segunda-feira, 15 de junho de 2015

Jesus Estaria Contigo?







Vivemos dias estranhos. Em pleno ano de 2015, parece que voltamos no tempo e uma nova-antiga “moral” toma conta de nossa sociedade. A liberdade é cerceada e comportamentos são condenados apenas por serem diferentes. Um beijo choca, uma bunda causa reboliço e a gritaria é generalizada. Na visão de muitos é explícito um retrocesso gritante, que preocupa e nos faz pensar.

E o nome de Jesus Cristo vem reverberando entre tudo isso. Famoso conhecido de todos nós, Cristo vem sendo utilizado por pessoas diversas para apontar comportamentos errados e ofensivos. E uma palavrinha ganhou as manchetes e vem sendo repetida por uma massa manipulável: a cristofobia. Como se o problema fosse Jesus Cristo e não as pessoas que se utilizam de seu nome como forma de atingir seus interesses para lá de questionáveis. 

Por isso, escrevo para você que se sente ofendido e, talvez, apenas repita o discurso da cristofobia porque ache que tem muita gente querendo chocar, aparecer ou apenas zombar da sua fé. Escrevo para você que é realmente bem intencionado, mas que pode estar sendo manipulado por pessoas que se aproveitam da sua crença para benefício próprio e escuso. É para você, que não conheço, a quem dirijo a pergunta: se Jesus Cristo estivesse vivo, na Terra, fazendo o que dizem que ele fez há dois mil anos, estaria você ao lado dele?

Acreditar ou não na existência de Jesus Cristo, o Filho de Deus, enviado para que nosso pecados fossem perdoados, é questão de fé, cultura, geografia e circunstância. Afinal, se tivéssemos nascido em outro país, culturalmente diferente do nosso e não cristão, provavelmente teríamos sido moldados a acreditar em outros deuses, tendo uma fé distinta da maioria dos países ocidentais. Entretanto, Jesus Cristo, como “personagem bíblico” é conhecido mundialmente. Por cristãos, judeus, hindus, muçulmanos. O que a Bíblia diz sobre ele é de domínio público e amplamente disponibilizado para pessoas de todas as nações, acredite você na veracidade dela ou não.

O homem descrito na Bíblia, principalmente nos quatro evangelhos, era um verdadeiro pacifista. Jesus era simples, acessível, despido de preconceitos e agregador. Jesus era, e essa talvez seja a melhor palavra para descrevê-lo, empático. E, antes de ser crucificado ao lado de dois ladrões, comparado a eles por uma multidão a quem tentava apenas ajudar, travou embates apenas com líderes religiosos proeminentes de seu tempo, que tinham influência inclusive dentro do Império Romano, quando expôs para todos o tipo de pessoas manipuladoras e egoístas que eram, que usavam o povo para angariarem mais poder e de se manterem nele. Isso não nos soa familiar?

Como marginal, que andava pela Judeia pregando suas crenças e angariando (poucos) simpatizantes, Jesus defendeu prostitutas, pobres, e se recusou a ser empossado como líder. Jesus era um underdog, não um proeminente, engomado, soberbo e fútil líder religioso. O que ele tinha de mais importante era sua mensagem, que visava a libertação das pessoas, não o apontamento de seus erros e defeitos. Ele era empático à dor do outro, aos seus problemas e queria ajudá-los a superar tudo isso, não julgá-los culpados ou inocentes. Jesus dava a outra face, não atacava ou agredia.

Agora imagine um Jesus Cristo moderno, um homem que surgisse hoje pregando o amor, o não enriquecimento através da fé, a separação do Estado da religião. Um homem que apontasse os erros da Igreja, que mostrasse que os Silas Malafaias e os Marco Felicianos da vida são verdadeiros cânceres da nossa sociedade e que mostrasse que o caminho é o amor, não o afrontamento. Conseguem imaginar o quão ridicularizado, afrontado e exposto ele seria? Mais do que isso, será que você, que se diz cristão, ficaria ao lado dele ou, se tivesse a oportunidade, o julgaria também?

Porque não importa a sua religião ou a sua fé. Não importa se você é ateu, católico, evangélico, protestante ou espírita. No fim das contas, o que interessa são os seus atos, a sua atitude para com o seu próximo, para com o seu Deus. O que importa, meus caros, para o Jesus bíblico ou para nós em nossos dias, é o amor, a empatia. 

Assim, termino esse texto com uma pequena reflexão para você, querido leitor que diz estar ao lado de Cristo: será que Jesus, metafórico ou real, aprovaria as suas ações e a sua fidelidade a certos líderes religiosos e discursos discriminatórios e ofensivos? 

E, o mais importante: Jesus estaria contigo?

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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Um comentário:

Shirley disse...

Putz, Leco, MUITO BOM esse texto, induz a uma reflexão máxima sobre nossos atos e, pq não?, pensamentos. parabéns pela visão racional e, ao mesmo tempo, sensível de tudo o que JC representa. bjão!