domingo, 12 de julho de 2015

Humanidade e Outros Pensamentos Aleatórios




Há um tempo eu escrevi uma coluna aqui para o Barba Feita, onde discorri sobre as redes sociais e a nossa aparente alienação coletiva, visto estarmos sempre conectados aos nossos mundos particulares, presos em nossas vidas digitais e pouco nos envolvendo com a sociedade à nossa volta. E hoje, voltando a esse espaço, quero discorrer sobre um tema que tem relação com o outro que já escrevi. E começo meu texto com uma pergunta: ainda existe amor na selva de pedra? 

Vamos por partes, o amor a que me refiro na pergunta, não é apenas o amor carnal, ou seja, o amor de amantes, um amor de relacionamentos. Quero me referir ao amor fraternal, o amor de irmão, o amor de amizade, ou simplesmente o amor à vida, o amor aos seus semelhantes. Dito isso, explico onde quero chegar: é simples, vivemos hoje em uma sociedade cada vez mais independente e agitada, onde o tempo é dinheiro, onde temos que cumprir metas e prazos constantemente, onde a busca por um lugar ao sol nos transforma em competidores assíduos de uma rotina louca e,   por que não, insana, onde buscamos os mais altos lugares de prestígios a qualquer custo. Mas, se pararmos para pensar, vale a pena toda essa loucura? Sei que só buscamos o melhor para nós, porém, não estamos deixando de viver e aproveitar o que realmente importa? 

Outro dia estava observando o local onde trabalho e refletindo sobre isso. Para esclarecer melhor, eu trabalho na área da saúde, e ficou claro que corremos atrás de tanta coisa, como dinheiro, prestigio social, poder e, no final, só nos resta buscarmos a saúde perdida. Gastamos tempo e energia atrás de coisas supérfluas e,   muitas vezes, não investimos esse tempo e esforço no que realmente importa, a família, os amigos, o nosso lazer, as coisas que gostamos de verdade. Estamos tão preocupados com nós mesmos, que muitas vezes deixamos de ajudar ao próximo e, não se precisa de muito para ajudar seu semelhante, às vezes, um simples gesto basta, um bom dia, um boa tarde, um boa noite, um obrigado. São essas pequenas coisas que estamos perdendo no dia a dia, que perdemos na nossa humanidade, e a nossa sociedade está deixando de praticar o bem ao seus semelhantes, é só olhar em volta que só temos notícias de desgraças, de violências, de maldade, falta respeito entre nós, falta simplesmente de amor. 

Cada um tem o direito de gostar e de fazer o que quiser com sua vida, mas não temos o direito de interferir nas escolhas alheias, temos que respeitá-las, pois com o respeito mútuo podemos ter uma sociedade de mente aberta e que possa viver em harmonia. Sei que o que estou escrevendo é algo utópico e,   infelizmente, algo que parece longe da realidade atual que vivemos. Mas pense nisso, em cada um respeitando o próximo, buscando ajudar ao outro e vivendo em harmonia, sem conflitos étnicos, religiosos, políticos e afins, teríamos o mundo ideal. 

Há pouco tempo tive que fazer meu TCC e, depois de muito discutir com a minha companheira de trabalho, optamos por realizar um projeto sobre Charles Chaplin. Eu o admirava apenas por seu excelente trabalho no cinema, entretanto, hoje sou admirador por muito mais que isso. Resumindo, Chaplin realizou inúmeros filmes de sucesso e sempre com uma mensagem implícita em cada um deles, que remete a apenas uma coisa: o "humanitarismo”. Isso ficou mais visível no seu filme de maior sucesso, O Grande Ditador, em que ele faz um discurso comovente. O filme foi lançado em 1940 mas, pasmem, alguns trechos deles continuam a fazer sentindo tantos anos depois. 
Sinto muito, mas não pretendo ser imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar a todos – se possível -, judeus, o gentio... negros... brancos.  
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos.  
Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido. 
O discurso proferido por Charles Chaplin é mais que um texto pacifista, é um verdadeiro apelo ao humanitarismo. Esses são apenas alguns trechos dele e o que quero mostrar, ao compartilhá-los com vocês, é que devemos buscar esses ideais para nossa vida, lutando para ajudar o próximo. Não buscando algo em troca, mas fazendo isso simplesmente pelo prazer de ajudar e fazer o bem, para termos um lugar melhor para viver.

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Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
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