domingo, 13 de setembro de 2015

Relações Sorodiscordantes: Você Namoraria Alguém Portador do Vírus HIV?




Você namoraria uma pessoa que vive com HIV/Aids? 
Essa pergunta pode parecer estranha, mas é feita diariamente por milhares e milhares de pessoas ao redor do mundo. Eu estenderia a pergunta a outras doenças: você namoraria com uma pessoa com pressão alta? E com uma pessoa com diabetes? E com uma pessoa que tivesse problemas de depressão?

Ai você me diz: mas são coisas completamente diferentes! E eu te digo: sim, são! Assim como as pessoas são diferentes e nem todo mundo gosta de verde. Na verdade, uma coisa que une todas essas pessoas, sejam soropositivas, com pressão alta, diabetes ou depressivas, é o direito a ter uma pessoa ao lado, se assim elas quiserem. Afinal, o amor é uma das coisas que mais alimenta o espírito e, consequentemente, o corpo. Bonito isso, né? Vi num post do Facebook e diziam que era da Clarisse Lispector...

Agora, imagine que seja você a pessoa portadora de um dos agravos que citei acima e ao contar ao seu futuro príncipe encantado, você escutasse um “mil desculpas, mas eu não consigo conviver com isso!”. Você já teria um baita problema de saúde para carregar e, agora, teria uma coisa a mais na sua cabeça: o medo de ser rejeitado mais uma vez... Cara, você pode estar perdendo a oportunidade de viver uma história de amor incrível!

Mas, por que estou falando isso aqui? É que devíamos considerar outras coisas ao escolher uma pessoa para nos relacionar. A maneira como ela te trata, se é leal contigo, se te acompanha, se é bem-humorada. O estado sorológico deveria ser pouco relevante, uma vez que existem muitas maneiras de se proteger em uma relação sorodiscordante (quando uma pessoa é soropositiva e a outra não). A camisinha, por exemplo, é uma maneira super ultra mega blaster fucker eficiente. E, se a camisinha romper? Existe a profilaxia pós exposição, também conhecida como PEP. E se o receio ainda persistir, saiba que estudos comprovam que quando um soropositivo toma corretamente os medicamentos contra o HIV, o risco de infectar um parceiro sexual, mesmo em relações sexuais completas sem camisinha, é muito muito baixo. Mas isso não quer dizer que você deva abrir mão da prevenção, hein? Se liga!

Infelizmente, o maior problema do HIV é que ainda existe muito medo em se fazer o teste e isso cria um problema enorme, pois quando não se sabe, não se tem a chance de se tratar e, consequentemente, melhorar muito a saúde do portador e evitar a transmissão. Sabemos que pessoas que conhecem seu estado sorológico cuidam melhor da sua saúde e da saúde dos seus parceiros sexuais. Você sendo gay e já tendo transado com mais de dez homens, por exemplo, saiba que existe uma grande possibilidade de já ter feito sexo com um soropositivo, pois a prevalências entre nós, gays, é de cerca de 10%.

Se você pensa que uma pessoa que vive com HIV é uma pessoa aparentemente doente, magérrima, que fica deitada em uma cama, que não trabalha, viaja e que não leva uma vida normal, posso te dar o meu exemplo e te dizer que já vivo há treze anos com esse vírus mal criado e que vou muito bem, obrigado! Aliás, vivo um relacionamento sorodiscordante há mais de quatro anos e sou casado há um ano e meio. E o que o meu marido pensa sobre o HIV? Nada! Ele nem lembra disso, até porque não vivemos para o vírus. Para ele, o que importa é o que sou pra ele. Até porque, ele tem hipotireoidismo e também toma medicamentos todos os dias pelo resto da vida.

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Leandro Faria  
João Geraldo Netto é marketeiro, barbudo, gay, soropositivo, ativista, apaixonado, inquieto, metódico, chato e muitas outras coisas. E o responsável pela coluna mensal Conversa + aqui no Barba Feita.
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17 comentários:

Unknown disse...

Lindo, tbm vivo um amor sorodiscordante a9 anos e o vírus só é lembrado qdo é dia de consulta ou buscar medicação. Esse texto deveria ser publicado em rede nacional.

meire Gomes disse...

Lindo, tbm vivo um amor sorodiscordante a9 anos e o vírus só é lembrado qdo é dia de consulta ou buscar medicação. Esse texto deveria ser publicado em rede nacional.

Eduardo Lima disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Eu viveria sim, afinal o melhor combate ao preconceito é a informação! E sabemos que uma pessoa que está se tratando oferece menos risco de contaminar alguém do que quem não sabe que tem o vírus!

Anônimo disse...

Eu vivo um amor sorodiscordante, e te digo, ele é a melhor coisa que já me aconteceu. Indenpendente dele ter o vírus ou não, eu o amo como pessoa e isso não importa em nada, nos estamos é felizes. Vamosfazer 10 meses.

Anônimo disse...

Comecei um relacionamento sorodisc. há uns meses, e o hiv não desqualifica em nada o parceiro tão especial que encontrei.

Reinaldo Widmer disse...

Adoro os textos do João!

Jucelio disse...

Ficaria sem nenhum problema com um soropositivo, desde que me interessasse por ele

Jucelio disse...

Era pra ter um grupo no whats pra podermos conversar com essas pessoas, ai quem sabe num aconteça um relacionamento

Eduardo Silva disse...

Olá, sai com um + durante seis meses.
Fiquei um pouco surpreso quando ele me contou, mas em nenhum momento isso foi um empecilho para nos relacionarmos.
Acho que o fato do meu melhor amigo ser + também contribuiu para que eu não me importasse com a condição do meu parceiro.
Agora falando sobre rejeição, meu BBF está conhecendo um cara, e está apavorado com a possibilidade de rejeição.
Ontem conversei com ele que o melhor a fazer é tentar, já que ele está super a fim do cara e é correspondido.
- Amigo, se joga!

Ótimo texto!
PARABÉNS 😤!

Anônimo disse...

Realmente o texto é lindo, bastante esclarecedor e desmistifica essa questão de entre sorodescordantes. Mas confeção que de primeira assusta...na verdade apavora o fato de ter que falar para o outro que és soropositivo. O medo da rejeição e de muitas outras coisas que podem vir no pacote acaba me paralisando e impedindo de dar esse passo, mas vou dar. Se não for com ele, um dia será com outro...
Amigo, obrigado pela força! TE AMO!!!

Anônimo disse...

Sou soropositiva (pois é, female) desde que nasci (transmissão vertical) Não tenho problema de falar e orgulhosamente digo e repito: camisinha always \o/ Sou bem resolvida com isso, posso ser mãe um dia e tudo. Meu problema sempre foi outro, muito bullying por não cumprir um padrão hollywood quando era adolescente (to com 26). Sai da depressão e preciso de conselhos de maquiagem agora :p

Anônimo disse...

podiamos fazer um grupo de wattsapp para converssarmos sobre o assunto...sou S- e namoro um S+...ele é minha vida!

Anônimo disse...

quem se interessar deixe o numero abaixo que contruo o grupo!

Anônimo disse...

Tenho 39 anos e estou começando a namorar um cara que conheci. Pela primeira vez amo e sou amado. Pela primeira vez me sinto seguro. Nos conhecemos e nos nossos encontros fomos nós aproximando e descobrindo um ao outro com uma intensidade total. Neste fds eu pedi ele em namoro. E... tivemos uma conversa: ele é soropositivo há 7 anos, mantém-se em tratamento e possui carga viral indetectável. Foi, de alguma forma, um choque para mim. Mas em nenhum momento pensei nada diferente de que: esse cara é muito especial, esse cara é tudo o que sonhei, não me importo com a sua soropositividade. Vou aprender a respeitar as especificidades dessa condição, para poder ter a honra de tê-lo ao meu lado, me trazendo alegria e fazendo da minha vida um dia de sol! A propósito, ele aceitou!

Anônimo disse...

Sou soro + a 2 anos e nesse período sai com 4 caras nenhum quis continuar a ficar comigo depois que descobriram. Todos eles me magoaram com palavras e um deles ainda teve a coragem de insinuar que eu era prostituta ( nada contra elas) mas associar o fato de eu ser soro + com promiscuidade e uma realidade latetente entre os homens héteros, eles acreditam que só quem contraem o virus são gays e prostituta. Estou bem frustada no campo afetivo pois não consigo engatar um relacionamento e não quero me esconder nem ficar inventando mentiras por conta dos remédios acho que seria bem pior. Não sei se as outras mulheres têm a mesma dificuldade ou já passaram pelo que estou passando mas é bem humilhante este sentimento.

Valber disse...

Acompanhei seus posts e seus belos textos no "Barba Feita".
Me identifiquei bastante, é que no caso, você está num nível mais distante do meu.

Me descobri portador do vírus em Abril desde ano, tive um semestre muito intenso (do início até agora), enfrentei a AIDS, perdi 25kgs e consegui recuperar-me quase que perfeitamente... agora falta pouco.

Meu relacionamento acabou, e infelizmente a doença tem um pezinho lá. 😕
Meu namorado até lembra um pouquinho do seu marido.

Namorado não né? Ex-namorado.

Sucesso pra você!
Feliz em saber que você teve sucesso, e isso me inspira.
Espero conseguir chegar lá também. :')

Um abraço!