terça-feira, 12 de maio de 2015

Ódio: Uma Necessidade Social




Quando eu fiz o texto sobre não querer ter filhos por não gostar de crianças, algumas pessoas vieram no chat do Facebook dizer que eu não devia ter dito aquilo, que isso não se fala; quando minha colega compartilhou um vídeo sobre crianças carentes pegando comida do chão, em algum país que agora não me recordo o nome, ela foi agredida verbalmente nos comentários do vídeo, sendo acusada de coisas que não faziam o menor sentido; mulheres que são contra o aborto vêm sendo agredidas constantemente na web; as que são a favor do aborto são chamadas de assassinas, acusadas de não serem religiosas; uma porção de gente brigando, discutindo, se odiando. 

Desde as Eleições 2014, as pessoas maximizaram o gosto pela discussão agressiva, trocando ofensas, agredindo não apenas verbalmente, mas fisicamente também, transformando o país num verdadeiro Coliseu, mas sem gladiadores, e sim, com muitos leões brigando entre si. Tudo é motivo. Tudo. 

Antigamente, as brigas sangrentas eram por causa do BBB, ou porque a nova novela das nove está mais violenta que a anterior, ou tem mais pornografia... "Mas Glauco, isso não mostra que o povo aprendeu a discutir sobre assuntos inteligentes?" E é inteligente agredir o outro? É inteligente perder a amizade que virava noites com você, jogando conversa fora, ou em viagens? 

Eu entendo esse ódio todo, isso se tornou uma necessidade social. Qual o sentido de convidar pra ir na sua casa a pessoa que tem uma opinião diferente e dizer "Vamos, fulano, vou passar um cafezinho. Pega os biscoitos ali no armário... Ali, atrás do açúcar... Isso. Senta aí, vamos conversar sobre as nossas opiniões, eu quero entender o porque de você pensar tão diferente de mim.". Cadê a graça? Qual é a graça de uma discussão sem sangue? Sem raiva? Sem gritos, palavras duras? É mais fácil xingar, parece mais coerente... Parece não, é mais coerente partir pra cima, pra violência, seja ela física ou verbal. 

É triste dizer que essa situação não vai mudar tão cedo? Sim. É triste ver que, no final de tudo isso, amizades de anos se acabam, e o respeito fica ali, jogado no chão, absorvendo o sangue de uma luta sem sentido, sem necessidade, e a parcela da sociedade, que tenta resolver as coisas de forma pacífica, acaba, por muitas vezes, caindo no meio dessa briga, sendo forçada a escolher um lado. 

E a guerra nunca acaba.

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, é o colunista oficial das terças no Barba Feita. Tem aproveitado a fase de solteiro para viver tórridos casos de amor. Com os personagens dos livros que lê e das séries que assiste, porque lidar com o sofrimento do término com personagens é bem mais fácil do que com pessoas reais.
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2 comentários:

Eduardo Silva disse...

Você tocou em um assunto tão atual e o meu sentimento foi mútuo.
Esse ódio rasgado me fez parar de seguir diversas pessoas no Facebook e parar de tocar em vários assuntos com outras mais.
Ótimo texto.
Parabéns 😤.
P.S. Não deixo de ler o Vergonha Alheia
#adoro

Glauco Damasceno disse...

BRIGADO, EDUARDO <3