quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Doce Setembro




Havia três coisas que ninguém mais aguentava recentemente: o mês de agosto, Babilônia e as minhas antigas poesias em forma de letra de música que povoaram este espaço nas últimas duas quartas-feiras. Para o bem de todos e felicidade geral da nação (que pretensioso eu...), os três acabaram praticamente juntos (mentira, ainda tem umas poesias guardadas aqui pra hora em que eu precisar).

Setembro, para mim, é um dos meses mais simpáticos do ano. É o mês de São Cosme e São Damião, data na qual me lembro de ter pego muito doce nas ruas até o início da adolescência, com as vias apinhadas de criança que seguiam como abelhas em bando atrás de um bocado de açúcar ao menor sinal da abelha-rainha de que havia descoberto um novo local onde os saquinhos brotariam “enquanto durassem nossos estoques”. Recordo-me que havia sempre aquela comparação da qualidade do saquinho de uma casa para outra, desde as cocadas, balas e pingos-de-leite, até a confecção do próprio saquinho – às vezes feito de um papel horroroso que rasgava e melava à toa.

Hoje em dia a tradição se perdeu bastante, mas ainda sou um dos que buscam manter a mágica do saquinho de doces. Junto com a instituição religiosa da qual faço parte, distribuímos, ainda, brinquedos para as crianças, muitas delas de áreas carentes. Época colorida e mais contente do ano não há!

Setembro também é o mês no qual a famigerada estação do Inverno vai embora (esperem só até o ano que vem para eu falar, com toda a minha rabugice, o quanto odeio o Inverno – que esse ano mal existiu, graças a Deus!) e dá a vez à Primavera. Existe nome de estação mais bonito que esse? Sim, eu tenho uma prima chamada Vera e fazia muito essa piada quando era pequeno. Mas o período parece que carrega cheiros, flores e cores em torno de si – mesmo em uma cidade com estações do ano não muito bem definidas quanto o Rio de Janeiro.

Setembro costuma ser o mês no qual eu tiro parte das minhas férias. Tudo bem, esse ano não deu pra ser, empurrei um pouco para outubro. Mas foi nesse pedacinho do ano que conheci lugares incríveis como os Lençóis Maranhenses e Buenos Aires. Viagens que guardo na memória com muito carinho, com certo saudosismo de repetir.

Também foi em um Setembro, o de 2012, que lancei o meu primeiro livro solo, Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades. Um sonho de menino, com contos que havia escrito dos 18 aos 20 anos e guardado em uma coletânea para um dia publicar. Uma das minhas maiores realizações pessoais até hoje. Lotar aquela Livraria da Travessa em Ipanema e ver o meu livro se esgotar em pouco mais de uma hora, revendo amigos de longa data misturados a conhecidos de pouco tempo ou mesmo desconhecidos, foi uma apoteose.

Até mesmo uma das passagens mais tristes e tenebrosas de nossa história, o atentado ao WTC em Nova York, no dia 11 de setembro de 2001, deixou uma marca especial para o mês. Claro que as vidas ceifadas nunca serão devolvidas e muito menos celebradas (exceto pela Al Qaeda...), mas essa data se tornou um marco na nossa história recente – e, por que não, mudou os rumos dela. Foi o dia em que eu tive a absoluta certeza de que estava vendo História com os meus próprios olhos. Uma nova era se iniciava na humanidade, tal como a queda da Roma Antiga, as Grandes Navegações ou a Revolução Francesa.

Setembro é um mês único. Tudo bem que ter o mês do desgosto como antecessor não eleva tanto o nível de exigência para ser melhor. Mas ainda assim, há toda uma atmosfera mágica em torno desses 30 diazinhos que, logo, logo, darão lugar a Outubro e sua lembrança de que o ano já está perto de acabar. Aproveitemos enquanto é tempo o doce mês que se inicia.

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor do livro Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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