terça-feira, 7 de abril de 2015

Sobre Likes, Matches e a Minha Preguiça Com o Tinder




Eu prometi pra mim mesmo que não entraria mais no Tinder. Quando meu... seja lá o que tenha sido, terminou, eu disse: "Glauco, nada de Tinder.". Mas quem disse que eu consegui? O tédio do feriado da Semana Santa me levou a baixar o aplicativo e criar uma nova conta. Meus amigos estavam ocupados, eu queria me distrair, conhecer gente nova, então pensei: "Ah, não vai fazer mal!", e lá fui eu, de peito aberto. E...

Lá estava eu, de volta ao mundo Esquerda e Direita. Esquerda pra quem eu não quero, Direita pra quem eu quero, caso você aí do outro lado do monitor não saiba. E começa a procura: Esquerda, Esquerda, Esquerda, Esquerda, Hum... Direita? Não, Esquerda. Esquerda, Esquerda, Direita, Esquerda, Direi... Não, Esquerda. Esquerda, Direita...

Após algum tempo, surgem os Matches e bate aquela empolgaçãozinha, nada muito festivo, só um "Oh, consegui um Match.". E você puxa papo, porque sim, não é desespero, ansiedade, nada disso, apenas porque sim. Aí é aquela coisa: Oi, como vai? Tudo bem? De onde fala? E você?. E em menos de cinco minutos de conversa... "Curte o que?". Ah, isso mata... OK, eu sei, é uma pergunta válida, eu sei. Mas assim? De cara? Não dá pra criar um vínculo um pouco maior pelo menos? Mas eu não perco a chance, e digo: "Ah, eu curto música, ler, cinema, barzinho, séries, balada, sair com os amigos... E você?", aí a conversa dá aquela caída brusca, porque nós sabemos que a resposta que ele queria ouvir era outra, né?

De repente, outro Match. E você vai e puxa assunto, fala "Oi". Começa tudo outra vez, tal e coisa, coisa e tal, e então o cara não para de te elogiar. "Você é muito lindo", "Que fofo você é!", "Nossa, quero muito te beijar!", "Você é todo perfeito". Ai, não... Tudo bem, eu sei que eu sou lindo, fofo, perfeito, eu sei disso tudo. Agora, dá pra conversar sobre algo além disso?!

Mais um Match. Mesma coisa: "Oi" e coisa e tal. Depois de alguns parágrafos, o cara vira e pergunta se eu tenho namorada. Sim, namorada. Porque eu pareço discreto e fora do meio, assim como ele.

Depois mais um Match, e outro, e outro, e outro... Mas no fim, todos estão procurando a mesma coisa: alguém pra se divertir, seja por um dia, uma semana, um mês, e depois tchau e bença.

Eu sei que existem pessoas ali que querem algo sério DE VERDADE, e não apenas algo sério ali na conversa, mas a frustração inicial é tão grande... Assim, existe um campo onde a gente escreve algo sobre a gente, coloca Clarice Lispector, Saramago, essas coisas. Dá pra colocar também a que veio. Não é feio, é até justo, porque a gente que quer algo sério DE VERDADE já joga logo pra Esquerda quem tá afim apenas de curtir ou de um consolo porque terminou recentemente, entende? Poupa tempo e paciência.

A falta de assunto da maioria dos usuários me incomoda deveras. Não só a falta de assunto, mas a falta de noção. A gente fala "Oi", e o cara já chega pedindo Whatsapp (isso quando não é "Zap Zap"), perguntando se tenho local, o que eu curto... Gente, não, não sou obrigado. Eu só estou ali pra bater um papo, inclusive era isso que estava escrito na minha descrição. Mas não, já chegam perguntando se eu sou discreto e fora do meio, se sou afeminado, se tenho trejeitos... Eu, hein, que desespero é esse se vai resultar em, no máximo, umas três transas? Tudo bem, eu gosto de sexo, eu gosto bastante, mas dá pra chegar direito? É tão melhor o sexo depois de uma boa conversa...

Então eu deletei a minha conta outra vez. Não deu, gente. Vou tentar desencalhar da maneira convencional: Entregando a minha situação nas mãos do Universo, não tem outra solução. Eu sei que existe a possibilidade cinematográfica de eu conhecer alguém bacana numa livraria, restaurante, bar da esquina, padaria, ou até mesmo ser um cliente do Petshop, então eu vou deixar que o Universo mexa seus pauzinhos e faça o que tiver que fazer comigo.

E pra quem segue no Tinder, boa sorte. Pra quem não segue, boa sorte também. Boa sorte pra nós.

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, é o colunista oficial das terças no Barba Feita. Tem aproveitado a fase de solteiro para viver tórridos casos de amor. Com os personagens dos livros que lê e das séries que assiste, porque lidar com o sofrimento do término com personagens é bem mais fácil do que com pessoas reais.
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Um comentário:

Leandro Faria disse...

Enquanto eu editava seu texto, eu lembrava de outro que li outro dia em um blog que gosto muito.

Se quiser, leia depois:

http://julianacunha.com/nonada/peso-leveza-tinder/

Bjo,
Leco