terça-feira, 22 de setembro de 2015

Esses Empecilhos Bestas do Cotidiano





Outro dia estava eu no Twitter, aquela rede social maravilhosa, e fiz uma perguntinha na timeline. O bom dessa rede social é que muitos assuntos acabam gerando discussões divertidas, interessantes, informativas, enfim. Aí eu joguei a seguinte pergunta: 
"Você tá afim do boy, mas o boy tem nome estranho. Pega ou passa?"
Foram vááááááárias respostas, umas mais tímidas, dizendo que colocava um apelido fofo e pegava, outras nem tão tímidas assim, dizendo que eu não ia chupar o RG do cara, então era pra ir.

A bem da verdade é que essa pergunta surgiu de uma conversa que eu estava tendo com amigos, e resolvi saber a opinião das arrobas que trocam nudes mensagens comigo todos os dias, porque o Twitter é isso, um grande boteco virtual, onde a gente assiste futebol, novela, filme, série, todo mundo junto.

Eu decidi na hora que isso tinha que virar um texto, porque quando se começa a escrever num blog, noventa por cento do que acontece na sua vida acaba sendo assunto pra um texto, e essa do nome estranho precisava virar texto, porque faz parte dos empecilhos bestas do cotidiano que nós mesmos criamos.

Às vezes, você tá esperando do Matheus o que o Astrogildo te oferece, e você gosta do Astrogildo, não há nada errado em se chamar Astrogildo, mas você, assim como eu, se pega pensando: 
"Como que eu vou dizer pros meus amigos que tô afim de um cara chamado Astrogildo?! E como que coloca um nome desse no convite de casamento?!"
Aí você opta por ser ignorado(a) pelo Matheus, que tem um nome comum, aceitável, digamos assim, aos olhos dos seus amigos e da sua família, como se isso fosse o mais importante.

Às vezes, o Roberval te leva flores e você fica com o rosto corado, aquele sorriso bobo nos lábios, mas o cara chama Roberval, e você pensa na parte estética do relacionamento, e não no que sente por ele, então você procura um Bruno, um Alex que te faça ruborescer, que te leve flores e que te deixe com o mesmo sorriso bobo, mas não consegue achar, e prefere deixar o Roberval escapar pelas suas mãos, porque não se imagina casada(o) com um Roberval, como se fosse um crime, como se fosse algo de muita importância, o que nós sabemos que não é.

Aí você fica com o celular na mão o dia todo, esperando uma mensagem do Fernando, mas ele não manda, enquanto você apaga, sem ler, as mensagens que o Valdisnei te mandou, daquele jeito que você gosta, mas o nome dele te incomoda, não fica legal no convite de casamento, no status do Facebook, ou quando você diz pros seus amigos.

Qual é o empecilho que você anda criando pra ser feliz? Se joga, se liberta, viva, não por aparência, mas por prazer, por querer. Fodam-se as aparências, o que os outros vão pensar? Ah, é problema único e exclusivo deles.

(O Ministério do Barba Feita gostaria de informar que não temos absolutamente nada contra nome algum, e que o criador deste texto encontra-se disponível para esclarecimentos, rodízio de massa, uma cervejinha no bar, domingo na praia...)

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, é o colunista oficial das terças no Barba Feita. Tem aproveitado a fase de solteiro para viver tórridos casos de amor. Com os personagens dos livros que lê e das séries que assiste, porque lidar com o sofrimento do término com personagens é bem mais fácil do que com pessoas reais.
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Um comentário:

J. M. disse...

Adorei o texto, Glauco! E concordo plenamente que os seres humanos precisam viver o que tem vontade, o que vai no coração e não o que prega a sociedade que é certo ou errado.
Se fizermos o que nos dizem que é certo, como poderemos ser genuinamente felizes?
Voltarei aqui para ler sua coluna às terças! Abração.