sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Sobre o Brasil, Brasileiros e Odete Roitman




Houve um tempo em que o Brasil era chamado de país do futuro, um tempo onde as pessoas tinham esperança. Não faz muito tempo, mas esse tempo se foi. Da esperança restou apenas um povo devoto que prefere rezar a trabalhar, ganhar a torcer; um povo que tem sede de ídolos, reis e rainhas. Mas que não sabe o que faria se alcançasse o poder. 

Triste é um povo que privado da instrução e educação não sabe escolher. Que aceita vender seu voto por uma mísera cesta básica. E houve um tempo que vendia por uma dentadura. Que destruiu seu patrimônio em nome de um progresso que não existiria. De uma ordem que foi imposta por uma ditadura que dilacerou tantos sonhos. 

Não culpemos os portugueses, é muito fácil pôr a culpa em quem nos deixou há mais de 190 anos. Nenhuma colonização foi benéfica. Nenhuma. Ou alguém acredita que ela foi boa para os índios norte-americanos ou os aborígenes da Oceania? Perguntem a eles se foi. 

Vivemos à beira do caos e até os mais otimistas já sabem que apostar aqui é uma roleta russa. E a culpa não é a da famosa crise, já que essa palavra existe em nosso vocabulário desde sempre. Crise existe para ser solucionada e não deixará de existir enquanto apenas empurrarem a sujeira para debaixo do tapete. Esse jeitinho nunca ajudou em nada, aliás, esse jeitinho é que fode com tudo. E não pensem que eu, assim como a inesquecível Odete Roitman, acredito que todo brasileiro é preguiçoso e que o nosso povo é uma mistura de raças que não deu certo. Muito pelo contrário, trabalhamos muito e vemos todos os dias nosso dinheiro indo pro ralo sem fazermos nada pra mudar isso. Somos coniventes com toda essa desordem instaurada em nosso país e até nossas manifestações são patéticas (apoiar a volta dos militares, sério pessoal?). 

E, sinceramente, acredito que essa mistura de raças deu certo sim. Porque somos de fato um povo lindo. Mas que tem um sério problema de aceitação, que não se olha no espelho e enxerga sua beleza e suas capacidades, que se deixa enganar por falsos pastores que prometem o paraíso quando este paraíso está bem na nossa cara. 

Talvez, quando um dia descobrirmos o que de fato é ser brasileiro, ser um povo, ser nação, aí sim poderemos entender que ganhando ou perdendo o importante é participar. Que não precisamos de ídolos, reis, deuses ou coisas assim, porque temos dentro de cada um de nós a força para sermos os verdadeiros salvadores da nossa pátria mãe gentil.

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Leandro Faria  
Serginho Tavares é um apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), da TV e da literatura. Adora escrever e é o colunista oficial do Barba Feita às sextas. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência até a praia e mantenha sempre os pés bem firmes na terra.
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