segunda-feira, 20 de julho de 2015

O Tempo, a Vida e Três Grandes Amigos




Nessa semana eu completo 34 anos. Eu, que contava os dias para que o ano 2.000 chegasse (e com ele os meus 18 anos), já cruzei a casa dos 30, me aproximando do corte que vai me deixar mais próximo dos 40 do que dos 20 e poucos tantos. E nesse período de reflexão que antecede a data do meu aniversário, tenho pensado nos meus amigos e na importância de cada um deles na minha vida. Porque eu acho realmente que posso me considerar privilegiado, uma vez que com o passar do tempo, a minha lista de queridos tem até aumentado, mas aqueles que estão nela há bastante tempo permanecem comigo de maneira inequívoca e imprescindível.

E amizade, pra mim, é o tipo de relacionamento mais sublime que existe. Afinal, você se permitir conhecer alguém e fazer parte da vida dela é algo tão natural e simples em alguns casos, que pode eclipsar o que realmente significa se doar de forma que o outro passe a fazer parte de você, algumas vezes mais intensamente que uma relação familiar, por exemplo.


O Beto, um dos meus melhores amigos, faz aniversário exatamente uma semana antes de mim. E na última quarta-feira, quando liguei para parabenizá-lo e falávamos ao telefone, eu senti um aperto tão grande no peito devido à distância geográfica que existe entre nós, mas ao mesmo tempo tão feliz por, apesar disso, ainda termos um ao outro e sabermos da importância da nossa amizade. Porque já se vão dez anos desde que nos conhecemos e começamos a construir o que temos hoje e que, eu sei, vai continuar se desenvolvendo até sermos bem velhinhos e estivermos sentados rindo e conversando sobre todas as histórias absurdas que já vivemos juntos. E foi no momento em que conversávamos que a ideia desse texto surgiu e, vejam só a coincidência, para ser publicado exatamente hoje, no chamado "Dia do Amigo".

Junto com o Beto eu tenho outros dois melhores amigos, Ewerton e Éllerson. E o mais interessante dessa nossa amizade é que cada um vive em um estado diferente, quase não nos vemos pessoalmente, mas sabemos que o que nos une consegue suportar essa distância física e continuar a se desenvolver. É uma amizade de anos, com tantos bons momentos e histórias, que sempre que me lembro deles esboço um sorriso no rosto. Tenho outros amigos amados e especiais, é claro, mas é a amizade com esses três que fez nascer esse texto.

Ewerton foi o primeiro a entrar na minha vida. Ele me conheceu em um momento estranho, quando eu era hipócrita pra caramba e não tinha nenhum amigo que fosse como eu. Ele surgiu e, com seu jeitão descompromissado, foi me conquistando. Foram tantos momentos incríveis ao lado dele, com direito a noites de bebedeira e de choro, que ouso dizer que muito do Leandro de hoje foi moldado pela nossa amizade. Porque com o Ewerton eu aprendi que eu podia ser eu mesmo e que isso era ok e aceitável. Ele nem deve saber disso, mas foi ele que me mostrou que eu podia ser interessante e não precisava forçar uma barra para que as pessoas gostassem de mim.


Logo depois chegou o Beto. Se o Ewerton e eu já éramos uma dupla, quando ele apareceu foi pura festa. Porque, como eu costumo dizer, se Ewerton e eu somos pessoas de voltagem em 110, o Beto é ligado em 220 fulltime. É uma energia que não acaba nunca e que, acreditem, se espalha pelo ambiente. Aliado a isso, Beto é o tipo de pessoa brutalmente honesta comigo, capaz de me falar as maiores barbaridades e de me fazer refletir sobre elas sem nem cogitar ficar chateado.  Beto é o meu irmãozinho, que me enche de orgulho com suas conquistas e que me cede o ombro sempre que eu preciso de um.

Anos depois, quando nós três já tínhamos ganhado o mundo e morávamos cada um em uma cidade diferente, o Éllerson apareceu. Amigo de um amigo da internet, a nossa relação se desenvolveu e eu acabei apresentando-o aos meus outros dois melhores amigos, formando esse quadrado fraterno que se divide atualmente entre Rio, Brasília, Belo Horizonte e Campinas. E como a gente gosta de pegar no pé da Lelei. Alto e com um ar todo esnobe e paulista, a criatura é a mais amável do mundo, preocupado sempre com cada um de nós, possuindo um ar agregador adorável e que, por isso mesmo, é tão necessário nesse grupo tão díspar.

Mesmo morando cada um em um lugar, a gente se fala, a gente ri, a gente se diverte. E se encontra eventualmente, sejam todos juntos ou apenas alguns de nós. E fazemos isso no Rio, em Brasília, em BH, em Campinas, em Paris, em Londres, pelo mundo. Porque a gente se ama e, sempre que possível, a gente quer mais um do outro. Mais abraço, mais carinho, mais colo, mais gargalhadas até a barriga doer, mais histórias impróprias para o grande público e que pra gente são sempre as melhores histórias.


E é claro que a gente já quebrou o barraco, já ficou chateado um com o outro, já achou que tudo ia se acabar. Para logo depois termos a certeza de que não importa o que aconteça, as coisas vão ser sempre adoravelmente assim entre nós. Ou, pelo menos, eu gosto de ter a pretensão de achar que pelo menos entre nós quatro vai ser desse jeito. Para sempre.

Porque como diz o clichê, a gente não escolhe os amigos; os reconhece. E eu me vejo um pouquinho em cada um desses três, que são como eu e me conhecem por inteiro, no que eu tenho de melhor e pior e, mesmo assim, continuam ao meu lado nessa caminhada chamada vida. E eu os amo imensamente, porque são os irmãos que eu escolhi para mim.

Leia Também:
Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
FacebookTwitter


Nenhum comentário: