quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Sobre Astros e Humanos





Em um intervalo de uma semana, eu, um notório admirador da astronomia, pude ter três notícias daquelas consideradas mágicas:

  • a divulgação da primeira foto em alta definição em cores de Plutão; 
  • o eclipse total da Lua em seu ponto mais próximo da Terra; 
  • e o anúncio de que, sim, há água em estado líquido em Marte.

Sou um admirador daqueles que, de imaginar esses fenômenos ou feitos, sinto aquele frio na barriga digno de “Eureka!” aliado a um medinho de que estamos indo longe demais, às vezes.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

A Grama do Vizinho




Recentemente terminei de ler um livro e, quando parei pra fazer esse texto, não consegui, de tão desnorteado que eu estava. O livro se chama Pequenas Grandes Mentiras, ou Big Little Lies, pra quem gosta de ler a versão original das coisas.

Não vou fazer uma resenha do livro, mas preciso de uma pequena introdução (e vou tentar falar o mínimo possível sobre a trama, pra não estragar a surpresa, porque sim, vocês DEVEM ler esse livro!). Com Madeleine, Celeste e Jane como protagonistas, o livro conta como as três foram unidas pelo destino, já que seus filhos estudavam na mesma escola, a Escola Pública de Pirriwee, uma escola que não tolera nenhum tipo de bullying, e todos ficam surpresos quando surge um caso de bullying no lugar.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Devaneios, Confissões e Um Pouco Mais Sobre Mim





Eu já sonhei com casamento tradicional, constituir família, ter filhos. Hoje sou mega feliz com a família que tenho, com namorido e dois gatos lindos. E não importa o que digam, eu tenho a minha família.

Já fui noivo, já procurei imóvel e pensei em marcar a data do casamento. Acabei "casando" de uma hora pra outra, trocando alianças em Capri, apenas nós dois, na "cerimônia" mais linda que eu poderia ter imaginado pra minha vida.

Já fui hipócrita. Muito hipócrita. 

domingo, 27 de setembro de 2015

Antes Só...




Era uma segunda e tínhamos acabado de chegar de viagem. Estávamos num bar perto do nosso hotel e eu notei, ainda na primeira caneca de cerveja escura, que o abraço aconchegante daquele edredom branquinho me parecia cada vez mais interessante. Tomei mais algumas mesmo assim, mas comecei a desanimar com a ideia de passar os 40 minutos seguintes tentando decifrar o mapa do metrô apenas para ter, em outro bar vazio, as mesmas conversas que poderíamos perfeitamente manter deitados de conchinha - de preferência com algum reality ruim da MTV americana piscando na TV ao fundo. Quando o já esperado "E agora, pra onde vamos?" surgiu, respondi da forma mais gentil que poderia, explicando meu cansaço e lembrando que o dia seguinte começaria cedo. Não fui grosseira. Não bati o pé. Não dei chilique. Apenas expressei um desejo. 

Corta para a voz em off do Morgan Freeman, comentando em tom de discreta superioridade: "Mal sabia ela que..." 

Eu, que meio que já aprendi a esperar o pior das pessoas, não antecipei a tempestade que simplesmente cogitar não ir para um segundo bar numa noite de terça desencadearia. Ouvia, num misto de 10% de raiva e 90% choque, que eu "vivia me gabando" das coisas que eu fazia antes de estarmos juntos, mas que não sabia me divertir com ele. Que eu era capaz de ficar na rua até altas horas com outros caras ("outros caras" era um conceito muito presente no nosso relacionamento), mas não com ele. E, por fim, o clássico "você deveria fazer um esforço" - aplicado ocasionalmente à nossa vida sexual também. Essa é a versão light de tudo que eu ouvi aquela noite, que acabou com as apontadas de dedo que, em linhas gerais, diziam que eu havia me vendido como uma garota ousada, vid4lok4 e sexualmente implacável, mas que com ele eu era uma chata. Ou eu havia mentido sobre mim mesma, ou eu simplesmente era melhor para os """"outros caras""""do que pra ele. As duas alternativas eram terríveis, porque não me considerava uma mentirosa nem uma pessoa menos interessante quando estava com ele. Eu inclusive pensava que agia muito mais de acordo com a minha real personalidade com ele do que com os """""""outros caras"""""". Aquilo que ele estava vendo - aquela pessoa aparentemente terrível que, às vezes, preferia estar quietinha do que enchendo a cara noite adentro - era a tal "eu". E isso não era o bastante. 

sábado, 26 de setembro de 2015

Sexo e Paixão





Como é que você se apaixona sem transar?
Na primeira vez que ouvi essa pergunta, achei absurda, então me pus a argumentar e dar várias explicações. Da segunda vez que a ouvi, de uma outra pessoa completamente aleatória à primeira, alguns anos depois, fiquei em dúvida por alguns segundos se o problema era comigo ou com meu interlocutor. Desfeita a dúvida logo em seguida, fiquei com preguiça de argumentar e dar explicações acerca do meu jeito de lidar com sentimentos e sensações tão distintas como sexo e paixão, e como é a ordem que cada um deles vem na minha concepção emocional. No entanto, o assunto ficou em minha cabeça, martelando, necessitando ser explanado.

Parto então do seguinte esclarecimento: alguns amiguinhos simplesmente acham impossível alguém se envolver emocionalmente e cair de amores por outra pessoa se nem sequer houve um único contato sexual entre ambas as partes. Eu, de minha parte, acho inconcebível esse pensamento, e digo de boca cheio que nunca transei com os caras por quem me apaixonei e nunca me apaixonei pelos que transei.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Sobre o Que Vale a Pena, Afinal?




Então, vamos falar sobre sexo? 

Enfim, sexta-feira! E o que tem de gente que espera por esse dia não está no gibi. Sério, é impressionante o número de pessoas insatisfeitas que já começam a semana torcendo pra esse dia chegar logo. Eu entendo bem o que é isso, já trabalhei num local que eu odiava e sofria em saber que o domingo estava terminando e tinha que encarar mais uma maratona num local onde o terror estava instaurado. Felizmente isso é passado. 

Sempre acreditei que a gente deve fazer o que gosta e, fazendo isso, os dias passam depressa. Infelizmente, poucos têm essa sorte. Hoje estou num lugar que gosto ao lado de pessoas que gosto e admiro e nem percebo o tempo passar. Bato na madeira três vezes e rezo sempre quando saio de casa porque a inveja é grande, afinal, quantos podem dizer o mesmo? 

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Não Identificado





Dia desses estava ouvindo Não Identificado, uma das minhas músicas prediletas do Caetano que, por coincidência, era a preferida do pai dele também. A letra é simples e a melodia é quase chiclete, mas há algo de incrível nela que eu não saberia explicar, e nem o tentaria, afinal gosto é gosto – apesar da constante patrulha que insiste em querer determinar o gosto alheio. Pensei na parte que diz “eu vou fazer uma canção de amor, para gravar num disco voador” e quis fazer o mesmo. Não sei se dedicaria a canção para alguém ou se apenas queria estar no espaço, longe desse mundo. 

Há uns dias eu decidi ir à praia com um amigo de bicicleta. O trajeto não era muito longo (Botafogo x Ipanema) e, contando que boa parte dele seria feito em uma ciclovia, tentei deixar de lado o medo de morrer esmagada por um ônibus ou esfolada no asfalto depois de ser fechada por um carro. Quando passei um tempo na Califórnia, fazia um trajeto de mais de uma hora de bike diariamente e era uma liberdade impossível de ser medida: fugia do trânsito, apreciava uma vista indescritível e me sentia segura por estar num trânsito que respeita os direitos do ciclista. Mas vivo no Brasil, portanto, não dava pra viver do sonho californiano eternamente. Decidi que iria até a praia de bicicleta e fui. Mas para que temer apenas ônibus gigantes ou motoristas apressados quando temos uma sociedade “branca e letrada” que é incapaz de respeitar que existem metros e metros de calçada onde podem andar, ao invés de caminharem ou pararem no meio das ciclovias para tirar selfies? Temos também o flanelinha – mais conhecido como dono da rua – que obviamente tem mais direito de ficar parado no meio da faixa exclusiva para bicicletas enquanto indica para algum motorista a existência de uma vaga na rua (pública) do que eu. Nessa hora, com uma freada brusca, não segurei um “porr*!”, que me foi gentilmente respondido por ele com um “porr* é o ca$%#@&!”. Segui meu caminho e cheguei à conclusão que é estressante demais ser sustentável, mas ainda penso em insistir nessa loucura que é tentar ajudar o mundo de alguma forma, ainda que seja correndo um risco iminente de vida. 

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Conheça a Sua Verdade





Estou assistindo com certo atraso (ok, seis anos para ser mais preciso) à primeira temporada da série americana Glee. Já havia muito tempo que tinha os boxes de DVDs em casa, mas foi de alguns meses para cá que parei para assistí-los. Além do meu gosto por musicais, o que causa empatia inicial com a série (que é muito bem feita, tem bons vocais e ainda nos dá a oportunidade de apresentar com um novo significado músicas que cantávamos com embromation acompanhando o rádio no passado), existe algo de fantástico em Glee que é a constante mensagem de “seja quem você é”.

Existem lá diversos estereótipos presentes: o professor de música que torce para que os seus alunos tenham mais sucesso do que ele teve; a treinadora insuportável das cheerleaders (a melhor personagem da série); o treinador de futebol americano sem qualquer tipo de vaidade; a orientadora educacional cheia de TOCs; a aluna que se acha Barbra Streisand e acredita ser melhor do que todos os demais colegas; o boa praça que é capitão do time de futebol americano e se torna líder do grupo musical; as bitches e os bad boys que começam a se redimir após o contato com os losers e veem que, na verdade, não são tão diferentes assim – e aqueles que não mudam mesmo e continuam ameaçando fisicamente. E ainda há o adolescente gay que passa pelo momento da aceitação do pai bronco e, ainda assim, luta por vezes contra a sua sexualidade para tentar provar algo para esse mesmo pai.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Esses Empecilhos Bestas do Cotidiano





Outro dia estava eu no Twitter, aquela rede social maravilhosa, e fiz uma perguntinha na timeline. O bom dessa rede social é que muitos assuntos acabam gerando discussões divertidas, interessantes, informativas, enfim. Aí eu joguei a seguinte pergunta: 
"Você tá afim do boy, mas o boy tem nome estranho. Pega ou passa?"
Foram vááááááárias respostas, umas mais tímidas, dizendo que colocava um apelido fofo e pegava, outras nem tão tímidas assim, dizendo que eu não ia chupar o RG do cara, então era pra ir.

A bem da verdade é que essa pergunta surgiu de uma conversa que eu estava tendo com amigos, e resolvi saber a opinião das arrobas que trocam nudes mensagens comigo todos os dias, porque o Twitter é isso, um grande boteco virtual, onde a gente assiste futebol, novela, filme, série, todo mundo junto.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

We Will Rock You





Eu tinha 04 anos em 1985, por ocasião do primeiro Rock in Rio. E como cresci no interior do estado, minhas memórias sobre o festival (mesmo em suas demais edições, até o retorno definitivo em 2011) eram aquelas de domínio público, da transmissão de televisão e dos shows memoráveis. 

O Queen, apesar do grande grupo que é, eu só fui conhecer bem mais tarde. Não sou um mega fã de rock e muito menos um antenado sobre o assunto. Conheço o básico (do básico) e acabo bebendo da fonte do que chega ao grande público, os principais sucessos e, sinceramente, não me importo muito com isso. Para terem uma ideia, eu conhecia várias músicas do Queen; mas não fazia ideia de que eram músicas do Queen. 

Sei também que Freddy Mercury é um ícone, por sua atuação como vocalista da banda e, claro, pela sua fama de gay. Apesar de ser descrito como bissexual não assumido, Freddy nunca assumiu nada e, quando perguntado diretamente sobre sua sexualidade, em uma entrevista em 1974, se limitou a dizer que "houve uma época em que era jovem e desprotegido" e que teve sua "cota de humilhações escolares". Entretanto, pergunto: existe alguém mais gay do que Freddy Mercury? Além disso, é óbvio, cansei de ver o momento épico do show clássico do grupo no Rock in Rio de 1985, ao som de Love of My Life. Não importa se você é um fã do Queen, de Freddy, do Rock ou do festival, é um momento de arrepiar. 

domingo, 20 de setembro de 2015

Livre, Leve e... Não, Espera!





Ser solteiro (e não necessariamente querer estar solteiro) é viver naquela linha tênue entre a felicidade extrema e a tristeza absoluta. Há quem venda que a solteirice é a melhor fase da vida. Afinal, você não precisa dar muitas satisfações pra ninguém, pode fazer o que quiser quando der na telha, conhecer gente nova o tempo todo e fazer com que sua vida se torne uma grande experimentação da Teoria da Branca de Neve (se você não sabe do que se trata, favor clicar agora pra ouvir a MC Mayara no YouTube A-GO-RA). Porém, contudo, no entanto, não é bem assim! 

Tudo bem, temos que convir que essa fase tem lá suas vantagens... Mas cansa! Sim, a verdade é essa. Ser solteiro cansa! É legal quando você esta com preguiça de sair sábado à noite e resolve ficar em casa vendo filmes e comendo algum lanche gelado que sobrou da noite passada. Mas quando essa reafirmação de independência e autossuficiência começa a se repetir por uma, duas, três vezes e aí, como dizia aquela pensadora dos anos 2000, mais uma noite chega e com ela a depressão, você começa a se encher disso tudo. 

sábado, 19 de setembro de 2015

A Medida do Orgulho





Existe um sentimento de orgulho exacerbado dentro de mim. Não o orgulho de satisfação por algum feito realizado ou o sentimento de soberba e arrogância, mas o orgulho que é sinônimo de brio, amor próprio e dignidade. Embora esse orgulho seja considerado bom e de extrema importância pra auto-estima do indivíduo, admito que, às vezes, sofro por causa dele, devido à intensidade com a qual sinto tudo.

Me acusam de dramático, exagerado, radical, difícil, querer ser o centro das atenções e o dono da verdade, quando a única verdade é que sou um incompreendido mesmo, até por aqueles que dizem gostar de mim enormemente.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Sobre Internet, Usuários, Você e Eu




Preconceito (pre- + conceito) substantivo masculino
1. Ideia ou conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério ou imparcial. 
2. Opinião desfavorável que não é baseada em dados objetivos!. = intolerância 
3. Estado de abusão, de cegueira moral. 
4. Superstição. 

Qualquer forma de preconceito deve ser combatida. Desde o surgimento da internet, as pessoas andam com muita voz, dizendo o que querem, mas a falta de educação de grande parte da população fez com que as pessoas achassem que podem dizer o que quiserem de tudo e todos para, no final, soltarem a pérola, “é minha opinião”

Certa vez, num blog, que não citarei qual, discorria o assunto sobre a palavra vagabunda e o fato de ser melhor proclamá-la em voz alta do que outras, como por exemplo rapariga. Segundo o autor "rapariga era luxo, mas caiu no gosto nordestino e entrou em declínio…"

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Cartas de Todas as Dores de Amor




Estava perdido em pensamentos na madrugada, até que cai em um canal no Youtube. Um menino - Daniel Pohl, o seu nome - fazendo covers de funk, mas com uma pegada mais intimista e que beirava ao indie. Fui pego de surpresa e adorei. Gosto muito quando a música se transforma e ganha novos formatos e algumas melodias e letras escrevem uma nova história. 

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Valeu, Gabriel




Essa noite eu tive um sonho estranho. Sonhei que procurava um amigo meu chamado Gabriel Duarte, que estaria morando num novo prédio construído aqui no Rio de Janeiro. Ia visitá-lo e procurava por ele entre centenas de pessoas que circulavam na edificação. Nenhuma delas era o Gabriel.

Gabriel existe. Mas faleceu em 2001, vítima de um acidente de carro. Gabriel foi o meu primeiro melhor amigo de infância, na época da alfabetização. Estudávamos juntos em Niterói, éramos vizinhos de prédio – ele morava no 15º e eu no 16º andar. Era uma amizade extremamente pueril, focada em videogame e olhar Playboys escondido (sim, eu tive essa fase da minha vida). Nossas mães, ambas Elizabeth, também eram amigas. A avó dele me chamava de neto. Um dia, a família dele se mudou para Itaipu, área afastada de Niterói. Anos depois, a minha também se mudou para o mesmo bairro. Ficamos mais próximos fisicamente novamente, mas a amizade das famílias não era mais a mesma. E isso naturalmente nos afastou.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

A Vida Sem Celular




Quem me segue nas redes sociais (sempre quis dizer isso) sabe que eu dei mole e tive meu celular furtado. Até hoje não aceitei o fato de que algum estranho conseguiu enfiar a mão no meu bolso, sem eu sentir, e tirou meu celular de lá! Eu nunca fui de colocar celular no bolso, exceto em situações extremas, como quando to andando numa rua deserta, ou no trabalho, e ainda assim, quando dá, fico com a mão no bolso, segurando o celular. Mas resolvi colocar o celular na mão por três exatos segundos e pronto, lá se foi o meu aparelho, que eu não tinha acabado de pagar ainda, faltava uma parcela.

OK, não chorei tanto pelo aparelho em si, já tava irritado com o meu Nokia Lumia, mas eu tinha tanta coisa importante lá (essa minha mania de não jogar as fotos na famosa nuvem), conversas, fotos, textos pro Barba... tudo se foi. Bem, azar de quem levou, boa sorte com o Windows Phone, aquela coisa horrível que não deixa a gente fazer nada!

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

O Super-Homem e Eu




Era ainda a primeira metade de 2007. Não lembro o dia ou mês, mas sei que foi depois do carnaval e antes do meu aniversário. Naquela época eu morava no interior, era hipócrita pra caramba e adorava perder tempo no chat da UOL com o singelo nick de Autor. E foi assim que ele puxou papo comigo. 

Clark diz: afim de marcar uma parada real? 
Autor diz: oi? como assim? 
Clark diz: gosto de agilidade… tenho 34 anos, casado, moreno, cabelos pretos e lisos, olhos castanhos e quero uma real com outro homem. 
Autor diz: hum… interessante… vamos para o MSN 

No MSN (meu Deus, que jurássico!) descobri que ele era médico, morava no Rio, mas que dava plantão em um hospital de Petrópolis, onde eu morava, duas vezes por semana. Ele queria a todo custo marcar uma ‘real’ para o dia em que ele tinha plantão, eu não tinha nada pra fazer mesmo, pela foto parecia muito bonito e acabei topando. Foi quando ele disse. 

domingo, 13 de setembro de 2015

Relações Sorodiscordantes: Você Namoraria Alguém Portador do Vírus HIV?




Você namoraria uma pessoa que vive com HIV/Aids? 
Essa pergunta pode parecer estranha, mas é feita diariamente por milhares e milhares de pessoas ao redor do mundo. Eu estenderia a pergunta a outras doenças: você namoraria com uma pessoa com pressão alta? E com uma pessoa com diabetes? E com uma pessoa que tivesse problemas de depressão?

Ai você me diz: mas são coisas completamente diferentes! E eu te digo: sim, são! Assim como as pessoas são diferentes e nem todo mundo gosta de verde. Na verdade, uma coisa que une todas essas pessoas, sejam soropositivas, com pressão alta, diabetes ou depressivas, é o direito a ter uma pessoa ao lado, se assim elas quiserem. Afinal, o amor é uma das coisas que mais alimenta o espírito e, consequentemente, o corpo. Bonito isso, né? Vi num post do Facebook e diziam que era da Clarisse Lispector...

sábado, 12 de setembro de 2015

Recordações de Um Crime




Beijou-lhe os lábios. Ofereceu-lhe uma Coca-Cola. Pediu pra que passasse aquela tarde com ele. Confuso, com os olhos arregalados e o coração acelerado como uma batucada de tambores, não sabia o que pensar. O homem tinha mais de 40 anos. 

Seu pai saiu do banheiro. Ficou tentado com a proposta, mas preferiu voltar pra casa com o pai. Estava excitado e nervoso. No caminho de volta pra casa, lembrava das sensações, da forma como havia sido tocado. Era assustador, era bom. 

O homem estava debilitado, há pouco tempo havia perdido a visão. Os familiares não gostavam de deixá-lo só em casa, por isso sempre arranjavam alguém pra fazer-lhe companhia. Quando ele o tocou daquele jeito não parecia cego. Naquela tarde, o pai queria deixar-lhe fazendo companhia ao velho amigo que não estava enxergando. Ele teve medo, apesar do frêmito de excitação e da curiosidade. Na cama, enquanto tentava pegar no sono, se inquietava relembrando a surrealidade daquela situação. 

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Sobre Este Que Vos Escreve Todas as Sextas




Ok, vocês me leem, mas sabem quem eu sou de fato? Acho interessante saber quem estaria por trás dessa Matrix, mas como nem sempre é possível, eu vos revelo sempre um pouco sobre mim. 

Não gosto de falar sobre a minha idade, não porque tenho vergonha dela, mas sim por causa do espanto que causo às pessoas quando revelo. A sensação é sempre desagradável, por isso, nos últimos tempos tenho deixado todos pensarem que tenho a idade que elas acham. Talvez o ser humano prefira viver iludido do que a perder a ilusão. Vai saber. 

Por outro lado, acredito que todos já devem ter imaginado que eu prezo muito meus amigos. A grande maioria mora longe de mim e, por isso, faço questão de que essa distância seja diminuída. 

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Uma Viagem Muda Você





Nós mudamos. E mudança é algo tão maluco que todos aqui do Barba Feita já falamos sobre isso. Sim, nós mudamos muito e por inúmeros motivos. Seja pelo início de um relacionamento, o término de outro, um pé na bunda no meio do caminho ou a simples constatação de que “ele” não está tão afim de você. Mudamos por nós mesmos. Por aprender algo novo com a vida; em um livro, filme, música ou aquela série de tevê que nos faz sentir. Mas nós mudamos.

Eu, por exemplo, não sou mais o Silvestre de algumas semanas atrás. Sério, não sou mesmo. Há três semanas embarquei rumo à São Paulo e todas as suas particularidades. Não foi minha primeira viagem pra lá e espero que não seja a última. Mas foi a primeira vez que me vi me descobrindo em São Paulo.

Primeiro preciso contar uma coisa pra você. Em 2008, sim, sete anos atrás, tinha um plano bem simples: me embebedar na noite paulistana, mais especificamente em uma balada na Augusta, e  de quebra me jogar na vida. Algo meio Alice se jogando pela toca do coelho. Esse meu desejo, aliás, veio de uma ALICE. Mas não a tão famosa das páginas dos livros e dos filmes que tentam captar seu universo, repetidamente sem sucesso. Minha Alice nesse caso era interpretada por Andreia Horta e São Paulo foi, durante os 13 episódios da primeira temporada da série exibida na HBO, seu País das Maravilhas.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Procuramos Independência





A semana começou com um preguiçoso feriado de Dia da Independência. Longe das bravatas políticas de “ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil”, ter uma data que carregue esse nome pode ser simpático. Afinal, independência é a obsessão de muitos. Para alguns, quase uma imposição, uma necessidade.

Lembro muito de duas prosaicas situações na minha infância que me deram o claro sinal de que eu estava me tornando mais independente: o dia em que eu amarrei o cadarço do meu tênis sozinho e quando eu passei a preparar o meu próprio café da manhã.

A primeira delas, recordo-me claramente, foi num dia em que briguei com a minha mãe no pátio do prédio em que morávamos, com meus cinco, seis anos. Fui para um canto me fazer de coitado, para ver se ela sentia a minha falta, e notei que meu cadarço estava solto. Tentei amarrar sozinho, de forma desengonçada, até realizar o laço com sucesso. Fiquei tão feliz que voltei correndo para contar a boa nova à minha mãe, esquecendo que estava de mal com ela. Depois disso, nunca mais deixei que meus pais atassem meus calçados por mim.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Damasceno, Como Minha Mãe




Eu lembro da primeira vez que eu fui a um shopping com meus pais. Nós tínhamos ido ao Sider Shopping, em Volta Redonda, que não é aquela coisa que se diga “minha nossa, que shopping”, mas eu tinha seis, sete anos, eu acho. Tínhamos ido porque minha mãe e eu íamos participar de um concurso chamado “A cara da mamãe”. Foi divertido, fomos ao McDonald’s pela primeira vez, comemos pipoca de carrocinha, rimos; um dia em família. 

Lembro também de uma vez que eu fui comprar feijoada com a minha mãe num boteco que tem aqui perto de casa. Era noite, acho que sexta-feira, e a feijoada de lá era uma delícia, não sei se eles ainda fazem. Quando entramos, uma mulher bem estranha veio mancando pro nosso lado e disse: “Olha Zulma, eu já estou andando!”. Minha mãe soltou um “Ai, meu Deus” baixinho, como quem diz “Que marmota é essa?”, sorriu pra mulher e falou qualquer coisa para felicitá-la e, ao mesmo tempo, não estender a conversa. 

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Mentiras




Eu já menti muito na minha vida. Quando você se dá conta que é diferente da grande maioria das pessoas à sua volta e não sabe como lidar com isso, mentir é quase que automático. Você mente que é igual aos demais; você mente para fazer parte; você mente para você mesmo e, algumas vezes, passa até mesmo a acreditar nessas mentiras.

Mas, com o tempo, vem a maturidade. E se tem algo legal em envelhecer e de tornar-se independente é a possibilidade de, se você quiser, deixar as mentiras pra lá. Você paga suas contas, você vive sua vida, você escolhe com quem quer se relacionar (e o tipo de relacionamento que quer ter) e não é obrigado a fazer papéis para agradar quem quer que seja. Você pode, veja só, parar de mentir.

Tenho tentado simplificar a minha vida há algum tempo e deixar as mentiras pra lá. Como isso nem sempre é fácil, algumas vezes uso da omissão para não ter que contar uma mentira que eu considere desnecessária. Mas, confesso, isso é um exercício diário e que envolve esforço. Mentir é mais fácil, sem sombra de dúvidas.

domingo, 6 de setembro de 2015

A Liberdade de Ser Livre





Pra falar de amor com liberdade eu afirmo: não acredito em nada pra sempre. Uma vez li uma frase muito linda que dizia: para que seja eterno é necessário que se transforme. O que nos leva à conclusão que, até o que imaginamos ser pra sempre vai ter que se transformar e, uma vez transformado, já deixou de ser o que era. E então novos horizontes, rumos e destinos são novamente lançados à sorte. Mas também não sou de repetir o que já foi um verso famoso de pagode da década de 90, “que seja eterno enquanto dure”. Acho meio cruel, não? Depositar tudo o que você tem e pode numa coisa que pode durar um dia. Mas que tenha sido, então, eterno. Não foi. Essa coisa de tudo ser o tempo inteiro intenso e lindo e flores não existe na vida real – nem na minha, nem na da galera poliamor. Tem coisas que são e outras que não. Simples. O efêmero também teu seu valor. 

E aí você se pergunta: o que diabos então estou fazendo aqui? Se nada é pra sempre, e nem tudo pode ser eterno mesmo que seja por um dia, o que fazemos aqui e por que ainda sofremos tanto por amor? Bom, em parte sofremos porque cultivamos o sofrimento. Desde a escolha acidental de parceiros (às vezes, nem tão acidental assim) até a manutenção de relações doentias. O único sofrimento de uma via só é o platônico – e estendê-lo é um prazer masoquista inacreditável. Mas a resposta para o que estamos fazendo aqui ninguém tem. Não estamos fazendo nada na verdade. Ninguém mandou a gente se apaixonar, casar ou ter filhos. Isso é cultural e pode até ser natural, mas não é lei. Gosto de funcionar pela lei porque ela é tão permissiva quanto punitiva e quase sempre amada e odiada pelas mesmas questões. Nascemos e crescemos e no meio do caminho tinha uma pedra que se chamava amor. E agora? Agora a gente ama, ué. Acontece assim. 

sábado, 5 de setembro de 2015

Londrina





Cheguei numa madrugada de fevereiro de 1997. Era cinco da manhã. As folhas das árvores dançavam lentamente ao sabor da brisa suave da escuridão. Carregava o peito cheio de esperança e medo, mas ao percorrer aquelas ruas limpas e largas rumo ao meu novo lar, senti que poderia ser feliz naquele lugar. Gostei da cidade e do ar de glamour que ela exalava. A primeira impressão foi de encantamento. Imaginei que os primeiros raios de sol me trariam agradáveis surpresas. 

Tinha saído de uma cidade nordestina no estado de Sergipe, um lugar sem muita beleza, tirando as praias, e nenhum glamour, o extremo oposto de Londrina, mas onde vivi os melhores dois anos da minha vida. Convivi com pessoas calorosas, hospitaleiras, alegres, fiz amigos muito especiais e passei por experiências que só se vive uma vez, como o primeiro beijo e o primeiro amor. Por isso, ao partir fui em prantos. Sem opção de escolha, só me restava torcer para que tudo desse certo e eu pudesse encontrar pessoas tão incríveis quanto aquelas que estava deixando pra trás. 

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Sobre Gostar ou Não Gostar




Eu não gosto de futebol, nunca gostei. Sempre achei um esporte chato demais, com aquele bando de homem correndo atrás de uma bola. Mas eu gosto dos jogadores, sempre gostei; sempre gostei de homem. Não lembro a época que não gostei ou gostei menos ou achei eles menos suportáveis. Mas futebol não. Futebol é chato. 

Sempre gostei de artes maciais, boxe e afins. Ver dois homens se agarrando suados, um em cima do outro, torço, vibro. É violento, eu sei, mas é meu lado guilty pleasure. Posso extravasar, posso achar que tudo vai acabar ali, que aquela violência só existe ali e que nas ruas as pessoas se respeitam. Pelo menos até soar o gongo e anunciar o próximo assalto. 

Nunca gostei de bola de gude. Manipular coisas pequenas em minhas mãos não dá certo. Me atrapalho. Bola de gude requer destreza. Lembro que tinha várias, mas eu só gostava porque achava bonito. Lembro de uma única vez ter jogado, e com minha mãe, na cozinha de casa. De resto eu só comprava e guardava em casa, nunca joguei com ninguém na escola, tinha receio de perder, os meninos jogavam à vera. 

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

“Você é Pra Casar”





Lembro exatamente quando ouvi essa frase pela primeira vez. O que não lembro muito claramente foi como o papo começou e foi parar exatamente naquele assunto. Mas foi essa frase que me fez gelar por inteiro, por uns dois milissegundos no máximo, mas que senti como se tivesse levado toda uma eternidade.

Imagine você. Estava indo rumo à Recife (foi nessa mesma viagem que conheci o Serginho, colunista das sextas-feiras aqui do Barba, e fui brindado com todo seu sorriso, bom humor, que diga-se de passagem é sua marca registrada, e, claro, toda sua receptividade) e, sentado ao meu lado naquele mesmo vôo, o dono da frase que havia me paralisado, Leandro Faria. Sim, o dono deste espaço e dos textos de toda segunda-feira. E não, antes que você pense alguma besteira, ele não estava dizendo essa frase pra mim por termos algum tipo de envolvimento romântico, sexual ou algo do tipo. Na verdade, a conversa toda girava ao redor de um amigo do Leco que eu ficava na época. Melhor dizendo, que fiquei umas duas ou três vezes. Mas o que importa foi o efeito que “você é pra casar” provocou em mim. 

Sei que o que foi dito era para ser um elogio, mas naquele momento, naquele segundo, foi uma das maiores ofensas que ouvi na vida. Sim, sério. Tudo o que queria era ser pegável, não pra casar. Casar? Quem tava pensando em casamento naquele momento? Tá. vamos voltar mais um pouco no tempo para explicar algumas coisinhas pra vocês. Todo esse episódio aconteceu em 2010. Naquela época eu tinha 23 anos e tinha acabado de passar por uma das maiores transformações da minha vida, depois de ter perdido mais de 25 quilos (que já encontrei de novo ao longo dos anos). Só que mesmo assim, fisicamente diferente, ao me olhar no espelho via mais defeitos do que qualidades. Mais gordura que magreza e mais imperfeições acima de qualquer outra coisa.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Doce Setembro




Havia três coisas que ninguém mais aguentava recentemente: o mês de agosto, Babilônia e as minhas antigas poesias em forma de letra de música que povoaram este espaço nas últimas duas quartas-feiras. Para o bem de todos e felicidade geral da nação (que pretensioso eu...), os três acabaram praticamente juntos (mentira, ainda tem umas poesias guardadas aqui pra hora em que eu precisar).

Setembro, para mim, é um dos meses mais simpáticos do ano. É o mês de São Cosme e São Damião, data na qual me lembro de ter pego muito doce nas ruas até o início da adolescência, com as vias apinhadas de criança que seguiam como abelhas em bando atrás de um bocado de açúcar ao menor sinal da abelha-rainha de que havia descoberto um novo local onde os saquinhos brotariam “enquanto durassem nossos estoques”. Recordo-me que havia sempre aquela comparação da qualidade do saquinho de uma casa para outra, desde as cocadas, balas e pingos-de-leite, até a confecção do próprio saquinho – às vezes feito de um papel horroroso que rasgava e melava à toa.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Maxwell: Como Se Livrar de Um Escândalo




Alex e eu viramos a noite conversando. Expliquei pra ele qual era a ideia, ele achou absurda, mas concordou que poderia dar certo sim. Eu tinha certeza absoluta de que era o plano ideal. 

O dia passou arrastando, e eu morrendo de sono, mas começaríamos os preparativos naquela noite. Não podíamos perder tempo. Conversamos com uma amiga do Mauro, peguete/ficante/rolo/namorado do Alex, e ela estava disposta a nos ajudar. Nós íamos mudar totalmente a imagem do Alex. Facebook, Twitter, Instagram, Swarm (aquele que a gente usa pra dar check-in nos lugares), Google+, e se fosse preciso, até o LinkedIn nós iríamos usar. A ideia era simples: lotar os aplicativos com fotos do “casal”, Alex e Lorena, a amiga do Mauro. Restaurantes. Carrocinhas de cachorro-quente. Festas de família. Festas de amigos. Cinema. Picolé na padaria da esquina. Tudo. Claro que começaríamos aos poucos, em doses homeopáticas, como dizem, pra não levantar bandeira. Mas também não podíamos demorar muito, porque Mendez não me deixaria em paz, como não me deixou.