segunda-feira, 20 de abril de 2015

Um Breve Apanhado Sobre a Vida (a Alheia e a Minha)





Existe uma coisa que me tira do sério: gente desocupada especulando sobre a minha vida. Porque, convenhamos, a minha vida não interessa a ninguém, além de a mim mesmo e de quem convive comigo. Mas, apesar de eu estar longe de ser uma celebridade, algumas vezes eu me sinto quase como uma. São tantas as especulações sobre com quem eu durmo, o que faço ou deixo de fazer, que quase posso me ver na capa de Caras. Mas, né, nem estou ganhando convites para conhecer o famoso castelo frequentado pelas celebridades.

Por incrível que pareça, eu gosto de gente, especialmente no conceito da palavra. Gosto de conhecer pessoas, de conviver com elas, de conversar e jogar conversa fora. Mas, sendo bem honesto, eu não gosto de pessoa em geral. Eu gosto de algumas pessoas que formam o meu círculo de amigos ou daquelas por quem nutro algum tipo de sentimento e carinho. Acho que os demais bem que poderiam se mudar para Marte, embora isso ainda não seja possível.

Viver em sociedade é uma merda. O fato é que as pessoas não sabem conviver. Mais do que isso, não sabem viver as suas próprias vidas, deixando a dos outros de lado. Porque, vamos convir, com quem eu transo, interessa só a mim. Quanto e como eu gasto o meu dinheiro é um problema unicamente meu. Decidir casar ou comprar uma bicicleta é uma escolha que afetará somente e mim e ao meu planejamento.

Mas as pessoas parecem não entender bem isso. Eu, que cago e ando para a vida da maioria das pessoas, não consigo entender como uma postagem no meu Facebook pode virar assunto do horário de café da minha empresa, com gente aleatória "concordando" ou não com o que eu escrevi. Eu, que normalmente nem me dou conta da existência de outros seres trabalhando comigo, me pergunto: como eles podem ficar especulando o que eu queria dizer em determinada postagem aleatória que resolvi compartilhar na rede do Mark?

Uma coisa que aprendi com o passar dos anos é a simplificar a minha vida. Não escondo coisas, não faço tipo, evito a hipocrisia e tenho preguiça de criar um personagem que nunca será tão interessante como o meu eu real. E acho tão mais fácil que me perguntem as coisas do que especulem sobre mim. A máxima de que eu sei coisas escabrosas e interessantes sobre eu mesmo é válida e eu não me furto de falar se alguém perguntar; aliás, eu falo pra caralho. Mas isso dá trabalho e algumas pessoas mais sensíveis não sabem lidar com a realidade, inclusive, porque a resposta pode sair no tom que eu achar que o meu interlocutor merece.

É por isso que me surpreende que tantas pessoas percam seu tempo se interessando pelos outros ao invés de focar em si próprios. Eu penso em viagens, em dinheiro (no meu, quase sempre), em filmes e em músicas. Penso em dormir mais e em descanso. E penso na vida dos outros também; mas na dos meus amigos e de como eu posso me intrometer nelas, porque eu sou esse tipinho agradável de pessoa. Com os meus amigos!

Quanto ao que eu faço da minha vida, eu vivo. Do jeito e da forma que bem entendo, focando em meus objetivos e não ligando para o que você que apenas convive comigo e, certamente, não me conhece, possa pensar ou se irá ou não se chocar. Porque eu posso ser um e posso ser vários. Posso ser quem eu quiser e, o melhor disso tudo, é que não me importo com o que você quer que eu seja ou o que pensa de mim. Afinal, quem é você, que me julga, me rotula e quer definir quem eu sou? 

É bem melhor ser múltiplo e diverso do que ser ninguém. É melhor ter tantas possibilidades para ser quem eu quiser do que me preocupar com a vida dos outros, esquecendo da minha própria e levando uma vida de censor da felicidade e das escolhas alheias. 

A você, que se incomoda com o que eu ou qualquer outra pessoa seja, uma dica, que é totalmente de graça: get a life! Ou adote um gato: ele tem sete vidas para você cuidar e deixar a dos outros em paz...

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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