sexta-feira, 24 de julho de 2015

Sobre Homens (ou Sobre Cordeiros e Lobos)




Recentemente vi um comentário de um rapaz no Facebook indignado com o fato dos homens hoje usarem coque. Estava o moço irritado pelo fato de que, segundo ele, “os homens estão a perder sua masculinidade” e defendia que “os homens fossem homens”

Primeiro, o post dele repleto de preconceitos. Desde quando um homem usar coque deixa de ser homem? Se tem uma coisa que aprendi desde criança é que não existe essa história de coisa de homem ou coisa de mulher a não ser menstruação e gravidez, entretanto, desde quando a sexualidade está numa cor? Ou num coque? Menos, bem menos. 

Ainda fico admirado que em pleno século XXI as pessoas estejam presas a estes rótulos estapafúrdios de que homem tem que ter barba e peito peludo, que homem que se depila está se tonando feminino. Nunca ouviram Pepeu Gomes cantar que ser um homem feminino não feria seu lado masculino? É aquela velha história de ativo e passivo. O ativo é o homem e o passivo é a mulher, o ativo é quem come, o passivo é quem dá e normalmente ninguém quer assumir a passividade porque denota fragilidade. Quanta idiotice! 

A humanidade sempre buscou rotular tudo, sempre achou por bem ser binária, já falei sobre este assunto aqui. Mas ainda me assusto como as pessoas que mais deveriam lutar contra esse tipo de comportamento por sofrerem preconceito, acabem por ceder. Homens mais femininos sofrem preconceitos por parte de uma enorme camada da sociedade e, infelizmente, por muitos gays que ainda preferem o tipo sarado não afeminado discreto. Ou seja, aquele que irá viver no armário junto com ele ou aquele que ele supõe poder apresentar para os pais como um modelo de homem que os mesmos querem para o filho que jamais será. É a velha máxima de repetir o preconceito vigente. 

Não. Homens não se tornam menos homens por usarem coque, meu amigo, por usarem rabo de cavalo, por se depilarem, nem por usarem saia se assim quiserem. Homem deixa de ser homem quando, por covardia, deixa de ser o que tem vontade de ser, ou por ferir o outro. A covardia é que faz um homem deixar de ser homem e não um pequeno detalhe. 

Eu tenho a felicidade de não fazer parte de grupos que menosprezam as pessoas em detrimento de uma característica. Sempre busquei na minha vida a pluralidade. E defendo isso. 

E a minha coluna de hoje pode ser curta, mas o preconceito não. Infelizmente.

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Leandro Faria  
Serginho Tavares é um apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), da TV e da literatura. Adora escrever e é o colunista oficial do Barba Feita às sextas. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência até a praia e mantenha sempre os pés bem firmes na terra.
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