morrer, física ou figuradamente.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Não Querer Ter Filhos É Normal




Outro dia, conversando com um cliente também gay, descobri que não estou sozinho no mundo. Toda vez que eu digo que não quero ter filho porque não sou fã de crianças, as pessoas me olham espantadas, como se eu tivesse... Sei lá, dito que Iggy Azalea é melhor que Nicki Minaj, ou que... Ah, como se eu tivesse dito um absurdo bem cabeludo, sabem? 

O que eu posso fazer? É um direito que eu tenho, eu não gosto, ué! Mas não, as pessoas começam a falar, e perguntam: "Mas por que você não gosta de criança? Você já foi uma!", e é por esse exato motivo que eu não gosto. Crianças são caras, dão trabalho, muito trabalho, e ter um filho ou dois nunca esteve, e nunca estará no meu plano de vida, que eu não vou dizer qual é, porque o foco aqui não é esse, mas o ponto é que, ter um filho é pra quem sempre gostou de crianças. 

Aí eu digo que não gosto e as pessoas me olham como se eu fosse um assassino de criancinhas, outro fato totalmente errado. Eu até gosto de algumas crianças, tem umas que me divertem, são bonitinhas, e são ainda mais bonitas pelo fato de eu poder devolvê-las aos responsáveis! 

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Não Tem Revolta Não...





"Mas não tem revolta não, eu só quero que você se encontre
Ter saudade até que é bom, é melhor que caminhar vazio
A esperança é um dom que eu tenho em mim, eu tenho sim
Não tem desespero não, você me ensinou milhões de coisas
Tenho um sonho em minhas mãos, amanhã será um outro dia
Certamente eu vou ser mais feliz..."
Sonhos (Peninha)

Vou te falar uma coisa: adoro essa música! Ela mexe comigo, com meus sentimentos. Peninha, né? Ele é o cara! Ah, é Paula Toller cantando? Tá na moda essas regravações, eu sei. Mas a versão original era com o Peninha e depois até o Caetano regravou. Mas eu era bem jovem naquela época... 

Se bem que os clássicos são os clássicos, a gente vai sempre escutar, não importa quando, seja com o Peninha, seja com o Caetano, seja com a Paula Toller. Seja com a Sandy, vai saber! 

Aumenta um pouquinho? Linda, linda, linda música! Poxa! Nunca tinha reparado na letra. Tipo, gostava da música, da melodia, cantarolava o refrão, mas nunca tinha reparado na letra. Que linda! Ah, desculpe, eu me emociono. Essa minha fase uma merda. Qualquer coisa me faz derramar lágrimas. 

domingo, 26 de abril de 2015

Meu Aluno Perguntou...





Tenho um aluno muito querido que me considera uma espécie de guru. Ex-aluno na verdade. Dei aula pra ele na sexta e sétima séries, lá se vão uns quatro anos, mas criamos uma relação legal que continua até hoje. Ele ouve com atenção (na verdade lê no Whats App) tudo o que tenho a dizer. Os nazistas: qual foi a deles? Dilma ou Aécio? Por que esse capitalismo selvagem? Só pergunta fácil!

Essa semana ele queria saber sobre o amor, olha que bonito. Adolescente, enrolado com uma menina que ele gosta e que parece não querer nada, me perguntou se o amor existia mesmo, e se era pra sempre. Disse que não conseguia enxergar muito amor no mundo, que as relações entre as pessoas parecem ser cada vez mais frias e distantes. Que no Facebook todo mundo parece se odiar. E isso tudo me fez parar pra pensar um pouco. 

sábado, 25 de abril de 2015

Tanta Coisa




São tantos livros não lidos. 
Lugares não visitados. 
Filmes não assistidos. 
Viagens não feitas. 
Perguntas não respondidas. 

Perfumes não sentidos. 
Bebidas não experimentadas. 
Comidas não degustadas. 
Flores não recebidas. 
Saudades não matadas. 

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Sobre Respeito (é Bom e Eu Gosto)




Esses dias vi a imagem acima. Um sorriso apareceu em meu rosto por ver um casal de mãos dadas no metrô. Gosto destes gestos simples da vida. Em meio ao furacão que a vida nos prega de decepções e frustrações, coisas assim me aliviam do estresse diário. Não sei porquê fui ler os comentários sobre a foto. Se eu tivesse parado para pensar um minuto no que a legenda dizia eu não teria feito isso.

A legenda em questão pedia apoio ao casal. Com certeza, os administradores da página já imaginavam o que viria a seguir. Entre pessoas que como eu achavam lindo o gesto do casal, uma enxurradas de estúpidas de frases sem sentido e repletas de preconceito zombavam da cena. Sim. Isso mesmo.

Descobri que o casal se tratava do tailandês Naparuj Mond Kaendi e seu namorado alemão Thorsten Mid. Eles estão juntos há dois anos. Como eles não fazem parte do jocoso padrão estabelecido pela sociedade margarina, onde tudo é branco e heterossexual, eles sofreram toda espécie de discurso de ódio. Quer seja racista, xenófobo, homofóbico. A mesma sociedade que rejeita os gays por serem gays. É estúpido.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Não Curto e Não Gosto de Gente Feia!





Falamos muitas vezes sobre preconceito e até sobre a própria homofobia por aqui no Barba Feita. Mas, como muitos sabem, a própria comunidade gay – e não só ela, é preciso acrescentar – enfrenta um problema interno muito grave: julgamento alheio. Isso é algo do próprio ser humano, mas se nós, gays, enfrentamos homofóbicos e intolerantes que não entendem duas pessoas do mesmo sexo nutrirem amor um pelo outro, o que podemos dizer daqueles que são gays e possuem outro tipo de conceito sobre relacionamentos?

Pois é, essa semana ficou famoso o caso entre um tailandês e seu namorado alemão. Se você ficou de fora das redes sociais ou optou por não ler o que anda rolando por aí, eu conto pra vocês. Os dois estavam de mãos dadas em um metrô em Bangcoc e foram fotografados. Uma página do Facebook, BV Patrol, publicou. A legenda era simples e dizia o que todos nós queremos para os casais gays que possuem coragem de se assumir casal na rua: “Apoiá-los”.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Irritações




Eu andei meio irritado, admito. Não é muito um traço meu, mas, como falei aqui semana passada, me faltava o tempo. Com isso, sobrava-me o estresse e a exaustão. Agora, de férias, vejo como aqueles dias foram duros, não só comigo, mas com aqueles à minha volta. E percebo como algumas coisas, mesmo em condições naturais de temperatura e pressão, são ainda assim capazes de me irritar.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Não Alimente os Pombos




Pombos não servem pra nada. Bem, na minha opinião; se alguém discorda, me adiciona no "feiçe" e vamos conversar sobre a utilidade dos pombos, ok? 

Às vezes, no meu horário de almoço, eu vou até o centro da cidade, me sento na escada da Igreja Matriz, e fico observando as pessoas sentadas na praça, a maioria aposentados, alguns ambulantes, engraxates. Eu fico ali, observando correr  a pouca vida que essa cidade possui. Pessoas indo de um lado para o outro, falando, gesticulando... E o que me chama a atenção é que alguns dos que se sentam à praça pra comer da pipoca que é vendida ali, compartilham com os pombos que lotam o lugar. Não acham desagradável, você estar ali, comendo, pensando na vida, e um bando de criaturinhas sem objetivo e utilidade, ficarem te rodeando, afim de ganhar comida de graça? Eu acho! Pombos não servem pra nada, a não ser pra transmitir piolho (de novo, se alguém quiser me corrigir, o link tá la em cima). 

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Um Breve Apanhado Sobre a Vida (a Alheia e a Minha)





Existe uma coisa que me tira do sério: gente desocupada especulando sobre a minha vida. Porque, convenhamos, a minha vida não interessa a ninguém, além de a mim mesmo e de quem convive comigo. Mas, apesar de eu estar longe de ser uma celebridade, algumas vezes eu me sinto quase como uma. São tantas as especulações sobre com quem eu durmo, o que faço ou deixo de fazer, que quase posso me ver na capa de Caras. Mas, né, nem estou ganhando convites para conhecer o famoso castelo frequentado pelas celebridades.

Por incrível que pareça, eu gosto de gente, especialmente no conceito da palavra. Gosto de conhecer pessoas, de conviver com elas, de conversar e jogar conversa fora. Mas, sendo bem honesto, eu não gosto de pessoa em geral. Eu gosto de algumas pessoas que formam o meu círculo de amigos ou daquelas por quem nutro algum tipo de sentimento e carinho. Acho que os demais bem que poderiam se mudar para Marte, embora isso ainda não seja possível.

domingo, 19 de abril de 2015

Um Homem Canalha Pelo Meio do Caminho





Depois de um pouco de insistência, mas sem “pressão”, fui convencido a escrever pra vocês! Bom, sendo assim, veio a questão: sobre o que eu vou escrever? Depois de uma rápida reflexão, digo rápida, pois não levou nem 10 minutos pra ser concluída, cheguei a um assunto que me é de vasto conhecimento: o homem canalha!

Você está lá, todo e totalmente carente, acreditando mais uma vez que pode sim ter encontrado aquele alguém pra dividir seus sonhos, carinhos, intimidades, e talvez a vida inteira. Ao seu ver, ele é perfeito! Gentil, carinhoso, te faz rir, faz você olhar o celular de segundo a segundo, te faz sentir importante, enfim, é ele! Seus “problemas” acabaram”! Ele faz de tudo por você, fala sempre o que você quer ouvir, te trata como o mais perfeito dos homens! 
“Impossível existir alguém assim!”
E ali está você, todo apaixonado pelo príncipe encantado Todo envolvido pelo “homem perfeito”! Papo vai, papo vem, ele te convence, e isso também não leva muito tempo, e lá está você na cama com ele! Aí mora o perigo. Ele é bom no que faz. Te faz sentir nas alturas. 

sábado, 18 de abril de 2015

Cheesecake de Frutas Vermelhas




A água quente do chuveiro escorria lentamente sobre o corpo lânguido dela, embaçando os vidros e o espelho do banheiro. Envolveu-se num felpudo roupão branco de algodão. Enquanto escolhia a roupa que ia vestir, ouviu o canto do canário na varanda, esboçou um sorriso triste. Observou o clima do tempo pela janela do quarto: uma chuva muito fina, quase imperceptível, mas persistente, assim como a melancolia que habitava sua alma, caía lá fora. O céu estava cinza, mas de um cinza bonito, que dava o tom exato ao outono com suas folhas secas caídas ao chão. 

Vestiu a capa creme de tecido sintético, botas de couro marrom de cano e saltos longos e sentou-se defronte ao espelho da penteadeira ocupada por cremes, perfumes e toda a natureza de produtos femininos. Prendeu os longos e lisos cabelos negros num coque displicente, deixando alguns fios soltos nas laterais do rosto. Aplicou uma maquiagem leve, sentiu-se bonita. Calçou as delicadas luvas brancas de seda, pegou o guarda-chuva cor-de-rosa e saiu exalando no ar o cheiro suavemente adocicado do perfume de frutas cítricas. 

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Sobre Decepções




Decepções fazem parte da nossa vida. Elas acontecem sempre e todos temos que encarar isso como algo natural. Criar expectativas também faz parte da nossa natureza e, por mais que eu ache que não vale a pena de maneira alguma, a vida nos prega peças e, muitas vezes, nos vemos fazendo planos. 

Esperar por algo é sempre cansativo. Não importa o que seja, esperar denota uma capacidade de desprendimento total. Você não sabe o que lhe espera, mas você deseja assim mesmo. A surpresa pode ser boa ou não, porém, vale para ambos os lados. E o que fazer? Esperar. 

Se tivéssemos o dom da premonição, a vida seria realmente muito sem graça, entretanto, evitaríamos as decepções, desilusões e aborrecimentos que esses pequenos percalços nos oferecem. Sofrer antes do tempo não é bom, pensar demais também. Talvez, o segredo seja deixar seguir. Mas isto não evitará que futuros contratempos apareçam. 

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Os Mistérios da Madrugada Silenciosa




Alguns dizem que o silêncio da noite é a porta de criatividade para os escritores. Eu já digo que isso se chama insônia. Bem, hoje encaro como insônia, mas quando era mais novo sentia que a madrugada era minha motivação. Durante a noite sentia vontade de fazer todas as atividades obrigatórias do dia. Queria estudar, malhar, escrever, ler, basicamente, fazer tudo o que enrolava para executar durante boa parte do meu dia.

Quando era mais novo, a noite me fascinava. Conforme as horas avançavam e o sono não chegava, parecia que era o único ser acordado no meu prédio. Que a luz do meu quarto era a única da rua. Do meu bairro. Ficar acordado, enquanto o mundo aparenta dormir, é sedutor. Acho que vem daí o gosto pelo proibido, das histórias que nascem durante a noite e ganham forma madrugada adentro. E que, ao chegar em nossos ouvidos, geram certa dúvida. Afinal, será mesmo que isso aconteceu? Quem nunca duvidou sobre um “causo” de um amigo? Ou quem nunca acreditou por se tratar de algo que rolou durante as altas horas da noite... E algo assim, tão inusitado, só poderia ser real, não é mesmo?

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Correndo Contra o Tempo




Escrevo esse texto num momento de extremo cansaço. Aquele instante em que a tela branca do computador parece brilhante demais para os olhos, já caídos. Na última semana antes de sair de férias e também a semana que antecede o aniversário da instituição religiosa da qual você é dirigente, quando há a sua principal celebração no ano – e na qual eu terei uma consagração especial, especificamente este ano. Acaba sendo a semana em que o seu trabalho resolve lhe brindar com uma dose extra de... trabalho! Sem reclamar deste nobre que dignifica o homem, mas a convergência desses fatores tem me deixado exausto nos últimos dias – sendo que tende a piorar nos próximos.

E tudo isso para me questionar: onde está o tempo? Este senhor tão bonito, que eu mesmo lembrei de outra forma nas palavras de Caetano em minha última coluna aqui no Barba Feita. Muitas das vezes, pode até não nos faltar força ou determinação, mas nos falta o tempo. Ouvi recentemente uma coisa que me fez refletir profundamente: hoje em dia a nossa competição não é com o concorrente; mas, sim, com o tempo. E é verdade. Vivemos numa eterna disputa contra o relógio, como se naqueles ponteiros não coubesse tudo o que a nossa vida exige.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Glauco, Preste Atenção!





Barra Mansa, 14 de Abril de 2015
Remetente: Glauco Damasceno de Aguiar
Destinatário: Glauco Damasceno de Aguiar
Endereço: Barra Mansa, 20 de Dezembro de 2000

Glauco, preste atenção no que eu vou dizer: Eu sou você amanhã. É sério. Não se assuste, é verdade. Estou escrevendo, porque eu preciso da sua ajuda. Alguma coisa deu muito errado no meio do caminho, e a situação aqui em 2015 não está das melhores, então eu fiz uma lista de algumas coisas pra você fazer aí no passado, assim a linha temporal muda e as coisas devem melhorar. Escolhi 2000 porque é o ano que você descobriu/entendeu que é gay, logo, joguei pra Dezembro, porque eu não me lembro direito da data, ou do momento.

Primeiro de tudo: Não tem nada de errado em ser gay. Você vai passar por isso sozinho, então se acostume! E chore bastante, mesmo que com o rosto no travesseiro, isso vai te deixar mais leve. Você é gay, aceite isso. Não, você não vai poder contar pros seus pais, esqueça, mas fique tranquilo, não tem nada de mais.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Catarse





"Vai ver que é assim mesmo e vai ser assim pra sempre
Vai ficando complicado e ao mesmo tempo diferente
Estou cansado de bater e ninguém abrir
Você me deixou sentindo tanto frio, não sei mais o que dizer..."
Meninos e Meninas (Legião Urbana)

Em outubro de 2015 já serão dezenove anos desde a morte de Renato Russo. Quando ele morreu, eu tinha exatamente quinze anos e, confesso, não era nenhum fã enlouquecido da Legião Urbana, apesar de conhecer uma ou outra música. Mas o tempo passa e, vejam você, hoje eu sei muitas das músicas da banda que era comandada por Renato e tinha, em sua voz, sua verdadeira face.

E acredito que isso aconteça porque as músicas de Renato Russo são atemporais. Políticas ou simplesmente cantando as dores de cotovelo de forma intensa, é impossível não se identificar com as letras da banda que é, inquestionavelmente, a maior que o país já teve e serve de modelo para todo grupo de garagem que tenta a sorte por aí e quer se tornar relevante. De personalidade polêmica e sem papas na língua, Renato Russo foi um ícone de mais de uma geração. E seu nome está gravado na história da música brasileira, não importa a idade de seus fãs, que podem ter oitenta ou oito anos.

A introdução, dessa forma, se faz necessária, porque no último sábado me vi levado a pensar em tudo que Renato Russo e a Legião Urbana foram e são, apesar dos dezenove anos desde o seu fim. Para a comemoração de aniversário de uma amiga, um convite para o show da banda Mais do Mesmo, cover da Legião, que eu já conhecia de um outro show no ano passado. E assim, mesmo bastante gripado, me vi no Teatro Rival Petrobrás, no centro do Rio, cercado por uma multidão de todas as idades, que berravam as letras da Legião Urbana junto com o vocalista da Mais do Mesmo como se não houvesse amanhã.

domingo, 12 de abril de 2015

Caretice ou Frescurite: Eis a Questão!




O que aconteceu com a gente? Comigo? Às vezes me pego pensando nisso. Por que somos tão fúteis e ficamos presos a imagens eróticas do corpo dos nossos potenciais parceiros? Isso em aplicativos, claro, porque na noite, na balada, no barzinho, nada disso rola, ou até rola, mas demanda 'mais trabalho', digamos assim.

Nem é questão de julgar quem faça isso, não. Mas é aí, acho, que talvez esteja o meu erro, e até de várias outras pessoas: é idealizar, e até mesmo romantizar, algo que não existe. E por conta disso, se 'travar'.

Constantemente penso que nasci na época errada. Não idealizo um tipo de relacionamento; mentira, idealizo sim, mas na maior parte do meu tempo gostaria, antes de mais nada, que fosse um amor sem restrições, sem complexos, o que é impossível, sejamos sinceros. Não digo que não haveria fidelidade, claro que haveria, mas ela não seria uma convenção, seria um respeito de ambas as partes, e, se houvesse interesse em terceiras partes, por que não? Tudo pode e deve ser conversado. Sem pensar no que a sociedade e outras pessoas poderiam pensar e 'julgar'.

sábado, 11 de abril de 2015

Fotografia




Hoje, eu roubei tua foto. 

Aquela em que você está abraçado com a nossa melhor amiga. E fiquei olhando pra ela, pra tua imagem, por um longo tempo. Analisando cada detalhe, cada traço do teu rosto, da tua expressão. 

Meus olhos tontos passearam pela tua tez tão branca, teu nariz fino e proeminente, teus óculos de grau, o sorriso discreto de lábios cerrados, teus braços magros, tua camisa preta de listras brancas horizontais, reparei na luz da fotografia cinza, em tudo que estava ao seu redor e em nossa amiga te abraçando tão carinhosamente. Senti inveja. Você nunca quis tirar uma foto assim comigo. Fugiu de todas as tentativas. Deu desculpas, avacalhou as fotos. Como se uma foto ao meu lado pudesse "queimar teu filme" de alguma forma. Magoou-me, apesar de sempre afetuoso. 

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Sobre Todos Aqueles Que Chegam (e Não Vão Embora)








Quem me conhece sabe o quanto adoro conhecer pessoas novas, o quanto adoro recebê-las e o quanto adoro mostrar minha cidade para que elas voltem sempre, claro. O ato de receber faz parte da minha natureza, sou um relações públicas que nasceu publicitário. E gosto disso. Adoro promover encontros de todos os tipos com as mais diferentes pessoas e integrá-las em meu convívio sempre. 

Porque eu faço isso? Talvez porque fui uma criança tímida e introspectiva, que encontrava amigos nos filmes, programas de televisão, livros e quadrinhos. Vivendo num mundo adulto, com poucas pessoas da minha idade, isso me obrigou a amadurecer cedo. Mas a criança nunca deixou de existir dentro de mim, a alegria de proporcionar os mais variados encontros também. Era isso que eu via minha família fazer e era aquilo que eu via na TV, no cinema, nas revistas e livros.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

O Poder do Silêncio




Deve ter um tempo que venho me policiando. Afinal, não é todo post que merece ser #curtido #comentando ou #compartilhado. Sabemos que as mídias sociais pertencem a um território quase exclusivo de interação. As pessoas precisam falar. Precisam ouvir. E precisam, acima de tudo, entender cada espaço que ocupa.

Eu mesmo me vi tendo bastante tempo e foi do nada. Todo o horário, toda cobrança, toda a preocupação de antes não existem mais. Quer dizer, existir vai existir sempre, mas nem só de preocupações vivem as pessoas. Por receber de presente o tempo que julgava necessário, me vejo agora em outra sinuca de bico.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Cicatrizes





A minha primeira cicatriz de verdade me leva até a década de 1980. Voltando do jardim de infância pelas ruas calmas de Santa Rosa, em Niterói, com minha mãe, minha irmã, meus primos e minha tia, passei perto de um Fusca (pode ter sido uma Brasília...) que estava com o cano de descarga enferrujado e cortante. Depois disso, só lembro da minha mãe desesperada correndo comigo no colo, tentando estancar com a toalhinha bordada da escola o beiço que havia aberto na minha canela direita, enquanto uma dor imensa (até então eu nunca tinha sentido nada parecido) me fazia chorar muito. Tive que tomar antitetânica (após ser segurado por umas quatro pessoas, porque eu não queria aceitar a injeção de jeito nenhum) e esperar sarar com muito mercurocromo.

Durante anos, era muito visível a cicatriz na canela. Mas aos poucos a gente cresce, a pele busca se regenerar, entra na puberdade e a perna ganha pelos. Lá ficou esquecida e miúda a lembrança física daquela dolorosa experiência. Até que dia desses, verificando algo na mesma perna de forma despretensiosa, encontrei a marca. E com ela, veio como um filme claro a ferida daquele dia, hoje tão longínquo no tempo.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Sobre Likes, Matches e a Minha Preguiça Com o Tinder




Eu prometi pra mim mesmo que não entraria mais no Tinder. Quando meu... seja lá o que tenha sido, terminou, eu disse: "Glauco, nada de Tinder.". Mas quem disse que eu consegui? O tédio do feriado da Semana Santa me levou a baixar o aplicativo e criar uma nova conta. Meus amigos estavam ocupados, eu queria me distrair, conhecer gente nova, então pensei: "Ah, não vai fazer mal!", e lá fui eu, de peito aberto. E...

Lá estava eu, de volta ao mundo Esquerda e Direita. Esquerda pra quem eu não quero, Direita pra quem eu quero, caso você aí do outro lado do monitor não saiba. E começa a procura: Esquerda, Esquerda, Esquerda, Esquerda, Hum... Direita? Não, Esquerda. Esquerda, Esquerda, Direita, Esquerda, Direi... Não, Esquerda. Esquerda, Direita...

Após algum tempo, surgem os Matches e bate aquela empolgaçãozinha, nada muito festivo, só um "Oh, consegui um Match.". E você puxa papo, porque sim, não é desespero, ansiedade, nada disso, apenas porque sim. Aí é aquela coisa: Oi, como vai? Tudo bem? De onde fala? E você?. E em menos de cinco minutos de conversa... "Curte o que?". Ah, isso mata... OK, eu sei, é uma pergunta válida, eu sei. Mas assim? De cara? Não dá pra criar um vínculo um pouco maior pelo menos? Mas eu não perco a chance, e digo: "Ah, eu curto música, ler, cinema, barzinho, séries, balada, sair com os amigos... E você?", aí a conversa dá aquela caída brusca, porque nós sabemos que a resposta que ele queria ouvir era outra, né?

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Uma Noite (Re)Inventada





Deitado no chão de terra, largado no meio daquela praça, teve um vislumbre estranho. Vida. Morte. Continuidade. Aquilo não terminaria ali. Acima das construções, um céu azul outrora límpido, ia sendo devorado por nuvens brancas como algodão. Mas não eram nuvens que anunciavam a chegada da chuva. Era um sinal – e ele sabia disso! - de que, finalmente, ele encontraria seu caminho. Fechou os olhos e agradeceu. Não sabia bem pelo quê, mas achou que tinha de agradecer. A gente sempre sabe quando é hora para agradecer (ou pedir) a quem quer que seja, não importa porque ou pelo quê. E então, sentiu a vida esvair de si. 

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Horas antes, ele andava perdido pelo centro da cidade. ‘Ele’. É estranho se referir a alguém sem lhe dar um nome, mas em seu caso, o pronome se encaixa bem. Apenas um no meio daquelas pessoas que ele não conhecia ou fazia questão de conhecer. Os bares daquela região universitária da cidade lotados, os risos, os cheiros, a vida pulsante. Cada uma daquelas pessoas tinha uma vida, uma história; tinha problemas que ele sequer imaginava quais seriam. Mas que ali, naquela noite de sábado, eram apenas rostos e risos. Ele tinha muito no que pensar. Aliás, resolvera não mais pensar. Todas aquelas dúvidas em sua cabeça seriam (ou não) deixadas para lá. 

domingo, 5 de abril de 2015

Devaneios





Por que o amor dói? Por que amarga feito o fel? Ele não deveria atar laços? Ser calmo e doce como uma brisa? Deveria acalentar o corpo do sol que maltrata no verão... Mas não, ele vem pra matar, pra machucar... 

Na verdade, o amor perdeu-se no mundo. Vive vagando à procura de corações que ainda acreditem nele. Corações que não se vendam às aparências, que não se prostituam por presentes.

O verdadeiro amor está perdido? Tenho certeza que sim! O que temos hoje são pseudoamores, aqueles que conseguem se disfarçar muito bem... O verdadeiro suporta meus defeitos e aceita minhas virtudes, como pequenas dádivas de um ser imperfeito em busca de sapiência. 

sábado, 4 de abril de 2015

Deve Ser Cansativo Ser Diva (do Pop) Gay




Uma canção de Alicia Keys, We Are Here, me fez pensar em como deve ser dura e cansativa a vida de uma chamada "diva do pop", que arrasta multidões de gays à shows, baladas e a uma veneração quase doentia por músicas de refrões fáceis e coreografias rebolativas e sensuais. 

A canção de Alicia nada tem a ver com os hits de balada, é tranquila, tocada ao piano, uma baladinha politizada. Mas Alicia já teve uma música que tornou-se hit das pistas de dança, não muito tempo atrás, a deliciosa Girl On Fire. Quem não dançou ao som da "garota em chamas"? Mas Alicia Keys não é uma "diva do pop gay" propriamente dita, e foi ouvindo We Are Here que cheguei a esta divagação. 

Alicia Keys faz parte de um grupo de cantoras pop que não parece ter sido fabricada. Ela é de fato talentosa, suas músicas são realmente boas, com letras consistentes e, em um ou outro momento uma canção de seu repertório cai no gosto do ávido publico gay, tornando-se um hit dançante, como foi o caso de Girl On Fire. O que me leva à conclusão de que as cantoras que fazem sucesso nas pistas de baladas GLS dividem-se entre as que sempre estarão na playlist do DJ, de forma incansável e obrigatória, e as que esporadicamente cairão nas graças das bibas por alguns meses, estas, que não parecem estar muito preocupadas em ser a maior diva gay do pop da última semana, me parecem ser artistas mais autênticas e livres. 

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Sobre a Sexta-Feira Santa (ou Sobre o Amor)




Hoje é sexta-feira. Sexta-feira santa. Um feriado cristão, mas eu escrevo para todos vocês, cristãos ou não cristãos, religiosos ou não. Não importa sua fé, apenas o amor. Sim, o amor derruba muralhas, move montanhas; o amor é a única coisa que realmente importa nessa vida. Uso de clichês porque o amor é mesmo um imenso clichê. Não falo apenas do amor carnal, este que é vítima de tantos preconceitos. E, no fundo, se você existe foi fruto de um ato de amor, pelo menos deveria ser. Deveria ser assim sempre.

Mas infelizmente não é. O ódio, a intolerância, sentimentos tão contrários ao amor, crescem tanto a cada dia. Jesus pregou tanto o amor e agora, em nome dele, as pessoas estão pregando o ódio contra seus irmãos. Eu não sou cristão, mas eu gosto de Jesus. Não sou cristão porque gosto de ter o pensamento livre para acreditar em diferentes ideologias. Porém, como eu disse, eu gosto de Jesus e de seus ensinamentos. E ele era tão contrário a essa barbárie toda que hoje vemos. A falta de educação de todo um povo tem feito Jesus sofrer. Provavelmente, ele agora sofre mais do que quando foi crucificado, por ver que desvirtuaram todas as suas ideias em prol de causas injustas, agredindo toda uma população que apenas deseja amar.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Sexo Oral - # 04





Um mês sem sexo oral não é um mês feliz, não é mesmo? Então, vamos esquecer março, porque chegou abril e todos comemora (as pessoas ainda usam esse meme?). 

E, como acontece sempre, temos um grande convidado para tirar dúvidas, dar conselhos e opinar sobre as histórias que vocês enviam. O convidado dessa edição é o nosso colunista das sextas: Serginho Tavares. 

Vamos aos emails dessa coluna?

quarta-feira, 1 de abril de 2015

A Mentira Nossa de Cada Dia




Ah, a mentira. Quer coisa mais humana do que ela? Afinal, que outra espécie é capaz de agir contrariamente à verdade de forma racional e voluntária? E olha que, segundo neurologistas, a tendência do ser humano é, primeiramente, sempre ser sincero. Por isso, geralmente não ficamos tão confortáveis para mentir e a fofoca se prolifera tanto.

Chegamos a tal ponto de relação com a mentira que ela até tem um dia no calendário (que vem a ser hoje)! Quem nunca caiu numa brincadeira de 1º de abril? Eu sempre odiava quando alguém no colégio dizia: “olha, estão te chamando lá no portão!” e eu ia que nem um idiota, sem encontrar ninguém. Nunca fui de pregar peças na data e nunca achei graça nela – até chegar a internet e fazer uns gracejos no dia que, vai lá, têm o seu bom humor.

A principal história para a origem da data é que a brincadeira teria surgido na França: desde o começo do século XVI, o Ano Novo era festejado no dia 25 de março, que marcava a chegada da Primavera. As festas duravam uma semana e terminavam no dia 1º de abril. Em 1564, depois da adoção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX determinou que o Ano Novo seria comemorado no dia 1º de janeiro. Alguns franceses resistiram à mudança e continuaram a seguir o calendário antigo, pelo qual o ano iniciaria em 1º de abril. Gozadores passaram então a ridicularizá-los, a enviar presentes esquisitos e convites para festas que não existiam. Os franceses, sempre vanguardistas, dando origem aos eventos imaginários um pouco mais engajados do Facebook...