quarta-feira, 1 de julho de 2015

Celebremos o Orgulho





Junho, o mês do Orgulho LGBT, se foi, mas algumas de suas conquistas ainda hão de ecoar por muito tempo. A mais notória delas, o reconhecimento da Suprema Corte dos Estados Unidos na última sexta-feira (26), de que as relações entre pessoas do mesmo sexo também têm o direito de se converterem em matrimônio – assunto explorado pelo meu cunhado, como colunista convidado, no domingo passado. Nesse mesmo domingo, 28, tivemos a primeira edição da Corrida e Caminhada Rio Sem Preconceito, realizado na Praia de Copacabana, contra o racismo, machismo, homofobia, lesbofobia e transfobia, da qual eu participei junto com outras centenas de pessoas em camisetas coloridas. Foi também o mês da tradicional Parada Gay de São Paulo, uma das maiores do mundo, que também estendeu as cores do arco-íris por toda a Avenida Paulista.

Colorido, aliás, que também permeou o Facebook, maior rede social do mundo, após a decisão da Corte americana. Sim, concordo que é péssimo gozar com o arco-íris alheio; que a união estável com status de casamento existe no Brasil desde 2011 (eu mesmo sou um beneficiário dela) e podendo ser convertida em casamento de fato desde 2013. Mas, infelizmente, por aqui ainda debatemos se o beijo entre duas atrizes que interpretam lésbicas na novela das 21h é prejudicial ou não à tradicional família brasileira. Ainda vemos mortes pelo simples fato de um menino ter “trejeitos femininos” e mulheres estupradas porque ser lésbica é “falta de homem”. Ainda assistimos à bancada evangélica do Congresso levarem “ex-gays e ex-travestis” e suas respectivas esposas para dizerem “eu existo” e contarem suas histórias de cura do “homossexualismo”.

Mas a onda colorida de sexta passada foi muito mais do que uma simples modinha. Admito, demorei um pouco a mudar a minha foto do perfil no Facebook por achar que não fazia sentido aderir a algo tão distante. Até o momento em que percebi que não é distante – a nação mais influenciadora entre todas do planeta dava um passo importantíssimo para o direito ao ser humano. Nação essa também predominantemente cristã (ou se esquecem que até nas notas de dólar há escrito In God We Trust?), fortemente protestante, mas alguns anos-luz à frente na questão do respeito às individualidades e às igualdades perante a Lei.

O Facebook e seu criador, na verdade, foram muito dos espertos. A instituição sempre deixou explícito apoiar a causa LGBT. Também sempre fez doações a campanas humanitárias. Mas foi a primeira vez que viu um verdadeiro movimento em massa por uma causa – e com isso, se torna mais possível direcionar suas publicidades e links patrocinados, entendendo quem adere ou não ao assunto.

Somente no Brasil, mais de 630 mil pessoas mudaram as suas fotos do perfil com o app Celebrate Pride. No mundo todo, foram mais de 26 milhões de usuários (o equivalente à população inteira de países como Arábia Saudita e Gana, extremamente homofóbicos e que criminalizam a homossexualidade). É uma pequena parte, se comparado aos mais de 1 bilhão de perfis ativos na rede social. Mas é um imenso passo no apoio à causa. Como eu venho dizendo nas minhas últimas colunas, aos poucos, o mundo sai do armário e mostra a sua posição a favor ou contra.

Se fosse alguns anos atrás, quantos teriam feito o mesmo que fizeram agora? Temos mais é que comemorar mesmo. Como dizia uma música que bombava nas pistas na época em que eu descobri a minha homossexualidade: 
I got my pride. And no one’s gonna take it away.”
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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor do livro Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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