terça-feira, 4 de agosto de 2015

Corrida Contra o Tempo




Eu estou de volta. E não apenas ao Barba. Calma, eu explico.

Quando meu relacionamento acabou (eu sei, voltamos a isso; mas calma, é a última vez, prometo), meu emocional ficou incrivelmente abalado, de um jeito que não deveria ter ficado. Eu chorava sóbrio, bêbado, me desconcentrava, ficava irritado, depressivo, às vezes um sentimento por dia, às vezes tudo num dia só. Chegou ao ponto em que eu não estava ME aguentando. Eu tinha que fazer alguma coisa a respeito, certo? Certo. Mas cadê que eu conseguia? Silvestre, Vinicius, Levy e PH e minha chefe, eu não sei como esses cinco me suportaram, porque olha...

Até que eu consegui fazer o que precisava pra poder tocar a minha vida: eu me "desliguei". Ok, certo, a gente sabe que não existe isso, que não tem interruptor, nem nada; não precisam me dizer, eu sei disso. Mas eu consegui. Consegui olhar pra outros homens, achá-los bonitos, ir pra balada, beijar, flertar no bar, tudo isso. Foi uma maravilha. Pelo menos no início...

O desligamento, vamos colocar assim, me levou a um lugar extremamente estranho. Eu perdi a conexão com o mundo ao meu redor. Comigo. Horrível. Eu percebi que estava tomando banho apenas duas vezes na semana, que eram os dias que eu tinha treino de boxe; percebi que não fazia a barba há meses; meu cabelo estava igualmente enorme; não dormia; não comia direito, só me enchia de gordice, cerveja, vinho; meu par de tênis do trabalho, os dois pés estavam, cada um com um furinho na ponta, ou seja, eu não podia usar meia branca, e, ao invés de comprar outro, eu usava as mesmas meias preta e cinza, porque elas eram as únicas que se misturavam com a cor deles; meu braço esquerdo começou a doer horrivelmente e eu não tomava remédio, nem ia ao médico pra saber do que se tratava; roupas, vida pessoal, vida profissional, tudo desarranjado.

Entrei de férias e não pude fazer viagem alguma, por conta da crise que me forçou a economizar, e por conta de uma série de problemas familiares que exigiram (e ainda exigem) a minha presença constante; fui pro Rio (o que não é viagem, já que fica a duas horas daqui) e furtaram meu celular, ou seja, boa parte da minha vida estava ali, e agora sabe-se lá aonde foi parar. Eu fiquei preguiçoso, descuidado, desleixado, inquieto. Resumindo? Eu desisti de mim mesmo.

Mas, voltando do Rio, eu coloquei a cabeça pra funcionar. Não dá mais. Não dá mais pra ficar fedendo a vinho o dia todo, ou não dar a mínima para o que acontece ao meu redor. Não dá mais pra me matar com tanta cafeína, x-tudo, pizza, cerveja, vodca, bacon. Não dá mais pra ficar em casa, fantasiando uma vida perfeita, maravilhosa, cheia de cor, de sentido, cheia de... vida. O que eu tenho que fazer, e o que eu vou fazer, é voltar ao que eu sentia no início do ano. 

Comecei 2015 com academia, estudos, música e um plano de mestre, e eu não posso deixar isso escapar assim, não outra vez. Eu já tive diversos inimigos nessa vida. Mulheres pseudo-ricas, líderes religiosos, colegas de trabalho, etc., mas nenhum deles é tão poderoso quanto o inimigo que eu encaro todos os dias no espelho.

Por isso, meus amigos, este que vos fala está de volta. Pronto, focado, e, como diz a música Altos e Baixos, da Roberta Sá: "Faço tudo pra chegar no primeiro lugar, que eu nem sei onde é, mas deve ser melhor do que aqui".

É bom estar de volta. Que a corrida contra o tempo comece. Me desejem sorte.

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, é o colunista oficial das terças no Barba Feita. Tem aproveitado a fase de solteiro para viver tórridos casos de amor. Com os personagens dos livros que lê e das séries que assiste, porque lidar com o sofrimento do término com personagens é bem mais fácil do que com pessoas reais.
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