quarta-feira, 6 de maio de 2015

A Conclusão de Uma Obra





Nessa semana, concluí o último conto que faltava para fechar o meu novo livro. Foi com um bom tempo de atraso: minha expectativa era tê-lo fechado no início do ano passado. Mas por uma série de motivos (a falta de tempo o principal deles) só consegui fazê-lo no último domingo. Ainda falta o meu velho processo de passar os últimos dois contos para o computador (eu escrevo todas as minhas histórias narrativas no papel), que é um momento muito bacana de revisão e aprimoramento. Mas o material bruto já está aí, fora da cabeça. Aliás, faz tanto tempo que idealizei o conto finalmente terminado agora, que essa história me acompanhou por anos. É mais que a gestação de um filho, portanto.

Minha relação peculiar com a escrita foi tema da minha primeira coluna aqui no Barba Feita, em novembro do ano passado. Foi esse o principal motivo de ter aceito o convite do meu amigo Leandro Faria para assumir as quartas-feiras do site: isso iria selar um compromisso semanal com a escrita, compromisso esse que só me faz bem.

Encerrando esse último conto, vejo a minha sensação de dever cumprido e de retirar o famoso peso das costas. Afinal, estar com uma história que você não consegue terminar de contar se torna um grande fardo, um verdadeiro incômodo mesmo. Lembro-me quanto precisava concluir o maior conto que já escrevi, chamado O Abraço do Capeta: passava dias parado, rolando na cama, sofrendo realmente por não conseguir dar o prosseguimento que eu queria. Até que tive a ideia de uma nova personagem, não prevista na trama inicial, que moveu tudo e encaminhou para o desfecho. Uma longa, sofrida e suada tarefa.

Uma coisa curiosa é que, nesse processo de pegar nos meus cadernos para ver o que falta passar para o computador, frequentemente encontro manuscritos que eu sequer lembrava que existiam. Existem uma série de histórias inacabadas, que podem se tornar contos ou mesmo romances. Uma fala de traição com assassinato; o outro, de serial killers; um que encontrei ontem era uma ficção científica que se passa no ano de 3.509... E olha que nunca fui afeito a gostar de ficção científica, quanto mais pra escrever.

Isso sem contar aquelas histórias que já nasceram para serem romances: o meu único já concluído, de qualidade bastante duvidosa, encontrei hoje dividido em três cadernos; num deles, há um furo de traça. Não pretendo publicá-lo um dia; costumo dizer que o deixarei pronto para meus herdeiros lançarem como uma obra inédita após minha morte como escritor de sucesso. Dessa forma eles lucram, eu não fico com o ônus de ter escrito algo ruim e os meus fãs se satisfazem, mesmo com uma porcaria. Outros três pontapés de romances estão espalhados aqui pela casa, em escritas mais ou menos estruturadas. Veremos qual deles sai antes...

Voltando ao atual livro, trata-se de um desafio. Diferentemente do meu primeiro livro solo, Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades, que tinha contos de diversos assuntos, reunidos por afinidade sob cada uma dessas três partes que formam o título, o mais novo tem uma só temática: sexo. Não, não são contos meramente eróticos, embora muitos deles tragam palavras chulas e descrições de cenas que eu tenho CERTEZA de que morrerei de vergonha quando minha mãe, minha madrinha ou minha chefe lerem. Mas a ideia é mostrar até que ponto o ser humano pode chegar por conta da questão sexual. Há um pouco de tudo: descoberta, voyeurismo, ménage à trois, traição, incesto, pedofilia, abuso, hetero e homossexualidade... O título, dessa vez, é bem mais curto e direto: Perversão. Qual o limite entre o que é pervertido e o que é perverso? E o que define o que é cada uma dessas coisas para cada um?

Espero que vocês, assim como eu, aguardem pela finalização e pelo lançamento do livro que, torço, tomara que seja em breve. É uma nova realização, um novo momento e, quem sabe, um salto importante para esse singelo escritor.

Leia Também:
Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor do livro Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
FacebookTwitter


Nenhum comentário: