sexta-feira, 31 de julho de 2015

Sobre Aquele Frio na Barriga (ou Começos e Recomeços)




Encarar o novo sempre me deixou extremamente aterrorizado. Antes eu fugia, depois, quando era obrigado a fazer isso, não sabia como proceder; após um tempo, aceitei. Hoje posso dizer que não me sinto mais assim. Um pouco ansioso, mas não nervoso a ponto de fugir. Se precisa acontecer, algum começo há de se ter e que seja logo, quanto antes melhor. Talvez o não saber onde se está pisando, o medo de errar, de não ser aceito, de não poder corresponder ao que me foi pedido. O medo não é algo ruim quando você o aceita e o enfrenta. Mas até entender isso leva-se um bom tempo. 

E tempo foi o que eu mais tive para desperdiçar. Agora eu sei disso. Entretanto, o mesmo senhor cruel e justo tempo também pode estar ao meu favor, porque a gente aprende a respeitá-lo e, de alguma forma eu consegui entender e aprender com meus erros. Ainda falta muito, mas eu sei o que quero e como começar e recomeçar. Eu encontrei um foco, um propósito em minha vida, basta não sair mais dele. E começos podem ser difíceis, mas se forem necessários não se pode fugir deles. É como um reboot, de repente temos a oportunidade e não será por temor a isto que iremos jogá-la fora. Quantas outras virão? Eu sei bem do que estou falando, sou mestre nisso, joguei tantas no lixo, mas agora estou indo atrás de cada uma delas. Recomeços. 

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Em Busca do Príncipe Encantado




Era um vez um menino que acreditava em contos de fadas. Ele tinha certeza que um dia encontraria seu príncipe encantado e que juntos viveriam felizes para sempre. 

Depois de um primeiro beijo digno de final de filme da Disney, onde o tempo parou e os pássaros cantaram ao fundo, ele teve certeza que o “felizes para sempre” não era somente uma fantasia. Ele havia encontrado seu príncipe encantado. Mas, enquanto esperava os créditos preencherem a tela de sua vida, nosso herói percebeu que o tempo continuava a passar. Antes mesmo de comemorar seu primeiro verão juntos, o príncipe se transformou em um sapo e aquela linda história de amor se mostrou mais uma adaptação adolescente de Ligações Perigosas. Com grandes esperanças vêm grandes decepões. Desiludido e perdido pelos caminhos da floresta, nosso herói continuava em busca do seu princípe. Aquele que lhe mostraria como é belo este mundo. 

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Ratos, Humanos e Outros Animais




Essa semana eu matei um rato. Pode parecer uma coisa tão imbecil, mas foi a primeira vez que eu tirei a vida de um animal de sangue quente. Pode parecer ainda mais imbecil por pensar dessa forma, mas fui dormir incrivelmente perturbado pelo feito. Foi necessário, pois ele invadiu a minha casa, poderia atacar os bananas dos meus cachorros e gatos que estavam doidos para irem conhecê-lo, poderia transmitir doenças, etc. Mas foi estranho... matar.

Muitos anos atrás, quando tinha um sítio na roça, em Itaboraí, lembro de ter me deparado com um sapo enorme. No meio da minha adolescência, dei uma enxadada nele em cheio e o batráquio foi pras cucuias. Fui comentar o heroico feito com a minha mãe, a pessoa que eu conheço que mais tem pânico de sapos, pererecas, rãs e afins, e ela (já repararam como ela é figurinha fácil aqui nas minhas colunas com seus ensinamentos?) me repreendeu, questionando qual a necessidade de tirar a vida do bicho que não fez nada comigo. No máximo, bastava afugentá-lo.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Eu Vi Um Grilo em Wayward Pines




"Não há grilos em Wayward Pines."
Essa é a frase mais emblemática, na minha opinião, da série de TV, que é um thriller excelente, e a qual leva o mesmo nome de sua cidade ficcional, Wayward Pines. A frase foi proferida num dos primeiros episódios da série e assume, claramente, a existência de um mistério rondando a pequena cidade. Entretanto, para mim, a cidade trouxe um mistério extra (longe de mim querer protagonizar uma causa em que não sofro diretamente, entretanto, se pude perceber o que percebi, acho válido ressaltar, ainda, é mais importante lembrar que o texto tem como foco maior a negligência da mídia e da arte). Assim, tal como Beverly escreveu a frase citada no verso de uma comanda de bar, cá escrevo a frase que desvela a sensação conspiratória que sinto:
"Não há negros em Wayward Pines."

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Quadrilha Pós-Moderna




Heleninha se depilou, tomou aquele banho demorado, se perfumou e escolheu uma lingerie bem provocante. Enquanto isso, no mesmo banheiro, Augusto fazia a barba. 

-Nervosa, Heleninha? 
-Um pouco só… Mas vai ser bom! Eu acho! Espero, na verdade! 
-Calma, Heleninha! Vai dar tudo certo! Tudo foi acertado. 

domingo, 26 de julho de 2015

Mas, Afinal, O Que Queremos da Vida?




É muito engraçada a vida, não é? Sempre me deparo com perguntas infindáveis e intermináveis sobre a vida e,  para ser sincero, sempre me questiono por ações passadas, atitudes não feitas e o que aquilo poderia ter interferido no rumo da minha vida. Isto é, se tivesse feito as coisas de modo diferente, quais seriam os resultados? 

Uma outra questão que me assola a quase todo instante é o rumo que minha vida está tomando? E creio que essa dúvida não é uma exclusividade minha. Acredito que tudo tem um propósito, um objetivo e quero acreditar que tudo vai valer a pena no futuro, mas me atormenta de vez em quando os planos traçados num passado não tão longínquo assim em que tinha metas e objetivos que foram esquecidos ou dinamitados nas areias do tempo. Ou isso ocorreu somente comigo? Te pergunto, meu caro e minha cara que lê este relato, você já teve essa sensação de tempo perdido? De energia desgastada e, ainda mais, incerteza total sobre as suas ações e sobre seu futuro? 

sábado, 25 de julho de 2015

Das Coisas Que Me Irritam no Facebook





Não tenho Instagram, nem Twitter, nem Tumblr, Snapchat e nunca fiz um Vlog. Demorei à instalar o WhatsApp. Fiz Skype muito depois que ele deixou de ser novidade. A profusão de redes sociais e formas de se comunicar online se prolifera de um jeito que eu não consigo acompanhar à medida que vão surgindo e, sinceramente, não faço a menor questão. 

Eu gosto é de escrever. Por isso mantenho essa paixão acesa por aqui e em outros dois blogs. E gosto também do Facebook, acho a rede social mais legal. Nela, posso fazer tudo o que foi desmembrado pelas outras: me comunico com amigos de perto e de longe, bato papo inbox, compartilho fotos, divulgo as postagens dos blogs e tudo que acho interessante, além de poder me expressar com 140 caracteres ou 1400. Tento ser comedido, não postar muita bobagem, nem ser exibicionista demais. 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Sobre Homens (ou Sobre Cordeiros e Lobos)




Recentemente vi um comentário de um rapaz no Facebook indignado com o fato dos homens hoje usarem coque. Estava o moço irritado pelo fato de que, segundo ele, “os homens estão a perder sua masculinidade” e defendia que “os homens fossem homens”

Primeiro, o post dele repleto de preconceitos. Desde quando um homem usar coque deixa de ser homem? Se tem uma coisa que aprendi desde criança é que não existe essa história de coisa de homem ou coisa de mulher a não ser menstruação e gravidez, entretanto, desde quando a sexualidade está numa cor? Ou num coque? Menos, bem menos. 

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Gorda



"Uma cultura fixada na magreza feminina não representa uma obsessão por beleza feminina, mas uma obsessão pela obediência feminina. Dietas são o sedativo político mais potente na história das mulheres; uma população silenciosamente maluca é uma população manipulável." (Naomi Klein - O Mito da Beleza) 
Gorda. A palavra da minha vida. Não pelo que me diz o meu peso de balança, que vem flutuando violentamente desde que consigo lembrar. Não pelo que me dizem os outros, que de uma forma geral tendem a me dispensar mais delicadeza do que dispenso a mim mesma. "Gorda" é como eu mesma me chamo desde que aprendi o significado da palavra. Gorda é como eu me definia aos 10 anos de idade, quando era a única das minhas amigas que não usava biquíni de lacinho porque meus culotes iam invadir o mundo. Gorda era como eu me definia aos 14, quando a Avril Lavigne (!) era meu ícone de beleza e realisticamente caberiam umas três dela dentro de mim. Gorda era como eu ainda me definia aos 21, mesmo depois de perder 15 quilos às custas do meu amor por carboidratos refinados, do meu orgulho, e da minha sanidade mental. Gorda é como eu, contra todo o bom senso e a consciência que demorei anos para desenvolver, me defino hoje, aos 25, propagandeando amor próprio e positividade corporal enquanto luto para aceitar minha pressão gravitacional. Gorda é como eu me sinto quando vou para uma dessas festas cariocas de gente que acontece, quando corro de shortinho curto, quando vejo alguma foto tirada sem que eu tenha tempo de posar do jeito certo. Gordura me impede de ter date na praia, de sair na frente em foto de grupo, de tentar aparecer na televisão. Sucessos vêm e vão, mas um fracasso permanece. Gorda. 

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Afinal, o Que Quer a Novinha Avistada no Grau?




Não sou um profundo conhecedor de funks, em especial os que trazem algum tipo de obscenidade explícita, como o que o título da coluna de hoje se refere. Só tomei conhecimento dele quando houve aqueles três dias de estouro do Dubsmash: pipocaram alguns vídeos, não menos obscenos do que a letra, para a dublagem amadora à qual o aplicativo se propõe. Uma delas, inclusive, foi motivo para um assassinato: um homem filmado transando no celular de sua parceira foi encontrado morto, aparentemente porque ela seria casada e seu pai não gostou da exposição de sua figura na internet.

Não precisa conhecer a fundo as letras de funks com obscenidades para saber que a grande maioria é permeada por machismo; mesmo aquelas que se travestem de humor desinteressado ou de manifesto girl power. E se fazem tanto sucesso, principalmente nas camadas mais populares do país (essas, sim, o verdadeiro retrato do nosso país, não as que ouvem Caetano ou Lenine), é porque é uma realidade nossa. Tão real quando uma “novinha” que pode ter ficado “no grau” e ter sido avistada por alguém.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Hora de Aventura (ou Uma Conversa Sobre Gêneros)





Uma das animações seriadas de maior sucesso atualmente é Hora de Aventura. Eu mesmo já vi todos os episódios e todas as temporadas exibidas (e estou ansioso pela próxima), tenho miniaturas e até uma pelúcia do Rei Gelado, uma das personagens secundárias mais amadas. E esse seriado animado traz algo muito bacana em meio à sua trama. O já citado Rei Gelado é autor de um Fanzine, história em quadrinhos feita por um fã desse gênero textual por puro prazer. Nesse fanzine, todo o universo apresentado na série tem gêneros trocados; obviamente, as personagens masculinas se tornam femininas e as personagens femininas, masculinas. E as crianças - e vários adultos fãs da série - adoram! Compreendem que é um universo diferente do que elas estão acostumadas e que nesse universo o Finn - o herói da série - não é mais Finn, é Fiona. Logo, assim a chamam, compreendem também que Fiona sempre fora mulher, embora sua base inicial tenha sido Finn. Além disso, compreendem que Fiona, uma garota, tem tanta força, garra, heroísmo e sonhos quanto tem Finn. 

segunda-feira, 20 de julho de 2015

O Tempo, a Vida e Três Grandes Amigos




Nessa semana eu completo 34 anos. Eu, que contava os dias para que o ano 2.000 chegasse (e com ele os meus 18 anos), já cruzei a casa dos 30, me aproximando do corte que vai me deixar mais próximo dos 40 do que dos 20 e poucos tantos. E nesse período de reflexão que antecede a data do meu aniversário, tenho pensado nos meus amigos e na importância de cada um deles na minha vida. Porque eu acho realmente que posso me considerar privilegiado, uma vez que com o passar do tempo, a minha lista de queridos tem até aumentado, mas aqueles que estão nela há bastante tempo permanecem comigo de maneira inequívoca e imprescindível.

E amizade, pra mim, é o tipo de relacionamento mais sublime que existe. Afinal, você se permitir conhecer alguém e fazer parte da vida dela é algo tão natural e simples em alguns casos, que pode eclipsar o que realmente significa se doar de forma que o outro passe a fazer parte de você, algumas vezes mais intensamente que uma relação familiar, por exemplo.

domingo, 19 de julho de 2015

Quase Pretensiosos





Esses dias entrei em uma discussão com uns amigos sobre o filme Quase Famosos, que é um dos meus filmes favoritos desde que assisti pela primeira vez, na época em que eu ainda era um adolescente fascinado com a possibilidade de um dia me tornar jornalista – vontade que virou convicção no dia em que aquele avião fez um pouso forçado no rio Hudson, e que virou incerteza um tempo depois, e que acabou sendo vendida e substituída pelo mundo do luxo e do glamour proporcionado pela publicidade (HÁ!). 

É um filme sobre música. Não muito verídico, admito, mesmo que seja baseado nas experiências de vida do Cameron Crowe; é bem inacreditável dizer que uma Rolling Stone contrataria um adolescente inexperiente para sair em turnê com uma banda, mas voltaremos a isso mais tarde. 

sábado, 18 de julho de 2015

Utopia




Há meses aquela vontade lhe rondava os pensamentos. Já não era mais um garoto. Estava na casa dos trinta. Não tinha uma vida sexual ativa e, pra piorar, não conseguia fazer sexo casual. Não tinha cabeça nem traquejo pra “sair à caça”. Odiava saunas. Estava fora do peso e se sentia completamente ridículo desfilando de sunga ou roupão em meio a um monte de homens sarados. Cabines eram impensáveis, jamais teria coragem de entrar em um ambiente com o único intuito de fazer sexo. Era totalmente travado. Tinha vergonha de tudo. De parecer promíscuo, vulgar, compulsivo. Acabava, por fim, ficando sem sexo por longos períodos.

Vez ou outra, quando não suportava mais o prazer solitário, procurava alguém nos aplicativos. Era tudo mecânico e sem emoção. Ele nunca estava na mesma sintonia do outro, que estava à disposição apenas para aquela trepada e depois, adeus. Sentia-se carente. Era romântico. Queria conhecer a pessoa, conversar, tomar um drink. Daí, depois de um mínimo de envolvimento, transariam com ardor e quem sabe, conversariam mais um pouco depois, e rolaria algo mais. Parecia tão simples. Por que era tão difícil? Após mais uma sessão frustrante de sexo sem compromisso, outro longo período sem sexo. E sem compromisso.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Sobre Meninos (ou Como Conheci os Meus Meninos)





Sempre gostei de meninos. Mas sempre me dei bem com meninas, sempre gostei de estar com elas, apenas estar, que fique claro, mas era porque nunca conseguia encontrar nos meninos que conhecia assuntos em comum; eles só falavam de futebol ou outras coisas que eu nada conhecia. Mas o tempo sempre surge para conspirar ao nosso favor. 

Conheci o Leco quando ele assinava como Autor e se identificava apenas com a foto de um sorriso arrebatador e uma barba por fazer que desmanchava qualquer pessoa mais afoita. Coisa que eu sempre fui. Muitas conversas no MSN depois, eis Leco aqui no Recife e eu não podia acreditar que estava abraçando aquele que já havia se tornado um dos meus melhores amigos. Estive presente em vários momentos de sua vida, e espero estar sempre. Leco é diferente de mim, ele é leonino, aperta a tecla do foda-se facilmente. Eu penso mais, ele reclama disso; acho que penso demais, ele está certo. 

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Hay Que Endurecer, Pero...





Possuo algumas boas habilidades nessa vida. Levo certo jeito com palavras, minha voz é até decente acompanhando um violão e, independentemente do aparato utilizado, sempre acerto a quantidade do pó de café. Possuo tantos outros defeitos, desde a absoluta falta de coordenação dos membros superiores ao riso descontrolado em situações de tensão. Aos poucos vou aprendendo a coordenar a minha vida, e os anos vêm me ensinando, ainda que aos trancos e barrancos, a entender que o mau pode conviver com o bom. Eu não mudaria muito em mim, nem mesmo os meus bracinhos roliços ou a baba excessiva durante a noite, mas tenho um pedacinho de mim que só me causa transtornos. Mais que perder uns quilos ou aprender aquilo de assoviar com os dedos, se eu pudesse ter um desejo da fada-madrinha da vida, eu queria o dom de me magoar um pouco menos com as pessoas. 

A ideia aqui não é me fazer de vítima das circunstâncias. Não sou nenhuma coitada, nem acredito que eu seja alvo de mais rejeição ou crueldade que o ser humano médio. Minhas desilusões amorosas foram poucas - sendo a mais grave por motivos fora de nosso controle; minha família, embora razoavelmente disfuncional, me apoia em todas as minhas decisões, por mais que sejam idiotas. Com o risco de soar terrivelmente clichê, o problema não são os outros, sou eu. Assim como tantas outras pessoas maravilhosas-porém-fadadas-ao-sofrimento-eterno que conheço, tenho uma qualidade incorrigível, que me acompanha desde que me entendo por gente: tudo que pega, dói. Minha fachada engana por aproximados dois segundos - uns dedos de conversa e três copos de Original e todo mundo saca qual é a minha. Magoo fácil, choro por tudo, acuso o golpe. Piercing não dói, tatuagem não dói, depilação não dói. Nada nesse mundo, por mais afiado que seja, consegue machucar mais que gente. 

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Hora de Celebrar a Vida




1984. Duas irmãs dão à luz a dois bebês, num intervalo de tempo de menos de um mês e meio. Foram duas gravidezes tranquilas, as primeiras das respectivas mães, que haviam casado no mesmo dia com seus noivos, levadas ao altar cada uma por um braço do pai da família, no ano anterior. As crianças se chamavam Marcela e Paulo Henrique. Desde muito cedo, eram grudados. As primeiras fotos dos bebês denunciavam isso: Marcela vivia mordendo o pequeno Paulo Henrique, que chorava como um banana. Estudaram na mesma sala no Jardim de Infância. Chegaram a se dizer namoradinhos e a terem fotos dando bitoca lá pelos três anos. Depois, junto com seus irmãos e outros primos, formavam um grupo barulhento e unido. Os dois tiveram até projeto de escreverem um livro juntos e de um programete de rádio na adolescência.

A maturidade levou muito dessa relação, principalmente porque Marcela casou-se relativamente nova. Mas primos sempre seriam e sempre mantiveram o carinho mútuo. Marcela teve sua primogênita, Maria Eduarda, a primeira bisneta do grupo. E há pouco tempo, quando já havia chegado a um consenso com o seu marido de que não teriam mais filhos, descobriu-se grávida novamente. Diante da surpresa, preferiu mantê-la durante os nove meses: o sexo da criança foi suspense durante toda a gestação. Marcela optou por parto normal – já havia se tornado uma defensora e militante da prática antes mesmo de descobrir que esperava o segundo bebê. E no dia 22 de junho, nasceu Juliana.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Como Se Conta Uma Mentira




Eu ando vendo muita gente mentindo. Pra mim, pro amigo, pra namorada, pro patrão, pra mãe, pai, papagaio, enfim, muita gente mentindo. Só essa semana já levei duas mentiras. E não me venha com esse papo de mentira pequena ou grande, porque isso não existe, mentira não tem tamanho. 

Agora, se tem uma coisa que me irrita tanto quanto o fato de a pessoa ter mentido pra mim, é a mentira ser mal contada, mal elaborada. Aí não, aí é abusar da minha inteligência, sério mesmo. Porque prova que a pessoa é muito estúpida e não sabe contar mentira direito. Então eu, Glauco Damasceno, vim aqui fazer um tutorial de como se conta uma mentira. Faz tempo que eu não conto uma, mas é que nem andar de bicicleta, a gente nunca esquece. Prontos? Caneta e papel na mão? Vamos lá!

segunda-feira, 13 de julho de 2015

A Dor e os Aprendizados




Muito já se escreveu sobre a dor e suas causas. E quem de nós nunca sofreu por amor? 

Amor! Eita bichinho que machuca, não? Todos temos marcas desse danadinho. Feridas que muitas vezes não se fecham completamente. Ou, às vezes, a gente pensa que já fechou, que tudo foi curado, mas naquela hora da carência nos pegamos com elas latejando. Mas, na real, o que seria do mundo sem a dor de cotovelo, sem as feridas de amor, sem todo o drama? 

Quer fazer um teste? Sintonize em alguma estação de rádio agora. Achou alguma? Preste atenção na música que está tocando nesse momento. Tenho CERTEZA que ela fala de dor de cotovelo! Não tem jeito! As feridas de amor, a dor de cotovelo, os amores mal resolvidos, tudo isso é combustível para as artes. Todo poeta é um sofredor, todo compositor tem dor de corno, todo autor já viveu (ou imaginou) um amor impossível. E ainda bem que é assim. 

domingo, 12 de julho de 2015

Humanidade e Outros Pensamentos Aleatórios




Há um tempo eu escrevi uma coluna aqui para o Barba Feita, onde discorri sobre as redes sociais e a nossa aparente alienação coletiva, visto estarmos sempre conectados aos nossos mundos particulares, presos em nossas vidas digitais e pouco nos envolvendo com a sociedade à nossa volta. E hoje, voltando a esse espaço, quero discorrer sobre um tema que tem relação com o outro que já escrevi. E começo meu texto com uma pergunta: ainda existe amor na selva de pedra? 

Vamos por partes, o amor a que me refiro na pergunta, não é apenas o amor carnal, ou seja, o amor de amantes, um amor de relacionamentos. Quero me referir ao amor fraternal, o amor de irmão, o amor de amizade, ou simplesmente o amor à vida, o amor aos seus semelhantes. Dito isso, explico onde quero chegar: é simples, vivemos hoje em uma sociedade cada vez mais independente e agitada, onde o tempo é dinheiro, onde temos que cumprir metas e prazos constantemente, onde a busca por um lugar ao sol nos transforma em competidores assíduos de uma rotina louca e,   por que não, insana, onde buscamos os mais altos lugares de prestígios a qualquer custo. Mas, se pararmos para pensar, vale a pena toda essa loucura? Sei que só buscamos o melhor para nós, porém, não estamos deixando de viver e aproveitar o que realmente importa? 

sábado, 11 de julho de 2015

Pessoas Que Ficam Pelo Caminho




Às vezes na vida, é inevitável deixar pra trás pessoas queridas. Quem viveu muito, sabe disso. Quem viajou bastante, conheceu pessoas diversas, viveu a vida intensamente e se entregou a cada momento com paixão, entende que, embora a vontade seja genuína, manter todos os amigos que semeamos pela vida afora é quase uma utopia. Amizades, como plantas, não basta semear, necessita-se o cultivo, que com a transitoriedade da vida incorporada num espírito inquieto, torna-se tarefa árdua. Nem todos estão dispostos pra essa batalha cotidiana. Muito poucos estão. 

Então, o tempo vai passando, vamos avançando em idade, fica mais difícil travar novas amizades. Temos meia dúzia de amigos (se tivermos muita sorte) que fazem parte do nosso dia-a-dia, mas de vez em quando bate uma nostalgia do passado, daquele alguém super especial que fez parte de uma fase da nossa vida, às vezes menos do que isso, apenas de um pequeno momento. Mas ficou marcado na mente e no coração de forma tão indelével, que você não entende o por que de não ter perdurado. E surgem questionamentos como "por onde anda?", "por que perdemos contato?", "o que terá sido feito desse alguém?". 

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Sobre Vitórias e Derrotas




Nunca gostei de futebol, nem de jogar, nem tampouco ver. Quer dizer, houve uma época que eu até assistia aos jogos do Brasil, uma época em que os jogadores estavam realmente interessados em defender as cores do país e não seus bolsos. Com o passar do tempo, os jogos me entediaram, a seleção deixou de fazer aquele futebol arte que nem sempre ganhava, mas era bonito de ver, vide a Copa de 1982, por exemplo. Hoje, mesmo que ganhe, é apenas mais uma seleção em campo, aquele Brasil que encantava o mundo inteiro não existe mais. Não somos mais o país do futebol.

Se por um lado isso me agrada, porque sempre odiei este rótulo bobo, por outro pode descaracterizar um país que transformou o futebol em sua identidade. E como o Brasil é um país que demora a aprender com os erros, pode demorar anos a entender que somos mais que isso. Entretanto, a era globalizada pode forçar essa mudança mais drasticamente. Durante anos cresci ouvindo o povo a lamentar-se por ter perdido o campeonato mundial de 1950 para o Uruguai. Parecia que o futebol precisava de alguma forma de expiar esse pecado por ter pedido aquele jogo. Quanta bobagem! Há um ano perdemos da Alemanha num placar muito mais vexatório. Barbosa, o goleiro da partida de 1950, deve estar rindo até hoje. E sentindo-se vingado, talvez.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Para Você Parar de Fugir de Mim





É assim, temos de conversar...

Depois de muito pensar, decidi abrir meu coração. Sabe, já não aguento mais. Quando tudo parece ir bem, quando tudo começa a andar, você some. E não é sumir de desaparecer que eu estou falando (no caso, escrevendo). Mas você está aí, presente, eu sei que está, mas age como se não quisesse saber. Como se não se importasse mais.

Ontem mesmo conversamos mais uma vez e tudo parecia ir tão bem. Tudo parecia andar. Senti como se finalmente saíssemos do vai não vai eterno que nos encontramos e as coisas, quem sabe, se concretizariam. Você sabe que gosto de você. Também sei, porque não sou idiota, que você gosta de mim. Mas algo, nos últimos tempos parece ter criado um tango entre nós dois. Tudo começa bem, fica harmonioso e rola um clima. Até que não dá mais certo e você se vai mais uma vez.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Sobre Majus e Matilhas




Racismo, machismo, homofobia, intolerância religiosa... Pode até parecer que dormimos numa cápsula do tempo e acordamos na Idade Média. Mas, na verdade, como há semanas venho falando nas minhas colunas aqui do Barba Feita, a única questão é que a sociedade está saindo do armário. Para o bem e para o mal. 

Majus existem aos montes por aí, mas nem todas tem a visibilidade de um Jornal Nacional. Por uma questão de melanina pode não parecer, mas meu avô paterno e uma das minhas bisavós maternas eram negros. E ouvi desde muito novo, situações, mesmo que inconscientes, de preconceito pelas quais passaram. A exposição de Maju, a mesma que causou a hostilidade recebida, foi a que lançou luz sobre um debate que, por vezes, o brasileiro acha erroneamente que está superado. 

terça-feira, 7 de julho de 2015

As Asas de Ícaro




A maioria das mulheres acharia estranho quando o primeiro desejo do marido ao sair da igreja, no dia do casamento, é ir ao cemitério. Mas, felizmente, Eva não é como a maioria das mulheres. Felizmente. 

Eu sei, faz um ano que eu não venho aqui, não é, velho? É que... Não dava mais, entende? Vir aqui, chorar em frente à sua lápide... Reclamar da vida não estava mais adiantando. Descontar nos outros não estava adiantando. Então, eu sumi. Me desculpe por isso, me desculpe. Eu não podia deixar de vir aqui hoje. Tinha que ser hoje, porque eu estava com saudades. Mesmo que você não me responda verbalmente, eu estava com saudades das nossas conversas. Seu velório foi lindo, o que é bizarro de se dizer, já que velórios antecedem o enterro das pessoas que amamos. Tinha tanta gente... A maioria apenas fingindo que se importava, fazendo média, é claro. Não faça essa cara, vai! Eu sei que, se estivesse vivo, estaria fazendo cara de quem pede pra eu não julgar as pessoas desse modo, mas você sabe que é verdade, velho. 

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Jackie Tequila




Entrou apressado, olhando para os lados, tentando imaginar como Jaqueline seria. A descrição tinha sido pra empolgar: loira, 1,80, 70 kg, busto farto, cintura fina, uma delícia! E a imagem na webcam confirmara a descrição. E agora estava ali, finalmente pronto para o primeiro encontro. 

Olhou para os lados, procurou e não a viu. Resolveu ir até o bar esperar. O garçon, todo simpático, logo puxou papo: 

domingo, 5 de julho de 2015

Somos Todos... Imbecis!





Sempre que me deparo com a hashtag #SomosTodos, eu sei que aconteceu alguma merda e estão tentando tomar as dores das vítimas nas redes sociais. A verdade é que, nem de longe, somos todos iguais. 

Desculpa, mas eu não sou a Maju. Eu não faço idéia do que é sofrer preconceito, nunca senti na pele um terço do que ela já deve ter sentido, nunca tive problemas em fazer amizades, em ser bem quista, em entrar e sair de qualquer lugar sem levar algum olhar de reprovação. Não sei o que é namorar alguém e não ser aceita pela família por causa da minha cor, não sei o que é zombarem do meu cabelo, não sei o que é ser humilhada, chamada de macaco, ouvir que entrei em algum lugar por causa de "cota do governo" e não por minha capacidade. Eu não sei o que é ser negra! 

sábado, 4 de julho de 2015

Ele Viu o Futuro Repetir o Passado



"Tudo é questão de obedecer ao instinto que o coração ensina a ter. Correr o risco, apostar num sonho de amor. O resto é sorte e azar."
No último final de semana, assisti em meio à uma impressionante multidão, ao espetáculo Cazuza - Pro Dia Nascer Feliz - O Musical. Foi tão lindo e tão emocionante, que o assunto de hoje não poderia ser outro senão esse. Assunto até bem oportuno, já que no próximo dia 07 de julho é o aniversário da morte do cantor, que nos deixou em 1990, há exatos 25 anos.

Em 1990 eu tinha nove anos e morava em uma casa sem televisão. Era a criança mais boba e ingênua que se pode imaginar, vivendo praticamente em uma redoma de vidro. Ouvia falar em Cazuza esporadicamente, mas sempre em referência à sua terrível doença. A imagem que eu tinha dele era a pior possível. As pouquíssimas vezes que ouvia meus pais falando algo sobre ele, era sempre algum comentário sobre o horror da doença que ele tinha e que era uma punição por ser alguém tão imundo.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Sobre Algumas Resoluções (ou Mais Um Texto de Sexta-Feira)







Sexta-Feira.

Para muita gente, hoje é aquele dia aguardado que prenuncia o fim de semana merecido a todos que labutaram. Para mim, é apenas mais um dia das minhas férias acadêmicas. Julho nunca foi um mês que eu gostasse muito. Costumava adoecer bastante com a mudança do clima, ora chuvoso, ora abafado, ora as duas coisas. Mas como eu dizia para mim, a sexta-feira, por enquanto, é apenas um dia, mas sempre o começo de algo; bem ou mal, começar sempre faz bem. As crises de ansiedade persistem, sempre existiram, aliás, são parte de mim, não que elas me tornm uma pessoa melhor, claro e eu gostaria de viver sem elas. Lembro que gostaria de ter sido mais honesto com minha última psicóloga, não que tenha mentido, não, não foi isso, mas ainda tenho uma certa dificuldade em conversar determinados assuntos com o sexo oposto. É isso, eu deveria ter resolvido lá, mas não é algo que me impeça de crescer. Saí das sessões com ideias bem definidas e, com certeza, para ela não havia mais onde avançar comigo.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

'Seje Menas' e Melhore!





Tinha decidido escrever sobre a parcela de gays que acharam a troca de fotos de perfil no Facebook – ocorrida no último final de semana –, uma tremenda bobagem. Uma modinha. Um mimimi desnecessário. Como se comemorar uma vitória, vinda de outro país que não seja o nosso, fosse algo... Ridículo. Mas, heim?

Particularmente, comemoro qualquer vitória que seja de inclusão. Seja nos Estados Unidos, que reconhece o casamento entre pessoas do mesmo sexo, seja em Moçambique que deixou de criminalizar as relações entre pessoas do mesmo sexo. Gays, Bissexuais, Trans. Fico feliz por cada conquista que venha para todos nós. Assim como espero que lá nos outros países, também fiquem contentes da mesma maneira pelo Brasil reconhecer, desde 2013, da união de pessoas do mesmo sexo. Ficar feliz não é crime. Ficar feliz por alguém não é modinha ou mimimi. Ficar feliz pela conquista de alguém é ser altruísta. É não olhar para a porra do próprio umbigo e perceber que o que te faz feliz não são só as atitudes que fazem você lucrar alguma coisa. Pare de ser egoísta. Pare de se achar superior. Você não é.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Celebremos o Orgulho





Junho, o mês do Orgulho LGBT, se foi, mas algumas de suas conquistas ainda hão de ecoar por muito tempo. A mais notória delas, o reconhecimento da Suprema Corte dos Estados Unidos na última sexta-feira (26), de que as relações entre pessoas do mesmo sexo também têm o direito de se converterem em matrimônio – assunto explorado pelo meu cunhado, como colunista convidado, no domingo passado. Nesse mesmo domingo, 28, tivemos a primeira edição da Corrida e Caminhada Rio Sem Preconceito, realizado na Praia de Copacabana, contra o racismo, machismo, homofobia, lesbofobia e transfobia, da qual eu participei junto com outras centenas de pessoas em camisetas coloridas. Foi também o mês da tradicional Parada Gay de São Paulo, uma das maiores do mundo, que também estendeu as cores do arco-íris por toda a Avenida Paulista.

Colorido, aliás, que também permeou o Facebook, maior rede social do mundo, após a decisão da Corte americana. Sim, concordo que é péssimo gozar com o arco-íris alheio; que a união estável com status de casamento existe no Brasil desde 2011 (eu mesmo sou um beneficiário dela) e podendo ser convertida em casamento de fato desde 2013. Mas, infelizmente, por aqui ainda debatemos se o beijo entre duas atrizes que interpretam lésbicas na novela das 21h é prejudicial ou não à tradicional família brasileira. Ainda vemos mortes pelo simples fato de um menino ter “trejeitos femininos” e mulheres estupradas porque ser lésbica é “falta de homem”. Ainda assistimos à bancada evangélica do Congresso levarem “ex-gays e ex-travestis” e suas respectivas esposas para dizerem “eu existo” e contarem suas histórias de cura do “homossexualismo”.