quinta-feira, 20 de agosto de 2015

A Hora Certa de Voltar





Quando sai de "férias" do Barba, possuía um plano bem simples. Queria assistir minhas séries acumuladas, ler meus livros da Maratona Literária de Inverno e pensar sobre a vida. Escrever nesse espaço é um exercício não só semanal, mas diário, de reflexão constante. E me vi em um momento em que precisava saber como estava. Como realmente estava me sentindo.

Tenho a teoria de que quando passamos muito tempo falando, falando e falando, normalmente não nos ouvimos e esquecemos de nos preocupar com algo bem importante: nossos desejos! Se o nosso tesão morre ou fica adormecido,  não temos motivação. Somos só um apanhado de sentimentos compactados e que seguem o constante fluxo, mas sem grau ou nenhum rumo definido no meio disso tudo.

Mas ao me deparar com as possibilidades de “vazio” que minhas férias proporcionaram, eu me vi com tédio.  E literalmente olhando para o teto do meu quarto e querendo entender o que estava errado comigo. Tinha tempo, tinha afazeres, mas não possuía nenhuma vontade. Queria ficar ali e só. Se tem uma frase que resume bem o que senti, “Queria estar morta” nunca foi tão pontual quanto naquele momento. Depois do impulso natural de me obrigar a fazer algo, decidi aproveitar o momento. Afinal, procrastinação é mais do que um momento da vida, é a arte que a nossa mente possui em nos proteger. No fim daquele mesmo dia tomei finalmente uma importante decisão. Não só escreverei, mas também vou falar. FALAR MUITO. Inflei meu peito de coragem e gravei naquela mesma noite meu primeiro vídeo para o meu canal no Youtube.

Não, não penso em falar sobre as grandes questões da vida, deixo isso pra Jout Jout que essa arte ela domina como ninguém. Eu quero falar sobre as coisas que eu gosto. Quero falar sobre livros, quero falar sobre séries, assim como também quero falar sobre filmes. Mas a grande sacada disso tudo não está no ato de ter ficado nervoso ao olhar para a câmera solitária no meu quarto. Tão pouco está na importância em dizer que “virei um booktuber”. A grande sacada aqui é que eu quero falar. É preciso dizer. É preciso tirar de mim opiniões e olhares. Coisas que o texto, muitas vezes, facilita, mas também limita. Quem nunca leu um “Blz”, enviado pelo Whatsapp e já interpretou mil sentimentos com isso? Mas no fim, o BLZ significava um tudo bem simplificado. Afinal, Blz é Blz e nada mais que isso. Dependendo de quem envia, claro.

Depois de usar o Youtube como um Telecurso 2000 particular para aprender como editar meus vídeos, me vi tendo saudades. Queria escrever sobre aquele momento. Quis fazer um texto sobre “encorajar pessoas” na superação de seus medos e fazer com que cada uma consiga se realizar ao fazerem algo que querem. Querer alguma coisa e fazer, é tão bom. Pode não ser tão maravilhoso de primeiro, como idealizamos, mas é preciso iniciar, caminhar para poder melhorar e evoluir.

Mas no lugar de escrever, eu li. Fui leitor do Barba Feita durante todo esse tempo. Li o primeiro belo texto de Nanda Prates e fiquei sem palavras. Como ela consegue ser tão perfeita com suas colocações. Como ela consegue me puxar para dentro do texto e me fazer sentir olhando para um grande espelho? Pois é, não sei. Mas foi exatamente isso que senti ao ler Hay Que Endurecer, Pero... Já lutei por amizades que estavam por um fio e fui o único. E me senti o único culpado. Mas o tempo, como bom professor, me mostrou que na vida é preciso alguém sair para outra pessoa entrar, então, desde que isso aconteceu pela primeira vez, não fico mais com medo desse revezamento de pessoas que a vida proporciona. Algumas pessoas são tão incríveis que precisam ser divididas com o mundo. É preciso que outras pessoas conheçam e se deixem conhecer.  Não satisfeita por me proporcionar esse primeiro “tiro”, Nanda fez de novo e fez bem. O texto Gorda foi uma das melhores coisas que li esse ano. As outras ficam atrás dos outros texto da própria Prates. Foi lendo aquelas linhas que me vi mais que amigo, mas completamente fã.

Não posso deixar de falar de como foi irônico ler o que Michael Oliveira (Mikes), escreveu sobre os príncipes encantados. Eu, se tivesse oportunidade, me daria aos 18 anos esse texto de presente e ainda escreveria em vermelho com letras garrafais: SPOILER DE COMO VOCÊ FARÁ PAPEL DE TROUXA. Mas a máquina do tempo está quebrada no momento e me cabe apenas aprender a lidar com meus erros e usar isso para abrir meu coração para vocês.

Estava com saudade. Realmente senti falta de ter esse meu encontro com a tela branca e permitir que meus dedos transmitissem o que me faz sentir e como me faz sentir. A saudade é algo bom. Ela cria o retorno e os novos inícios, sempre. J 

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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2 comentários:

LuDantas disse...

Você me incluiu n sua vida praticamente excluindo outra pessoa. Sim, foi isso q aconteceu e me sinto imensamente grata por ter te roubado p mim.
E tava c saudades dos seus textos.
;*

Silvestre Mendes disse...

E eu com saudade de ter você como leitora. Acho que na verdade foi tudo meio que armado pelo destino. Era preciso que a gente se conhecesse, era preciso que coisas estivessem confusas para serem arrumadas aos poucos. Era preciso tudo o que aconteceu. No fim das contas eu fico feliz em ter você como amiga e a gente estar construindo essa nossa jornada juntos :)