quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Uma Viagem Muda Você





Nós mudamos. E mudança é algo tão maluco que todos aqui do Barba Feita já falamos sobre isso. Sim, nós mudamos muito e por inúmeros motivos. Seja pelo início de um relacionamento, o término de outro, um pé na bunda no meio do caminho ou a simples constatação de que “ele” não está tão afim de você. Mudamos por nós mesmos. Por aprender algo novo com a vida; em um livro, filme, música ou aquela série de tevê que nos faz sentir. Mas nós mudamos.

Eu, por exemplo, não sou mais o Silvestre de algumas semanas atrás. Sério, não sou mesmo. Há três semanas embarquei rumo à São Paulo e todas as suas particularidades. Não foi minha primeira viagem pra lá e espero que não seja a última. Mas foi a primeira vez que me vi me descobrindo em São Paulo.

Primeiro preciso contar uma coisa pra você. Em 2008, sim, sete anos atrás, tinha um plano bem simples: me embebedar na noite paulistana, mais especificamente em uma balada na Augusta, e  de quebra me jogar na vida. Algo meio Alice se jogando pela toca do coelho. Esse meu desejo, aliás, veio de uma ALICE. Mas não a tão famosa das páginas dos livros e dos filmes que tentam captar seu universo, repetidamente sem sucesso. Minha Alice nesse caso era interpretada por Andreia Horta e São Paulo foi, durante os 13 episódios da primeira temporada da série exibida na HBO, seu País das Maravilhas.

Em 2008, São Paulo era mais um mistério do que uma certeza (e continua sendo um mistério até hoje. Não se engane. É um lugar bastante singular.). O que sabia da cidade eu via pela televisão, seja novela ou noticiário. São Paulo, naquele momento, só através de uma tela. Até que deixou de ser. Fiz amigos que moravam na misteriosa terra e fui conhecendo seus pequenos mistérios, ida após ida. Mas também fui medroso. Sim, tive uma chance de me jogar com tudo em outra cidade e acabei por preferir continuar no lugar onde nasci e focar em meus objetivos na época. Olhando hoje, tudo é tão ínfimo. Mas fiz minha escolha e não me permiti me conhecer em São Paulo. Só que mudamos. O fato de continuar no Rio de Janeiro, continuar com minha vida e meu porto seguro, também me modificou. Certezas que defendia com unhas e dentes hoje já não são certezas. E me vejo menos firme em coisas que antes, ah, antes eu bateria no peito afirmando e defendendo e ainda julgando quem fosse contra. Moral da história? O ato de ficar, não ir e não arriscar, também me modificou. Nós mudamos até quando evitamos a mudança. Isso não é maravilhoso?

Mas voltando ao que passei na minha última viagem. Eu conheci uma São Paulo totalmente diferente do que encontrei das últimas vezes. Eu me vi andando por aquelas ruas e querendo descobrir mais. Conheci pessoas e, de repente, percebi que não estou cansado de conhecer gente nova, como comentei outras vezes por aqui. O que estou cansado é de conhecer cópias. Gente que repete comportamento de outras pessoas para tentar ser diferente, ser interessante e não ser entediante. Mas não funciona assim. Não dá pra tentar ser alguém que você não é. Bem, tentar até que dá, mas hoje em dia o original acaba chamando mais atenção e se destacando naturalmente.

Eu me vi aprendendo coisas novas e querendo aprender mais ainda. Me vi sorrindo por motivos simples, e feliz por estar andando por mais de 15 quilômetros, sabendo que levaria mais um tempo pra chegar, e não reclamando disso (apesar de respirando com dificuldades. Culpa da minha vida sedentária). Me senti feliz por redescobrir que somos uma caixinha de surpresas e que nós mudamos muito quando não esperamos mudar em nada. É possível mudar todas suas certezas em uma única semana e definir novos objetivos para o futuro.

Uma viagem muda você, permitindo ou não, mas muda.  

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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