quinta-feira, 30 de julho de 2015

Em Busca do Príncipe Encantado




Era um vez um menino que acreditava em contos de fadas. Ele tinha certeza que um dia encontraria seu príncipe encantado e que juntos viveriam felizes para sempre. 

Depois de um primeiro beijo digno de final de filme da Disney, onde o tempo parou e os pássaros cantaram ao fundo, ele teve certeza que o “felizes para sempre” não era somente uma fantasia. Ele havia encontrado seu príncipe encantado. Mas, enquanto esperava os créditos preencherem a tela de sua vida, nosso herói percebeu que o tempo continuava a passar. Antes mesmo de comemorar seu primeiro verão juntos, o príncipe se transformou em um sapo e aquela linda história de amor se mostrou mais uma adaptação adolescente de Ligações Perigosas. Com grandes esperanças vêm grandes decepões. Desiludido e perdido pelos caminhos da floresta, nosso herói continuava em busca do seu princípe. Aquele que lhe mostraria como é belo este mundo. 

Os anos se passaram, outros príncipes surgiram com seus cavalos brancos e, tal como Príncipe Hans, esperaram o momento certo para assumir seu papel real, as ilusões utópicas de amor verdadeiro deram lugar a relações baseadas em co-dependência, auto-destruição e abuso de poder, a vida foi desencantando aos poucos. 

Aquele menino se tornou um homem que não acredita mais em amor, apesar de manter sua alma romântica de 1ª geração intacta. A idealização do mundo, reforçada pelo primeiro amor cinematográfico, reforçaram sua natureza individualista, egocêntrica e exagerada. O herói dessa história agora é um homem solitário e triste que acredita ser o coadjuvante solteirão repleto de piadas amargas e não o protagonista de sua própria jornada. 

Não pense, entretanto, que essa história chegou ao fim. Tal como a saga da Terra Média, aos 45 do segundo tempo, quando não se esperava mais nenhuma reviravolta, eis que surge uma jornada inesperada. Prestes a completar 30 anos (do you know what that is in gay years?), nosso herói recebe um novo Chamado da Aventura e parte, com todos os seus pertences em uma malinha, para a Terra da Rainha. Uma vez mais ele estava decidido a vencer distâncias, a se encontrar e, no caminho, porque não, encontrar seu Príncipe Harry. Afinal de contas, se existe um lugar no planeta onde é possível conhecer um príncipe, esse lugar é a Inglaterra, certo? 

Decidido a encontrar sua metade britânica da laranja, ele se armou para a guerra. Grindr e Scruff sempre em mãos, não perdia nenhum dos bailes da corte, sempre pronto para viver a night to remember and never ever ever forget. Seus olhos brilhavam com todos aqueles tipos de princípe que o Reino de Londres oferecia. Loiros, morenos, carecas, cabeludos, olhos azuis, olhos verdes, magros, altos, baixinhos, parrudos… A parte difícil era encontrar um castelo com um aquário grande o suficiente onde seu olhar se cruzaria com o olhar de seu Romeu, dando início a uma paixão avassaladora. 

Olhando de perto, e sem o efeito turvo que a água oferece, ninguém era tão encantado. Aquele loiro lindo quando sorria mostrava buracos onde deveriam existir dentes. Aquele moreno sedutor exalava seu perfume barato misturado com suor de três dias sem banho. Aquele fofo de olhos azuis só queria seu corpo e aquele comédia de olhos verdes tinha a maturidade emocional de uma criança de cinco anos. O magro e alto parecia perfeito até se mostrar um psicopata bipolar. E o baixinho parrudo tinha todos os dentes, tomava banho, era engraçado, charmoso, beijava com a segurança de quem tem anos de experiência… mas não estava interessado em nada sério. Princípe jovem, cheio de oportunidades, com toda uma V1D4 L0K4 pela frente. 

Ao final das doze badaladas, nosso herói se deu conta que príncipe encantado não existe e que até mesmo em um reino repleto de príncipes, princesas e Rainhas, a maior parte dos plebeus não passam de sapos. Talvez nosso herói seja muito exigente, talvez ele precise baixar suas expectativas, talvez esses príncipes só necessitem de uns reparos, talvez ele realmente esteja destinado a viver sozinho e deva procurar seu Wilson ao invés de esperar pelo seu Eric, talvez o sábio Jack McFarland esteja errado e exista vida após os 30 para um jovem princípe gay. 

O sonho que eu sonhei há de acontecer. O castelo que eu imaginei, de verdade, um dia há de ser. 

Talvez.

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Leandro Faria  
Michael Oliveira, santista caiçara que abandonou a praia para tentar a sorte no outro lado do Atlântico. Com a maturidade, descobriu que Steven Spielberg não é Deus e que a Cultura Pop vai muito além das terras do Tio Sam. Atualmente, perdido no Reino Unido, consome tudo o que pode e, tal qual Galactus, está sempre em busca de novos universos que possam saciar essa fome eterna.
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