quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Cartas de Todas as Dores de Amor




Estava perdido em pensamentos na madrugada, até que cai em um canal no Youtube. Um menino - Daniel Pohl, o seu nome - fazendo covers de funk, mas com uma pegada mais intimista e que beirava ao indie. Fui pego de surpresa e adorei. Gosto muito quando a música se transforma e ganha novos formatos e algumas melodias e letras escrevem uma nova história. 


Sim porque música pra mim nada mais é do que cartas de amor ou desabafos que foram feitos, mas nunca entregues. Ou melhor, entregues de um jeito diferente. Música é algo que chega a ser estranho em alguns momentos. Muitas vezes é a melodia de uma canção que arrepia e não a voz de quem canta ou a letra que remete ao momento que deixou marcas. O instrumental, antes da letra ou até mesmo por conta dela, também carrega sua história. Sua parcela de trama e enredo sobre sentimentos, pessoas, reciprocidade ou término. A melodia de uma música pode ser tão misteriosa quanto o coração de quem compõe. 

Ao conversar – na mesma madrugada que descobri o menino que me fez ouvir quase tudo que tinha em seu canal de Youtube – com uma amiga, falamos sobre Elis Regina. Na verdade, eu perguntei se ela gostava da poesia de Chico Buarque. Falando sobre ele, impossível não citar Elis. Não falar sobre Atrás da Porta, o verdadeiro clássico da sofrência e de todos que já sofreram ou choraram por amor. Elis, ao interpretar essa canção, faz você se derreter. Se não derramar uma lágrima, ao menos fica sensível, pensativo. Elis mexe com a gente, não importa a época. Tocou, mexeu. Simples assim. Ela te faz sentir algo. 

Posso dizer que muito desse peso, da voz e das pausas sofridas no meio das músicas, vem do amor. Dos sentimentos recebidos e que são até desconhecidos da grande maioria das pessoas. Mas não foi de Elis, ela amou demais. Ela conheceu essa cilada que é amar, gostar, se doar e se apegar. Mas ela amou e isso é tudo o que importa no final. Não quero julgar se foi o cara certo. Não quero pensar nas variáveis de quem sofre pelo amor. Mas o amor é amor. Pode acabar de um momento para o outro, mas deixa marcas. Gostos. Cheiro e música tema. Seja dos momentos felizes juntos, seja da fossa pelo término. Mas o amor deixa uma música de presente pra você. Quer você queira... Quer não. 


Eu mesmo tenho minha trilha de amor. Aquela seleção de músicas para quando o meu coração bate diferente e eu fico horas pensando naquela pessoa X. Mas também tenho a minha seleção de música neutra. Sim, uma lista de músicas que não me lembram ninguém. Tenha sempre uma lista dessas, acho mais seguro.

Mas quem muito diz que quer se livrar do passado e não “vira o disco” em conversas com amigos, quer, na verdade, sofrer tudo de novo. É um jogo de sofrer e re-sofrer que chega a ser chato. E vamos combinar que algumas pessoas são viciadas em sofrimento, seja recíproco ou não. Mas no fim, tudo acaba valendo a pena. Não pelos amores terminados e corações partidos. Vale a pena porque você descobre músicas que vão além do flerte gostoso ou da paquera descompromissada.

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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