quarta-feira, 7 de outubro de 2015

#BarbaUmAno: Je Suis Silvestre




Eu era um recém-chegado à equipe do Barba Feita (havia pouco mais de um mês), quando me deparei com esse texto do quase-vizinho Silvestre Mendes. Foi no dia 15 de janeiro, logo após o atentado à redação do periódico francês Charlie Hebdo, no qual se conheceu mundo afora a expressão "Je Suis Charlie" como forma de protesto.

Protestar é um direito garantido, uma forma de expressão legítima e constitucional. Mas o que o Sil, para os íntimos, nos alerta é justamente que a humanidade chega a um ponto que um direito parece se tornar um dever. É realmente necessário termos que emitir sempre a nossa opinião em tudo? Em nos posicionarmos, tantas vezes de forma odiosa, pelas redes sociais?

Deixo com vocês um dos meus textos favoritos do Sil, Je Suis: Egalité, Liberté & Beyoncé. E com a sua pergunta para reflexão pertinente: "Se todo mundo está gritando, quem irá ouvir?"
Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor do livro Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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Je Suis Egalité, Liberté & Beyoncé

Estou cansado. Entra polêmica e sai polêmica, as redes sociais são invadidas por opiniões ácidas, às vezes, conservadoras, mas que em sua grande maioria pertencem a pessoas que pensam estar, intelectualmente, acima do bem e do mal. Todo mundo apoia tudo, é contra tudo e sabe de tudo! Ninguém tira um tempo para tentar entender (se é que existe como) o que de fato aconteceu.

Afinal, o que é verdade nos dias de hoje, além das notícias compartilhadas por aí na sua timeline? Quem tira uns cinco minutos do seu tempo para ver se algo que é dito em poucos caracteres e uma imagem, é verdadeiro?

A grande realidade é que todo mundo é porta voz de alguma coisa hoje em dia. Seja da liberdade, seja do controle sobre o humor feito em tiras de jornal ou em vídeos semanais na internet, seja por defender um ponto de vista retrógrado ou, até mesmo por ser contra todo mundo e achar que todos estão/são errados! O que acontece é que hoje todo mundo abraça uma bandeira e se diz fazer parte de uma causa, mas no fundo não sabe ao certo por quem de fato está lutando.

O que importa é berrar pra ser ouvido. Exigir que uma mudança aconteça e que os inimigos da boa vontade, queimem no fogo do inferno. Sai o papel de “entender o que se passa”, para impor o que se bem entende. Acredito até que, de certo modo, já fui assim. Bati muita boca, escrevi inúmeros textos e compartilhei tantos outros. Mas me encontro em um momento em que prefiro só observar. Quero parar e entender. Entender o que está acontecendo com o mundo e com as pessoas. Tá tudo muito estranho. O clima está pesado, as pessoas estão mais arredias. É como se uma guerra, não tão silenciosa, estivesse pronta para estourar e fazer vítimas por todos os lados.

O problema é que ninguém está preparado para os estragos de uma guerra. Física ou psicológica. Perde-se de todos os lados. E engana-se quem acha que batalhas travadas pelo Facebook não produzem vítimas. É possível magoar pessoas (conhecidas ou não). Muitos vomitam aquilo que pensam em um momento de raiva e não percebem que podem ferir alguém próximo, que pode estar até ao seu lado e que não tem ideia do que está acontecendo. Mas o ódio agora é digital. A vontade de cuspir pensamentos ideológicos não permite que isso (que você pode magoar alguém bem próximo) seja percebido.

A guerra atual envolve todo mundo. Todas as pessoas estão defendendo o que sentem e pensam. Inclusive aqueles que estiveram por anos calados ou obrigados a se manterem assim. Todos deram um basta. E até certo ponto, acho lindo. O grande x da questão não está em se manifestar, mas em como exigir respeito. Se todo mundo esta gritando, quem irá ouvir?

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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