domingo, 5 de julho de 2015

Somos Todos... Imbecis!





Sempre que me deparo com a hashtag #SomosTodos, eu sei que aconteceu alguma merda e estão tentando tomar as dores das vítimas nas redes sociais. A verdade é que, nem de longe, somos todos iguais. 

Desculpa, mas eu não sou a Maju. Eu não faço idéia do que é sofrer preconceito, nunca senti na pele um terço do que ela já deve ter sentido, nunca tive problemas em fazer amizades, em ser bem quista, em entrar e sair de qualquer lugar sem levar algum olhar de reprovação. Não sei o que é namorar alguém e não ser aceita pela família por causa da minha cor, não sei o que é zombarem do meu cabelo, não sei o que é ser humilhada, chamada de macaco, ouvir que entrei em algum lugar por causa de "cota do governo" e não por minha capacidade. Eu não sei o que é ser negra! 

No ano passado eu tentei discursar sobre "o mundo é colorido demais para insistirmos no preto e branco", estava cansada, com preguiça, achava que essa história tinha ficado para trás, já tinha dado o que tinha que dar. Por eu julgar o ser humano pelo caráter e não por qualquer outra coisa, achava que todos já tinham aprendido isso. Mas, venho humildemente me retificar, sou uma tola! 

O mundo é colorido demais sim, mas infelizmente o "preto" ainda chama atenção, não passa despercebido entre as outras cores. Assim é nossa raça, assim são os negros, assim é a Maju. A cor da pele faz diferença sim, pode não fazer pra você e nem para mim, mas faz pra muita gente carente de evolução, desprovida de inteligência, incapaz de se ver no outro, de amar o outro. Não adianta tapar o sol com a peneira querendo convencer o mundo de que somos todos iguais enquanto muita gente não acha isso. 

Você não é a Maju, e a Maju nem quer que você seja. A Maju precisa que isso não aconteça, a Maju precisa não passar por isso, a Maju precisa ser invisível como nós somos. Ela precisa namorar um homem loiro de olhos azuis e ser a namorada dele apenas, e não a namorada negra do homem loiro de olhos azuis; ela precisa ser a jornalista e não a jornalista negra; ela precisa ser a mulher que quis alisar o cabelo hoje, e não a negra que quis alisar o cabelo hoje. Sentiu a diferença? Não somos todos Maju, somos todos parte de uma humanidade burra, preconceituosa, doente, onde alguns nascem com a sorte de serem invisíveis, outros com o fardo de ter de dar satisfações para o mundo. 

Maju, se eu pudesse te dizer qualquer coisa, seria: 
"Me perdoa! Por fazer parte dessa linhagem de arrogantes raciais, que cometeram as maiores atrocidades de toda história e ainda se sentem superiores, por carregar na minha pele e no meu sangue a vergonha de, em algum momento, alguém me achar mais confiável, mais bonita, mais inteligente apenas por eu ser branca. Por séculos e mais séculos, quem vive de "cota" são os brancos! Quem consegue tudo com mais facilidade são os brancos! E eu te peço perdão por não ser aquela que conseguiu mudar isso, desejo que nossos  (meus e seus) filhos e netos façam parte de uma geração de pessoas que se diferem por caráter e não por raça, classe social, religião ou orientação sexual. Hoje, Maju, infelizmente para muitos, nós não somos todos iguais, mas desejo de todo o meu coração que um dia sejamos." 
Essa é a verdade mais horrível e dolorosa que eu poderia escrever, mas ainda continua sendo uma verdade. Sem mais.

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Leandro Faria  
Bárbara Cortez 25 anos, com rostinho de 15 e pique de 70. Virginiana nada organizada, começou a escrever para não perder também a cabeça. Radialista por formação, cantora por paixão e escritora por cara de pau mesmo.
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