terça-feira, 11 de agosto de 2015

Sobre o Texto da Semana Passada





Eu me lembro até hoje do dia que eu mandei um e-mail pro Leandro. Vi um post do Mikes pro Pop de Botequim e, depois de dar uma vasculhada no blog, pensei: "Que bacana, será que tem vaga?". Mandei um e-mail todo formal pro Leandro, falando do meu interesse em entrar pro PdB, e passamos o dia trocando e-mails e falando besteira. Eu sabia que estava ingressando num blog de colaboração gratuita, mas não consigo evitar e-mails formais, é algo automático.

Depois de muita conversa, adotei a #VergonhaAlheia e tô com ela até hoje. Eu adorei, de verdade; poder me soltar na Internet foi bem interessante, colocar toda essa criatividade pra fora, usar o meu deboche pra algo útil, tudo bem bacana.

Um tempo depois, Leandro surgiu com a ideia de criar o Barba Feita, um blog voltado para todos os públicos, sobre vários assuntos, mas focado em assuntos LGBT, no público LGBT. Na hora eu topei; pensei comigo: "Poder ser viado na Internet e falar sobre ser viado, na Internet, vai ser bem bacana!". Depois bateu aquele medo...

"O que eu vou dizer? Sobre o que eu vou falar? Quase não vivi, se for comparar com os outros membros do grupo... O que eu tenho pra contar?". Mas, eu já tinha dito que topava, não queria bancar o sem palavra, então fiquei.

Tudo começou bem, os textos iam fluindo, as ideias iam aparecendo, e eu fiquei mais tranquilo. Mas... como sempre tem um 'mas', as ideias foram sumindo com o passar do tempo, e meu desespero começou a voltar. Confesso que já quis deixar o Barba diversas vezes, por conta da falta de criatividade. Não queria transformar os meus textos em chorumes, ou usar o blog pra falar unicamente sobre mim. Então eu comecei a fazer exatamente o que não queria: falar sobre mim. Contei sobre meu primeiro ex (que, por sinal, me adicionou no Facebook dia desses, acreditam?); contei sobre meu tempo na organização religiosa; contei sobre como mentir. Enfim, quem leu, sabe do que eu tô falando. Eu não queria, mas era melhor do que jogar um texto "qualquer coisa", como eu fiz algumas vezes, por pura falta de imaginação, ideia, inspiração, etc.

Semana passada eu falei sobre o fim do meu período de fossa, ou desligamento emocional, se vocês preferirem. Falei sobre a situação em que eu me encontrava, e sobre não querer mais ficar assim, querer voltar a sentir, a gostar de mim, etc. Aí eu fui surpreendido por um coleguinha no Facebook. Ele me chamou pra dizer 'Obrigado'. Me agradeceu pelo texto, porque algo semelhante tinha acontecido com ele recentemente, e ele sabia que ia acabar se desligando também, mas que o texto o ajudou.

Eu espero, de coração, que ele não tenha se desligado, que não tenha desistido dele, porque só quem passa por isso é que sabe o inferno que é (tá entendendo, coleguinha? Não faça isso. Ou vou aí e te dou uns tabefes. Eu, hein!). Mas isso também me deu um gás pra seguir no Barba Feita. Não, não tô alegre com a desgraça alheia, mas é que quem escreve pra blog, ou faz vídeos pro YouTube, faz memes, enfim e enfim, quer ser visto, quer ser notado. Não adianta dizer que não é, porque é sim. O mesmo comigo, eu entrei nessa porque, mesmo que eu não tenha tido experiências boas e ruins parecidas com a dos garotos, eu tive as minhas, e quis compartilhar com um único desejo: o de ser notado. O que me inspirou, digamos assim, é que alguém se identificou comigo, com a minha situação.

Não esperava MESMO que algo do tipo fosse acontecer, estava ali apenas dividindo com vocês um momento tenso da minha vida, porque chega um período em que a gente se sente praticamente amigo de quem tá acostumado a ler os nossos textos, já sabe que pode usar gírias e neologismos com tranquilidade, porque vocês vão entender.

De certa forma, isso me deu um gás pra seguir no Barba, saber que eu não estou sozinho, saber que, involuntariamente, um texto meu deixou uma pulga atrás da orelha de alguém, ou fez alguém rir, ou fez alguém se identificar. E que venham mais textos, e que sejam coisas boas a serem contadas. Mas, se forem ruins, eu sei que, no final, tudo fica bem.

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, é o colunista oficial das terças no Barba Feita. Tem aproveitado a fase de solteiro para viver tórridos casos de amor. Com os personagens dos livros que lê e das séries que assiste, porque lidar com o sofrimento do término com personagens é bem mais fácil do que com pessoas reais.
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2 comentários:

Mike disse...

Eu sou uma pessoa egocêntrica. Nunca escondi isso de ninguém. Adoro falar sobre mim

Mas além do meu egocentrismo existe a certeza que esses textos pessoais são muito mais relevantes do que qualquer meme ou video de torta na cara.
É a nossa individualidade que nos aproxima uns dos outros e que faz a diferença.

Continue sendo único, continue compartilhando suas (poucas) experiências.
Isso é muito mais interessante do que qualquer outra coisa.

Glauco Damasceno disse...

Valeu, Mikes ;)