quinta-feira, 14 de maio de 2015

Veja Quem Você é Hoje!




Você já assistiu algum filme que gostava muito quando era criança? E como se sentiu quando isso aconteceu? Bem, tenho uma experiência muito particular com relação a isso. Lembro que quando estava para me formar na faculdade, na noite anterior à formatura, liguei minha tevê de bobeira e estava para começar Os Goonies. Bem, se você tem menos de vinte e cinco anos e nunca assistiu à Sessão da Tarde, fica esperto que o tio explica pra você: Os Goonies é um filme de 1985 e mostra um grupo de crianças e pré-adolescentes vivendo uma grande aventura. Que resuminho safado o meu. Vou tentar de novo.

Na verdade o enredo é o seguinte: Mickey vai ter que mudar de onde mora e, num dia triste por isso, acaba encontrando no sótão de casa um mapa do tesouro do Willy Caolho. Eles então partem em busca do tão sonhado ouro – que, a propósito, pode manter suas casas – ao lado dos seus melhores amigos: Bocão, Dado (apelido em português, em inglês Data) e Gordo. Mas o irmão mais velho de Mickey, Brand, acaba entrando no meio da jornada, assim como Andy e Stef. O que o grupo não poderia imaginar é que uma quadrilha italiana, os irmãos Frateli, entrariam nessa busca e fariam de tudo para ficar com o tesouro.

Durante boa parte da década de 90, o filme passou nas tarde da Globo ao lado de Curtindo a Vida Adoidado e A Garota Rosa-Shocking. E eu, o dono desse espaço no Barba Feita, sou apaixonado por esse filme em particular. Caso o querido leitor possua mais de vinte e cinco anos e também tenha esse longa metragem em sua memória afetiva, vamos seguir juntos na jornada que estou propondo.

Bem, imagine toda a cena. Eu, aos vinte anos de idade, sentado no chão e com meus olhos grudados na televisão. Estava de volta ao universo que assisti aos seis, sete, oito anos (e por aí vai). Ouvindo as vozes daqueles personagens – sim, o filme era dublado e vamos combinar que quando éramos crianças não ligávamos para legendado ou dublado e também éramos mais felizes assim – e revivendo, indiretamente e diretamente, toda aquela aventura.

Achei que o universo estivesse me dando um presente. Me avisando que um novo ciclo estava chegando e que não seria mais o mesmo menino que conhecia de cór os diálogos e, mesmo assim, vibrava quando via Sloth defendendo “gordo” dos seus irmãos. Foi, como muitos podem pensar e até definir, como: um rito de passagem. Mas, engana-se quem pensa que essa foi a última vez em que assisti ao filme de Spielberg. Aos vinte e seis anos, a coisa toda se repetiu e foi tão repentino quando da primeira vez. Mudei de canal e lá estava o filme por começar. Não me fiz de rogado e vi tudo de novo. O diferente é que não pensei em ciclo, ou novos começos. Só pensei que estava dando uma baita sorte em pegar o meu filme favorito antes de começar.

Sei que algumas pessoas preferem por deixar na memória algum filme ou livro que tenha marcado muito. Pensam que ler novamente ou assistir depois de anos pode terminar com a magia. Sinceramente, não acho que a grande preocupação seja de arruinar a “magia do filme”, mas sim a magia que existia em você quando assistiu ou leu pela primeira vez a sua “obra marcante”. Afinal, depois de tanto tempo, é inevitável perceber que você mudou, mas a história não. A trama continua sendo a mesma, assim como a música de fundo e os diálogos dos personagens. Mas a sua percepção, o seu repertório e tudo o que você viveu no intervalo entre o primeiro contato com a obra e um possível segundo olhar, podem redefinir tudo. Sei e compreendo quando não se quer estragar algo assim. Um filme da infância ou o livro favorito da vida. Mas talvez você deva se dar essa chance de continuar se reconhecendo e se dando de presente esses momentos. Esse texto escrevo para fazer esse convite: veja quem você é hoje.

Pegue um filme, um livro e assista novamente ou leia de novo. Mas não se cobre. Coloque no seu aparelho de DVD, baixe ou assista se for possível no NETFLIX e... só. Não se julgue. Assista ou leia e se redescubra no meio das cenas, letras e história. Às vezes, a gente muda tanto que nem percebe onde foi parar e, outras vezes... A gente está ali, como costumávamos ser, mas só não sabemos como lidar com a nova realidade que nos cerca.

E, por questão de curiosidade: sim, planejo (re)ver Os Goonies esse ano, afinal, fazemos 30 e merecemos comemorar essa marca, juntos! 

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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Um comentário:

Hanna disse...

Eu faço isso todo natal com Love Actually (Simplesmente Amor). E o curioso é que a cada ano eu me identifico um pouquinho mais com um personagem diferente, adoro essa sensação de que estou vendo um filme novo.