sábado, 27 de junho de 2015

Seriados Americanos X Novelas Brasileiras






Virei um seriador há pouco tempo. Não daqueles enlouquecidos, que fazem maratonas desenfreadas, como alguns coleguinhas aqui do Barba, mas estou amando esse maravilhoso mundo das séries americanas, é mesmo bom demais. Não tenho Netflix, mesmo a assinatura sendo baratinha e também não aceitei as senhas de alguns amigos que me ofereceram suas assinaturas, pois tenho absolutamente todos os títulos disponíveis online.

Quando descobri essa disponibilidade, primeiro fui atrás de títulos antigos, que costumava acompanhar na TV aberta sem ter finalizado as temporadas, como Ugly Betty, Grey's Anatomy, Heroes, Six Feet Under Cold Case. Mas como a oferta é imensa, essas séries são assistidas em doses homeopáticas, ainda não finalizei nenhuma, pois a todo momento sai uma novidade. Uma nova série que parece incrível estreia e lá vou eu conferir se é mesmo boa e não consigo parar até chegar a season finale. Foi assim com Scandal, uma série absurdamente viciante e boa pra car***o, que comecei esse ano, já em sua quarta temporada. Também com How To Get Away With Murder. Ambas, junto com Grey's Anatomy, são produzidas por Shonda Rhimes. Que mulher é essa, gente?Divíssima!

Outras séries que me fazem perder (ou ganhar) algumas horas em frente ao PC são The Fosters, drama familiar gostosinho e emocionante; Sense8, uma coisa tão inexplicavelmente maravilhosa, que tô me segurando pra não assistir aos dois últimos episódios, porque não quero que acabe; e a mais recente, que comecei a pouco, Empire, só um episódio assistido até o momento, mas parece ótima.

Tenho assistido Revenge também, que foi finalizada esse ano em sua quarta temporada, e House Of Cards, que vi só o primeiro episódio há algumas semanas, mas não me seduziu. Darei mais uma chance à série protagonizada por Kevin Space, que muitos elogiam bastante. Game Of Thrones está na minha lista daquelas a serem assistidas, mas como me parece uma série bastante intensa, estou esperando um momento em que esteja no clima para me dedicar só à ela.

A serem conferidas ainda: Secrets and Lies, True Detective, Orphan Black, Demolidor, Grace and Frankie, American Horror Story, Penny Dreadful Mad Men. Sem contar as que estão para estrear: Scream, Scream Queens The Catch (mais uma da magnífica Shonda). Uma bem interessante que comecei a ver, mas parei no segundo episódio, é a pouco comentada Transparent, que aborda o tema da transexualidade, bastante em voga na sensacional Sense8 (me faltam adjetivos pra essa série) e em Orange Is the New Black, que assisti toda a primeira temporada, mas perdi o tesão depois do primeiro episódio da segunda. Em Transparent a abordagem é bem mais dramática, mas tudo é conduzido de forma leve na história de um senhor de 60 anos, que ao se ver sozinho após os filhos saírem de casa e se divorciar da esposa, resolve assumir sua transexualidade. Com apenas 10 episódios e uma única temporada até agora, espero o momento oportuno para continuá-la e digerí-la com a calma que ela merece.

Assistindo à todas essas séries e cada vez mais encantado por elas, foi inevitável fazer uma comparação com as novelas, outro produto que adoro. Fiquei pensando o quão engraçado é certas pessoas que torcem o nariz pras novelas, mas enchem a boca pra dizer que são viciadas em seriados americanos. Sendo que, prestando a atenção, muitos desses seriados não passam de grandes novelões. Alguns são plágios inspirações descaradas para alguns autores brasileiros. Ou tudo não passa apenas de uma grande coincidência?

O caso mais notório, foi o da novela Avenida Brasil, o mega-sucesso de João Emanuel Carneiro, que muitos diziam beber na fonte de Revenge, lançada um ano antes do folhetim de 2012. Na época da novela eu não assistia a série, mas morria de curiosidade pra saber as referências que eram usadas dela na novela. Quando comecei a assistí-la esse ano, fiquei chocado. JEC praticamente fez uma versão brasileira da série em formato novela e arrancou aplausos por todos os lados, tanto de quem não conhecia a série, como eu, quanto de quem já a tinha visto. Todos se renderam aos embates de Nina e Carminha, as versões brasileiras de Amanda Clarke e Victória Grayson.

Mas João Emanuel não foi o primeiro a se utilizar de um roteiro de série americana para criar sua própria novela, de forma tão aberta. Cinco anos antes, em 2007, a Record viu sua audiência subir pelas mãos de Tiago Santiago com a novela Caminhos do Coração. Uma história nitidamente inspirada em Heroes, série de grande sucesso em 2006. Heroes era uma grande fantasia, que tratava da vida de seres humanos com poderes especiais, algo que funcionava muito bem em um seriado americano, era fascinante e virou um grande vício na época. A qualidade, obviamente, era muito superior a da novela da Record, ainda assim, Tiago Santiago teve grande êxito com sua Caminhos do Coração.

Esse ano temos um caso mais curioso, pois existem três possibilidades. Ou a série foi inspirada na novela, ou foi uma grande coincidência, ou nosso autor foi mais esperto que os demais e lançou sua novela antes do seriado. Trata-se de Império, trama das 21h de Aguinaldo Silva, em 2014. Na história brasileira, o protagonista é um homem rude de origem humilde, que enriqueceu com o contrabando de pedras preciosas, criando assim uma rede de joalherias, a Império das Jóias. O Comendador, como é chamado José Alfredo, tem 3 filhos, dois homens e uma mulher, e quer que eles briguem entre si pelo comando da empresa. O comendador tem uma ex-mulher poderosa e uma amante. Empire, que estreou esse ano, tem um enredo muito parecido e conta a história de Lucious Lyon, dono de uma gravadora de discos de hip-hop chamada Empire Entertaiment. Também de origem pobre, criado na periferia, enriqueceu com tráfico de drogas. Tem 3 filhos, todos homens e quer que eles briguem entre si pelo comando da gravadora. Também possui uma namorada e uma ex-mulher muito poderosa. É um anti-herói tal e qual o protagonista da novela de Aguinaldo. Mas será possível que o autor já conhecesse a história de Empire antes de sua estreia oficial? Se não conhecia, a coincidência entre os dois plots é mesmo impressionante.

Acredito que o fascínio pelos seriados gringos se deva à sua forma narrativa. Estão lá todos os elementos de um folhetim diário brasileiro, porém mais ágil, semanal e com números de episódios bem menor, o que instiga o telespectador a querer sempre mais. Por outro lado, nem todos os seriados tem fôlego para muitas temporadas. Nestes casos, a empolgação dos fãs acaba diminuindo e, às vezes, rola até uma torcida pra que a série seja encerrada. Vide Revenge, que em seu auge, não só arrebatou milhões de fãs, mas levou para a frente da televisão às 21h, esses e mais uma horda deles hipnotizados por Avenida Brasil. Um caso clássico das qualidades de seriado americano aliado à boa e velha novela, que superou a história na qual se inspirou. Pois Avenida Brasil, em seus 7 meses no ar, conseguiu manter o interesse do público e chegar ao fim com alta audiência, até hoje sendo lembrada como a melhor novela do horário dos últimos 10 anos. Já Revenge tentou se estender por algumas temporadas, mas após a terceira, não havia muito mais o que contar. O seriado cansou o público que o acompanhava e acabou sendo cancelado antes do previsto, em sua quarta temporada. Pois é, a TV americana, às vezes, também erra na dose.

Uma boa dica para arrebanhar fãs ardorosos de novelas como antigamente, além de uma boa história, obviamente, seria diminuir o número de capítulos, que hoje é a principal reclamação dos novelistas, pois assim é possível fazer uma novela mais condensada, consistente, ágil e envolvente, como são os seriados. Formato que a Rede Globo tem se aventurado a produzir nos últimos anos, algumas vezes com eventual sucesso. Foi o caso de Força-Tarefa e, mais recentemente, Dupla Identidade e Amorteamo. Mas o produto principal da casa são mesmo as novelas, não adianta muito fugir disso. Então, por melhor que seja um seriado brasileiro, dificilmente superará a audiência de uma telenovela. Sendo assim, uma brincadeira que adoro fazer é imaginar que autores brasileiros poderiam escrever uma versão das minhas séries preferidas.

Dessa forma, The Fosters, que narra a história de duas mães com 4 filhos adotivos e um biológico e seus dramas familiares e comportamentais, ficaria ótima nas mãos de Manoel Carlos ou Lícia Manzo. Autores que escrevem com maestria e grande sensibilidade sobre dramas cotidianos, como os sucessos Laços de Família A Vida da Gente. Outro seriado com a mesma pegada, que poderia ser adaptado por qualquer um dos dois, seria Brothers and Sisters.

Tiago Santiago, antes de tornar-se autor titular na Record, colaborou em muitos trabalhos com Antonio Calmon, um mestre em novelas de fantasia. Por isso, ousadamente, ele escreveu Caminhos do Coração, que deu sim uma boa audiência para a Record, mas ficou muito aquém do que poderia ser se fosse produzida pela Vênus Platinada. Pelas mãos de Antonio Calmon, criador da inesquecível Vamp, uma versão tupiniquim de Sense8 seria luxo. 

Glória Perez, que adora um merchandising social, poderia adaptar Transparent. Sílvio de Abreu, que é ótimo em comédia, mas já fez bons suspenses, ficaria com Scandal e HTGAWM. Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari arrasariam com uma versão brasileira de Ugly Betty, pois além de serem ótimos em remakes, sabem dosar bem drama e comédia. Num cenário de ambição, glamour e intrigas, Gilberto Braga se daria bem com House Of Cards ou Damages. Uma versão de Glee, no lugar de Malhação, também seria uma ótima pedida, de preferência escrita por Emanuel Jacobina, que fez as temporadas mais legais da novelinha teen.

E assim, meu povo, eu finalizo aqui, deixando pra vocês pensarem em outras adaptações por autores brasileiros. E também, quem estiver a fim, for fã e quiser brincar comigo, deixar nos comentários sugestões de elenco para The Forters Sense8 no Brasil. Eu não consegui pensar em nada legal até o momento, mas vou pensar e formar uns elencos bem legais. Se vocês forem participativos, posto nos comentários.

E não esqueçam, encher a boca pra menosprezar nossas novelas e se achar o máximo porque é fãzinho de seriados americanos é babaquice!

Beijos e comentem, vai ser divertido!  

Leia Também:
Leandro Faria  
Esdras Bailone, nosso colunista oficial do Barba Feita aos sábados, é leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
FacebookTwitter


Nenhum comentário: