sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Sobre Gostar ou Não Gostar




Eu não gosto de futebol, nunca gostei. Sempre achei um esporte chato demais, com aquele bando de homem correndo atrás de uma bola. Mas eu gosto dos jogadores, sempre gostei; sempre gostei de homem. Não lembro a época que não gostei ou gostei menos ou achei eles menos suportáveis. Mas futebol não. Futebol é chato. 

Sempre gostei de artes maciais, boxe e afins. Ver dois homens se agarrando suados, um em cima do outro, torço, vibro. É violento, eu sei, mas é meu lado guilty pleasure. Posso extravasar, posso achar que tudo vai acabar ali, que aquela violência só existe ali e que nas ruas as pessoas se respeitam. Pelo menos até soar o gongo e anunciar o próximo assalto. 

Nunca gostei de bola de gude. Manipular coisas pequenas em minhas mãos não dá certo. Me atrapalho. Bola de gude requer destreza. Lembro que tinha várias, mas eu só gostava porque achava bonito. Lembro de uma única vez ter jogado, e com minha mãe, na cozinha de casa. De resto eu só comprava e guardava em casa, nunca joguei com ninguém na escola, tinha receio de perder, os meninos jogavam à vera. 

Gosto de jogos de tabuleiro. Banco Imobiliário, Scotland Yard, Detetive, Imagem & Ação. E gosto de damas, dominó, jogos de cartas, Super Trunfo... Estes jogos marcaram minha infância, marcam ainda porque muitos destes ainda jogo. É bom ser bom em algo. É bom vencer de vez em quando. Lembro que quando era criança nunca me interessei por pingue pongue mas, já crescido quando descobri o jogo de verdade, vi que não era tão ruim assim, acho que perdi muito tempo sendo envergonhado. Por outro lado, nunca deixei de brincar. E no recreio adorava polícia e ladrão, pega-pega. Em casa brincava sozinho com meu Lego. 

Odiava esconde-esconde. Coisa chata. Preferia amarelinha. Mas diziam que era coisa de menina. Como as pessoas são bobas! As meninas brincavam de elástico, nunca entendi aquilo. Trocavam papeis de carta, mas para que tantos papeis de carta se nunca mandariam cartas para ninguém? Eram enormes grupos de meninas trocando papeis de carta. E nem faz tanto tempo isso. O que será que trocam? Melhor não saber. 

Gostava de bonecos. Não de bonecas.

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Leandro Faria  
Serginho Tavares é um apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), da TV e da literatura. Adora escrever e é o colunista oficial do Barba Feita às sextas. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência até a praia e mantenha sempre os pés bem firmes na terra.
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