sexta-feira, 3 de abril de 2015

Sobre a Sexta-Feira Santa (ou Sobre o Amor)




Hoje é sexta-feira. Sexta-feira santa. Um feriado cristão, mas eu escrevo para todos vocês, cristãos ou não cristãos, religiosos ou não. Não importa sua fé, apenas o amor. Sim, o amor derruba muralhas, move montanhas; o amor é a única coisa que realmente importa nessa vida. Uso de clichês porque o amor é mesmo um imenso clichê. Não falo apenas do amor carnal, este que é vítima de tantos preconceitos. E, no fundo, se você existe foi fruto de um ato de amor, pelo menos deveria ser. Deveria ser assim sempre.

Mas infelizmente não é. O ódio, a intolerância, sentimentos tão contrários ao amor, crescem tanto a cada dia. Jesus pregou tanto o amor e agora, em nome dele, as pessoas estão pregando o ódio contra seus irmãos. Eu não sou cristão, mas eu gosto de Jesus. Não sou cristão porque gosto de ter o pensamento livre para acreditar em diferentes ideologias. Porém, como eu disse, eu gosto de Jesus e de seus ensinamentos. E ele era tão contrário a essa barbárie toda que hoje vemos. A falta de educação de todo um povo tem feito Jesus sofrer. Provavelmente, ele agora sofre mais do que quando foi crucificado, por ver que desvirtuaram todas as suas ideias em prol de causas injustas, agredindo toda uma população que apenas deseja amar.

Eu sou gay desde que me conheço por gente. Sou gay e sou feliz assim, fui muito amado pelas pessoas que me criaram. E, o amor que elas me deram, eu retribuo aos meus amigos, me sinto querido por todos, me sinto feliz sendo aceito dessa forma. Claro que minha vida não é perfeita, é normal como a de todo mundo e, sendo assim, diariamente eu enfrento os percalços que a vida me oferece, mas quando olho pra vida que tenho, sou feliz em saber que posso andar confiante que o amor que existe dentro de mim é imenso e é retribuído. Eu tenho os melhores amigos do mundo, que torcem por mim sempre, e este amor eu não deixarei que nenhum pseudo profeta destrua, que nenhum fanático o tire de mim.

Quanto a você, que acha que a vida é injusta, eu realmente sou obrigado a concordar contigo. É muito injusta mesmo, mas se ficarmos pensando apenas nisso, nunca vamos andar pra frente e, como eu disse no começo do texto, o amor move montanhas. O amor é a única coisa que realmente vale a pena sonhar e acreditar e, sendo assim, podemos fazer da nossa vida um mundo melhor. Parece difícil? É, verdade, mesmo quando a gente acorda e se depara com tantas pessoas sendo vítimas de crimes de ódio. Mas espere, é por isso mesmo, não deixe de sonhar, é isso que essas pessoas que pregam o ódio querem. Que você deixe de acreditar no amor, no verdadeiro amor. Vencedores amam porque não desistem.

Então, para você que veio aqui em plena sexta-feira santa me ler e se deparou com esse texto onde eu proclamo o amor entre todos neste mundo tão caótico, vamos aproveitar e estender isso para todos os dias? Religiosos ou não, isso não importa, o que importa é apenas o amor. Distribuir abraços calorosos aos amigos, sorrisos fraternos àquelas pessoas que a gente vê todo dia e mal cumprimenta como, por exemplo, o porteiro do prédio, o motorista do ônibus ou o ascensorista do elevador da faculdade. O amor está em pequenos gestos, não precisamos de muito para ser feliz ou para fazer alguém feliz e, quem sabe assim, poderemos construir um mundo melhor.

Leandro Faria  
Serginho Tavares é um apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), da TV e da literatura. Adora escrever e é o colunista oficial do Barba Feita às sextas. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência até a praia e mantenha sempre os pés bem firmes na terra.
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Um comentário:

Homem, Homossexual e Pai disse...

acho F U N D A M E N T A L que se fale de amor, com clichÊs, com pieguice, com babaquice... obrigado! não vamos desistir!