segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Devaneios, Confissões e Um Pouco Mais Sobre Mim





Eu já sonhei com casamento tradicional, constituir família, ter filhos. Hoje sou mega feliz com a família que tenho, com namorido e dois gatos lindos. E não importa o que digam, eu tenho a minha família.

Já fui noivo, já procurei imóvel e pensei em marcar a data do casamento. Acabei "casando" de uma hora pra outra, trocando alianças em Capri, apenas nós dois, na "cerimônia" mais linda que eu poderia ter imaginado pra minha vida.

Já fui hipócrita. Muito hipócrita. 

Já quis pra mim, com toda a força, uma felicidade plastificada de comercial de margarina. 

Já confundi amizade com paixão. Paixão com amor. Tesão com interesse romântico. 

Já fui completamente apaixonado por uma mulher a ponto de pedí-la em casamento para que ela não se casasse com outro e me deixasse (e ela me deixou, casou com o outro, voltou e pediu pra ficar comigo. Eu a esnobei). 

Já fui amante. 

Já fiquei na merda total por alguém, pedindo migalhas de atenção, carinho ou o que quer que fosse lançado em minha direção. 

Já desprezei, humilhei e brinquei com os sentimentos alheios, sem sequer pensar no que estava fazendo e, pior, não me importando muito com isso. 

Já disse não querendo dizer sim. E já disse sim querendo dizer não. 

Já pensei que algo fosse pra sempre e vi o pra sempre ser dissipado de uma hora pra outra, sem aviso ou explicação. Mas também já achei que algo seria passageiro e vi durar e durar e durar e continuar durando até hoje. 

Já fui ousado, destemido, pró-ativo e intrometido. E já me acovardei e me escondi. 

Já chorei assistindo filme, novela e seriado. E já olhei estarrecido e sem entender porque alguém chorava pela morte de um cachorro, de um gato ou de um papagaio. E, anos depois, me vi soluçando com a morte de Philip (um gato) e apavorado com a possibilidade de ver o Wolfgang partir.

Já acordei de mau humor, querendo apenas que o dia terminasse logo. Mas já acordei feliz, com vontade de sair cantando, cumprimentando estranhos e querendo que aquela sensação não acabasse nunca. 

Já tomei porres memoráveis, fiquei bêbado, vomitei em cima da mãe do um amigo no baile de sua formatura. E já fui o único sóbrio num grupo de amigos, tendo que carregar bêbados e dirigindo enquanto todos dormiam e roncavam dentro do carro.

Já desejei imensamente alguém que eu achava lindo de morrer e, quando finalmente transei com a pessoa, achei o sexo uma merda. E já fui pra cama com alguém com quem eu não nutria nenhuma expectativa e me surpreendi com um desempenho espetacular. 

Já fui embora de casa pra nunca mais voltar quando, fui até a esquina e me dei conta de que estava quase na hora de começar o meu programa de TV favorito e voltei correndo, me esquecendo completamente que a ideia era partir pra sempre.

 Já fiz muita coisa nessa vida. Mas quero fazer ainda muito mais…

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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