quinta-feira, 28 de maio de 2015

As Novas Amizades





Já percebeu que fazemos amizades virtuais sem perceber? Sério. Para e pensa um pouco só. Em época de postagens aqui e ali, é impossível não se identificar com alguém que você nunca viu pessoalmente na sua vida e muito menos tomou um chopp e abriu seu coração. Eu mesmo vivo me identificando com as pessoas que nem bem conheço pessoalmente, mas já considero muito (virtualmente). 

Por exemplo, foi através da minha busca por opiniões literárias que descobri o canal no Youtube Cabine Literária. Lá me senti completamente acolhido por pessoas que me entendiam (no carinho por livros) e com alguns sentimentos parecidos com os meus (por determinado livro). Foi um alívio assistir aos vídeos do Gabriel Utiyama e perceber que não estava errado ao odiar certa obra, mas o problema estava com as outras pessoas por gostarem de algo tão ruim! Maior exemplo? Bruxos e Bruxas, do James Patterson. Pode me obrigar a fazer qualquer coisa nessa vida, mas não me mande tentar ler aquilo de novo. É horroroso demais. 

Ficou curioso? Você pode ver o vídeo que estou falando >>> AQUI <<< com a opinião do Gabriel, mas só assim que acabar de ler o meu texto, combinado?

Foi também, tenho que admitir, através do Youtube que conheci o Porta dos Fundos. Ou conheci o Porta dos Fundos e através deles passei a “conhecer” os vídeos no Youtube? Bem, não importa. Mas foi mais ou menos assim que descobri o Gregório. Sim, o Duvivier. Via os vídeos dele – ou que tinham a participação dele, mas que os roteiros não eram necessariamente dele – e gostava. Ele era engraçado, mas parecia que tinha mais. Olhava para o Gregório e era como se fosse possível ver que existia mais. Ele não era só ator, não podia ser. Tinha uma expressão muito inquieta, com olhar meio perdido. Ou seria autista em um grau menos avançado ou cronista, dramaturgo, romancista. Não, romancista não. Um sonhador talvez, mas não um romancista.

Bem, em algum momento entre descobrir quem ele era e que a Clarice não só cantava como era a namorada dele, me deparei com uma crônica do Gregório para a Folha, e ao passar os olhos por cada linha, eu ri. Não, o texto nem era engraçado. Era sarcástico, espirituoso, mas não era engraçado. Era inteligente, com ótimas sacadas. Admito que a sensação foi de ler algo que gostaria de ter escrito, mas que não poderia por não ser o Gregório. Mas não fiquei triste por isso. Pela parte da escrita talvez, mas olhei para o lado positivo da questão. Ele é baixinho e eu tenho 1,79 de altura (quase oitenta, mas é setenta e nove). E vou ser muito honesto com você, não saberia ser baixinho. No mundo onde as pessoas colocam tudo em prateleiras bem altas, eu não poderia ser baixinho. Não teria como ser. Somando esse inconveniente, não seria o Gregório, mas ele seria o meu amigo. Melhor dizendo, ele é o meu amigo virtual. Que escreve textos que mexem comigo e que me instigam a ter mais, ir mais e, em outros momentos, a ser “menos”.

Também não da pra esquecer da Jout Jout – já comentada por aqui através desse texto: Meus Novos Canais Favoritos do Youtube. Só tenho elogios. Como o mundo é engraçado através dos olhos dela. Já parou para pensar como levamos certas coisas muito a sério? As vezes é engraçado e tudo bem ser engraçado. E como me identifico bastante com a Jout Jout. Não sei se seríamos amigos do peito de tomar chopp por aí, mas acho que daríamos suporte um ao outro através do WhatsApp. Fazemos muitas maratonas de séries. Gente que faz maratona de séries é legal, não tem como não ser. Não sei, trocaríamos áudios nas nossas conversas. Acho que eventualmente, em algum momento isso poderia acontecer, mas também penso que não teríamos coragem de falar o que pensamos em voz alta e na frente dos outros. Não enquanto a amizade ainda não está solidificada e pagar mico na frente de estranhos faz parte disso. Do código de amigos. Coisa que amigo só faz com amigo. E que, às vezes, assusta. Os outros, não a gente.

Através de vídeos e redes sociais, amigos que não são “amigos”, mas que estão por aí, são feitos a toda hora e o tempo todo. Seja em uma frase de 140 caracteres, em um vídeo de quatro minutos, em uma crônica em um site de jornal ou falando sobre livros... Ou escrevendo textos sobre a vida em um certo blog por aí.

Ou seja, encontre seu amigo virtual e liberte-se. 
Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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