domingo, 7 de junho de 2015

Intercâmbio: Vivendo em Dublin





Quando resolvi fazer um intercâmbio, eu não tinha ideia do que me esperava aqui; mas não sabia o quanto difícil seria. Hoje, ao completar quatro meses na Ilha Esmeralda, tenho certeza absoluta que isso era o que realmente queria. 

Logo que cheguei a Dublin, percebi que viver aqui não seria tão fácil como eu estava imaginando e, de cara, tive um choque de cultura imenso. Ao sair do aeroporto, senti o que realmente era frio (em uma temperatura abaixo de 0º), vi pela primeira vez tudo escrito em inglês e senti a dificuldade de me comunicar com o conhecimento básico do idioma que eu tinha. Mas não me deixei me abalar, eu estava vindo para a Irlanda exatamente para aprender um novo idioma e também me conhecer mais, aprendendo tudo o que eu poderia com esse novo país. 

Me lembro que nos primeiros dias o frio era tão insuportável e eu precisava fazer milhões de coisas pela rua. Dublin parecia uma cidade enorme e aqueles ônibus, metrôs e trens levavam para lugares muito, muito além do que um dia eu poderia chegar. 

Mas, como um bom garoto, hoje o meu inglês já evoluiu ao ponto de conversar e entender tudo (ou quase tudo) que os Irish falam. Eu fui para a rua, me perdi e aprendi onde comprar e como comprar as coisas, ao pondo de hoje a cidade ter se tornado um ovo para mim, já que a todo momento cruzo com pessoas conhecidas. 

Um dos meus maiores medos era me sentir sozinho, de chegar aqui e não ter ninguém, já que a minha família estava a mais de 9 mil quilômetros de distância. Porém, aos poucos fui conhecendo pessoas maravilhosas, que hoje são consideradas a minha família aqui na Irlanda e que vou levar para sempre em minha vida. 

Não tem como vir pra Irlanda e não se apaixonar, o povo é muito acolhedor e simpático. Parecem brasileiros e, ao mesmo tempo, tem costumes típicos europeus. Eu me impressionava em como eles ficavam loucos tão rápidos e hoje entendo como conseguem virar uma pint. de cerveja (500 ml) em três goladas. Bêbados, eles dançam enlouquecidamente, e sóbrios não conseguem sequer olhar para uma mulher. Após quatro meses, ainda me impressiono em como alguns irlandeses são loucos e vejo muito deles em brasileiros que também vivem aqui, só espero que essa loucura não pegue. 

Como tudo é passageiro nessa vida, eu sei que não vamos ficar aqui para todo o sempre e já senti na pele a dor da despedida daqueles que tiveram os mesmos sonhos e desejos que eu. Viver longe da família e amigos não é fácil, já havia comentado com alguns amigos que vivem aqui que tudo o que sentimos é muito intenso. Ainda brinco que é só multiplicar os nossos sentimentos pelo valor do “euro” para ter o “real” sentimento das coisas. 

Posso concluir afirmando que a vida aqui não é tão simples como eu imaginava e ainda há muita coisa para eu aprender. Mas não vou ficar calculando o dia para voltar ao Brasil, pois já percebi que isso pode acontecer a qualquer momento. O conselho que eu deixo para todos é que venham, invistam em um intercâmbio. Essa é para mim a melhor forma de realmente se conhecer, aprender e viver novas experiências.

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Leandro Faria  
Márcio Lourenço, nosso colunista convidado de hoje, é um romântico incurável, do interior do estado do Rio de Janeiro, tem vinte e poucos anos, apaixonado por viagens, fotografia e uma bela poesia.
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