quinta-feira, 25 de junho de 2015

O Inverno Por Um Carioca (ou Uma Carta de Amor ao Frio)






Finalmente escuto a chuva batendo em minha janela do quarto, às três da manhã, e sei que o clima, ao acordar, será gostoso e ameno. Sou carioca e sei da nossa baixa tolerância ao frio. Somos aqueles que tiramos o casaco da gaveta no primeiro sinal de chuva. Também somos reclamões quando ficamos mais de três dias sem sol. Mas eu sou aquele que fica feliz quando o inverno bate na porta e chega na hora certa.

Vou deixar uma coisa bem clara de início. Aqui no Rio de Janeiro existe só uma estação do ano: o verão. Mas, vez ou outra, o frio chega para fazer uma visitinha. Melhor dizendo, o frio em sua variação carioca. O mais comum é friozinho do final de tarde. Ele é ótimo para dar um passeio no calçadão da praia ou dar uma volta pelo bairro. Sim, você pode acabar perdendo o celular, carteira e ser esfaqueado de bônus, mas, ou é sair ou ficar confinado em casa. E esse confinamento é sem câmeras e não vem com um bom prêmio no final. Então, ficamos com a primeira opção e damos um rolê.

Mas o frio que veio agora, depois do dia 21, é especial. É um frio mais constante e, mesmo quando faz sol, o frio torna a temperatura bem agradável. Digamos que é o momento em que é possível ficar bem elegante em um passeio ao ar livre. Que, convenhamos, coisa que todo paulista acha complicado quando conhece a cidade de São Sebastião. Andar de bermuda é quase um uniforme oficial por aqui em dias ensolarados, assim como andar de havaianas... Bem, tenho a teoria que já recebemos as nossas na maternidade, assim que ganhamos o mundo.

Então, voltando ao frio e ao meu amor por ele. Gosto desse frio que vem nos visitar de vez em quando e que traz chuva. Não chuva catástrofe, claro. Porque a minha cidade é exatamente o que vocês assistem nas novelas do Manoel Carlos. Somos projetados para o sol e os habitantes para reclamar do calor. Mas São Pedro não pode mandar muita chuva não, que começa a dar muito ruim por aqui. É tragédia por tudo quanto é lado e ficar feliz por ter chuva acaba te transformando em um estranho no ninho.

E, deixando um pouco de lado o que diz a música, cariocas gostam sim de dias nublados (não todos os dias, claro). Mas mudar um pouco o cenário é bom. Não sei se meu ar anda muito introspectivo, mas tenho gostado de preparar um chá ou chocolate quente para acompanhar minhas leituras. O tempo tem até me ajudado a pensar melhor na vida.

Acho que no fim, fiz esse texto para declarar meu amor ao frio e à chuva que veio me visitar. Mesmo me deixando de cama - nem tudo é perfeito - e meu corpo como se tivesse ido pra uma luta de MMA, no fim, tudo veio para mudar... 

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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