sexta-feira, 16 de outubro de 2015

#BarbaUmAno: Sobre Ter Educação e Fé





Política, religião e futebol não se discutem. Será? O que mais vemos nas redes sociais são pessoas deflagrando seu ódio em cima dos gostos ou opiniões alheias. Educação foi algo mandado às favas hoje em dia. Todos se acham no direito de ofender, todos se acham no dever de se sentirem superiores aos outros. E o que poderia ser um simples debate numa mesa de bar, vira uma guerra. Tsc, tsc...

Sobre este assunto, meu amigo Leandro Faria Chaves escreveu ano passado. Por sinal foi seu primeiro texto aqui no Barba e vale muito a pena ser trazido novamente à tona, porque a cada dia as pessoas estão se tornando mais estúpidas, infelizes e amargas.

A felicidade do outro incomoda, não deveria, mas incomoda. Pensar diferente é um problema. E ler comentários em sites é vergonhoso, se já não bastassem os terríveis erros gramaticais, ainda temos que ver o ódio contra qualquer pessoa que diga algo que seja fora do comum.
Leandro Faria  
Serginho Tavares é um apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), da TV e da literatura. Adora escrever e é o colunista oficial do Barba Feita às sextas. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência até a praia e mantenha sempre os pés bem firmes na terra.
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Política, Religião, Futebol e Bom Senso - Não Necessariamente Nessa Ordem

Dizem que três temas não se discutem: política, futebol e religião. Mas, vejam só, ultimamente os três temas não saem das rodas de conversa e das manchetes dos jornais, sendo que na grande maioria das vezes, intimamente interligados. Ou aprendemos a gerar boas discussões ou a estupidez humana foi exacerbada. Observando-se bem o motivo de estarmos falando sobre os assuntos, acredito que a opção número dois seja a mais correta.

O mais interessante, entretanto, é observar como assuntos que deveriam promover conversas sadias, estão em voga devido a atos que podem ser considerados criminosos. Afinal, apenas para exemplificar, racismo é crime e o que vemos nos estádios de futebol ao redor do mundo, com torcedores inflamados e vomitando preconceito, é lamentável e uma atitude que constrange a muitos. E eu realmente quero acreditar que testemunhar um negro sendo chamado de macaco realmente constranja as pessoas minimamente inteligentes. Estamos no ano de 2014 e um comportamento apático com relação a um assunto tão crítico como o racismo é absurdo e vergonhoso.

Enquanto isso, presenciamos a corrida eleitoral mais nojenta da história. Com candidatos despreparados e que não conseguem representar nem a si mesmos, quanto mais à maioria, o debate descambou para ataques pessoais e a uma enxurrada de declarações polêmicas e levianas de todos os lados. Pior ainda, o Estado, que deveria ser laico, está cada vez mais religioso, numa volta às trevas como se vivêssemos em uma nova Idade Média.

A boa discussão, que é devida, passa longe da boca dos nossos candidatos, que preferem mudar de opinião de acordo com a maré dos religiosos ou simplesmente ignorar os assuntos mais polêmicos simplesmente para não "irritar" uma "maioria" que, sinceramente, me amedronta a cada dia.

E já experimentaram ler comentários em matérias de sites de notícias conhecidos no Brasil? Fica uma dica importante para qualquer um que não quer acabar com as suas esperanças de que a raça humana ainda tem jeito: fique longe dos comentários. Parece que o "anonimato" que a internet propicia faz com que o cérebro das pessoas seja afetado e seus dedos no teclado possuídos por uma espécie de verborragia imbecil e estúpida. A inteligência é posta de lado e o que sobra é preconceito puro e gratuito, que a gente custa a acreditar que ainda exista. Mas que está ali, a um clique de qualquer pessoa que se atreva a encarar a leitura.

Mas, e o bom senso, meus caros, onde se encontra? Provavelmente hibernando ou dando expediente em uma outra dimensão, habitada por seres infinitamente mais evoluídos do que nós. São nessas horas, quando me permito pensar um pouco a quão mesquinhos e idiotas podemos ser, que penso se não seria melhor sermos todos ignorantes e irracionais, vivendo como animais que, pelo menos, não propagam o ódio contra seus semelhantes. 

O que se salva, no fim das contas, é que apesar de nos levar a reflexões nada animadoras sobre nós mesmos, ainda temos a opção da discussão e do debate. Se a esperança é a única que morre, por que não acreditar que um dia possamos realmente evoluir e sermos chamados de humanos?

Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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