sábado, 12 de setembro de 2015

Recordações de Um Crime




Beijou-lhe os lábios. Ofereceu-lhe uma Coca-Cola. Pediu pra que passasse aquela tarde com ele. Confuso, com os olhos arregalados e o coração acelerado como uma batucada de tambores, não sabia o que pensar. O homem tinha mais de 40 anos. 

Seu pai saiu do banheiro. Ficou tentado com a proposta, mas preferiu voltar pra casa com o pai. Estava excitado e nervoso. No caminho de volta pra casa, lembrava das sensações, da forma como havia sido tocado. Era assustador, era bom. 

O homem estava debilitado, há pouco tempo havia perdido a visão. Os familiares não gostavam de deixá-lo só em casa, por isso sempre arranjavam alguém pra fazer-lhe companhia. Quando ele o tocou daquele jeito não parecia cego. Naquela tarde, o pai queria deixar-lhe fazendo companhia ao velho amigo que não estava enxergando. Ele teve medo, apesar do frêmito de excitação e da curiosidade. Na cama, enquanto tentava pegar no sono, se inquietava relembrando a surrealidade daquela situação. 

Passou os dias ansioso por encontrar-lhe de novo. Será que ele o beijaria novamente? Será que estaria apaixonado? Como poderia ser, era um homem casado. Achava-a querida, gostava dela. O que estava acontecendo? Por que ele tinha feito aquilo? Precisava de respostas. 

Da segunda vez que ficaram sozinhos propôs-lhe uma brincadeira. Pediu que fechasse os olhos. Foi até a geladeira, pegou um pote de goiabada e disse para manter os olhos bem fechados. Abriu o zíper da calça, colocou o pênis pra fora e com o membro rijo em direção à sua boca jovem, macia e rosada, exalando o puro frescor da inocência, mandou-o que lambesse suavemente com a ponta da língua e sem abrir os olhos em hipótese alguma, o doce que ele teria que descobrir qual era apenas pelo paladar. Aproximou a língua com receio da glande à sua frente. O sabor azedo não lhe lembrava doce algum. Sentiu-se ludibriado e abriu os olhos. O homem recompôs-se ligeiramente, mostrando-lhe o doce de goiaba. O gosto que tinha sentido nada tinha a ver com goiabada, ficou confuso. O homem percebendo sua desconfiança e desconforto, não tentou mais nada naquele dia. 

Noutra ocasião, em um almoço de domingo, as famílias se reuniram. Após a refeição, o homem recolheu-se. Ele também sentiu vontade de tirar um cochilo. A esposa disse-lhe que se deitasse com seu marido. Na cama do casal, o homem recostou-se em posição fetal atrás dele e friccionou em movimentos crescentes seu membro, pedindo que ele o tocasse. Virou-se de frente pro homem e quando tocou seu sexo duro ficou admirado, nunca tinha visto daquele tamanho. Estava excitado como nunca antes. Suas mãos pequenas e macias faziam movimentos de vai e vem que deixavam o homem atordoado de prazer. Explodiu num gozo farto e silencioso, enquanto as pessoas na sala assistiam televisão. Mais uma surpresa, mais um susto. Imaginou que tivesse machucado o homem, que se esvaía em sangue, um sangue branco e viscoso que ensopava a cama inteira e que ele nunca tinha visto igual. Quis saber o que era. Leitinho quente feito especialmente pra ele, disse-lhe o homem, mandando-lhe experimentar. Ele não quis. Achou estranho. Sentiu um pouco de nojo. 

O homem começou a tocá-lo depois. Teve seu primeiro orgasmo, mas o leite não saiu. Quando percebeu que ele tinha atingido o clímax, sussurrou no ouvido do menino de 7 anos, que aquele seria um segredo só deles.

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Leandro Faria  
Esdras Bailone, nosso colunista oficial do Barba Feita aos sábados, é leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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