sábado, 2 de maio de 2015

Chato, Eu?!




“Você é uma pessoa difícil!” 

Por que? Só porque eu falo o que penso? Porque brigo pelas minhas opiniões, quando tenho certeza de que elas são sensatas? Porque não aceito ser tratado com descaso? Por odiar desorganização? Não suportar imaturidade, falta de respeito e desejar que me amem na mesma medida que eu amo?

Sou difícil porque cobro o que acho que mereço? Porque não ajo com leviandade? Porque minha paciência é zero pra burrice e dramas desnecessários? Porque detesto carências exacerbadas e, na mesma medida, pessoas que não entendem que no fundo todo mundo é carente em determinado grau, mas nem por isso precisa exagerar nas demonstrações? 

Sou difícil por que, afinal? Por ser, às vezes, um pouquinho metódico? Por achar que, quase sempre tenho razão? Por demonstrar minha desaprovação àquilo que não gosto? Por ser careta? Por ser intolerante a eternos adolescentes? Por ser transparente? Por ser intenso? Por odiar meias palavras, meias verdades, afetos pela metade? 

Nesse mar de superficialidade em que me encontro, batendo braços e pernas pra não afundar, mesmo sem saber nadar, devo parecer difícil mesmo, chato até. Uma “velhinha afetada”, como já me definiram dia desses. Por outro lado, esses dias, também me disseram que é impossível não gostar de mim. Acho que não é impossível não, até porque, acho tão chato ser unanimidade. Mas definir os sentimentos por mim é muito fácil, não existe um meio termo, ou me amam ou me detestam. E eu gosto que as coisas sejam assim, bem claras e definidas. 

Meu grau de dificuldade e chatice vai depender única e exclusivamente de você. Vou lhe dar sempre aquilo que você merece. Ensinaram-me a ser educado, respeitar a todos e ser gentil, mas também aprendi a ser extremamente sincero, e isso pode ser um problema muitas vezes. Então, não espere sorrisos, palavras doces e complacência de mim, se não for isso que eu realmente deseje te dar. 

Eu sempre quis, como naquela música do Roberto Carlos, ter um milhão de amigos, não de colegas, nem de conhecidos, nem de parceiros de festa. Um milhão de pessoas que me amassem de verdade. Depois de 33 anos de vida, entendendo a impossibilidade de que isso seja real, me contento profundamente com os amigos que conto nos dedos de uma mão. Esses, que conseguiram atravessar a superfície, entender, extrair e aceitar o pior e o melhor de mim. 

Quanto a você, que me acha difícil, por sua preguiça de mergulhar mais fundo e conhecer a essência das coisas, apenas lamento sua vida artificial, e lembro daquele filme do Steven Spielberg. Mas no final, a criança-robô acaba possuindo sentimentos verdadeiros. Quem sabe você ainda tenha chance de sentir e entender algo de verdade. 

Ah, e não esqueça, tudo que é fácil perde a graça muito rápido!

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Leandro Faria  
Esdras Bailone, nosso colunista oficial do Barba Feita aos sábados, é leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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