segunda-feira, 14 de setembro de 2015

O Super-Homem e Eu




Era ainda a primeira metade de 2007. Não lembro o dia ou mês, mas sei que foi depois do carnaval e antes do meu aniversário. Naquela época eu morava no interior, era hipócrita pra caramba e adorava perder tempo no chat da UOL com o singelo nick de Autor. E foi assim que ele puxou papo comigo. 

Clark diz: afim de marcar uma parada real? 
Autor diz: oi? como assim? 
Clark diz: gosto de agilidade… tenho 34 anos, casado, moreno, cabelos pretos e lisos, olhos castanhos e quero uma real com outro homem. 
Autor diz: hum… interessante… vamos para o MSN 

No MSN (meu Deus, que jurássico!) descobri que ele era médico, morava no Rio, mas que dava plantão em um hospital de Petrópolis, onde eu morava, duas vezes por semana. Ele queria a todo custo marcar uma ‘real’ para o dia em que ele tinha plantão, eu não tinha nada pra fazer mesmo, pela foto parecia muito bonito e acabei topando. Foi quando ele disse. 

Clark diz: mas eu tenho uma fantasia, será que pode realizar? 
Autor diz: fantasia? de que tipo? 
Clark diz: gosto de imaginar que sou o Super-Homem na hora do sexo. 

Eu ri, né? Acabou que marcamos de nos encontrarmos na semana seguinte e foi o que ocorreu. Ele realmente era a pessoa da foto, mais bonito pessoalmente, por sinal. Conversamos um pouco, tomamos um café e fomos pro motel. Afinal, o que a gente tinha era pressa. 

Chegamos ao motel, eu me sentei na cama, tirei o sapato e, quando olhei, ele estava parado no meio do quarto, mãos posicionadas na cintura, olhar duro. 

- O que foi? - eu perguntei. 
- Lex, Lex, você não toma jeito! Se fazendo de desentendido? - ele respondeu. 

Eu juro que tentei me segurar, mas não consegui. Caí na gargalhada. 

- Lex, do que está rindo? Qual é seu plano para dominar o mundo dessa vez? Irei te impedir. 

Ele continuou e veio em minha direção. Eu olhava incrédulo, sem saber se ria ou se me preocupava. A poucos metros de mim ele se ajoelhou como se sentisse dor. Eu arregalei ainda mais os olhos e ele não parava de falar. 

- Kriptonita, Lex! Você quer me matar. Sinto kriptonita em você. Mas é uma kriptonita diferente, uma kriptonita que me atrai, que me puxa como um imã. 

E veio com suas mãos em direção à minha área genital. Pegou por cima da calça e começou a massagear. Eu, que sempre fui um puto puro, esqueci da situação ridícula e acabei ficando excitado. Ele me engolia e dizia que era a kriptonita mais saborosa que ela já havia provado, que o deixava enlouquecido e não fraco. O pior de tudo é que a loucura dele ia me excitando cada vez mais. 

Até que ele se posicionou e ordenou:

- Lex, mostre para mim como a kriptonita deve ser utilizada. 

E eu mostrei. Ele, empolgado que só, se divertia com a brincadeira. Eu, juro, fiquei um pouco constrangido, mas me diverti também, não vou negar. Mas, ao final de tudo, depois de ouvir sobre os poderes curatórios apresentados pela minha kriptonita e com a situação pra lá de absurda me deixando totalmente sem conseguir controlar minha vontade de rir, fomos embora. 

E durante muito tempo, enquanto o MSN existiu em minha vida, ele aparecia online perguntando quando o Lex aqui teria um tempo para uma conversinha com o Clark. 

Hoje, relembrando daquele dia em 2007, consigo ver ele me deixando de carro na frente do hospital onde trabalhava depois que saímos do motel e eu gargalhando e ligando para um dos meus melhores amigos para contar essa história surreal. Eu ria muito e meu amigo mais que eu, que não se aguentou e disse:

- Meu amigo é Lex Luthor. Já tô imaginando ele querendo que da próxima vez você seja o Robin, do Batman, ou pior, o Mestre Splinter, das Tartarugas Ninja. 

Pois é… Oito anos depois e eu divulgando essa história na cara de pau e, confesso, com um pouquinho de vergonha. 

Afinal, já me aconteceu cada coisa nessa vida que, contando, ninguém acredita.

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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2 comentários:

Mike disse...

auhauhauahuahuahauhauhauahuahauhaahuah

e agora toda vez que te ver, lembrarei de Lex Luthor.

sem mais.

Shirley disse...

a boa e velha antena parabólica pra malucos de plantão, hein? só toma cuidado quando encontrar com o Hulk, ok? :-P bjuuu