segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Férias, Viagens, Ócio e Afins





Na próxima quarta-feira retorno ao trabalho depois de exatamente 40 dias de puro ócio e deleite. Há muito tempo eu não tirava férias tão longas e, putz, como isso é bom! Minha empresa nos dá a possibilidade de dividir nossas férias em dois períodos distintos durante o ano e é isso que eu normalmente faço. Entretanto, eu havia planejado um curso de inglês de um mês em São Francisco para esse ano e por isso agendei as férias, mais algumas folgas a que havia direito por trabalhos nos fins de semana, para o fim de outubro e todo o mês de novembro. Mas, apesar de ter de adiar o projeto para um futuro incerto graças à nossa economia e à assustadora alta do dólar (obrigado, Dilma, beijos!), mantive a data e as férias programadas. Foi um ano puxado no trabalho, com um estafante projeto do Rock in Rio no meio; eu precisava.

Dessa forma, com 40 dias disponíveis e um projeto adiado, o que fazer com o tempo livre? Logo em minha primeira semana de férias reservei 5 dias para uma viagem curta com dois dos meus melhores amigos para São Paulo. Eu confesso que detestava São Paulo. Sempre achei uma cidade overrated, estranha e, sinceramente, com nada que me fosse particularmente atrativo. Tinha coisas pra fazer? Claro que sim, como toda grande cidade, inclusive o Rio. Mas era perto, relativamente barato e, mais importante, seria ótimo para estar com os meninos, que amo tanto e que quase não vejo devido às nossas limitações geográficas.

domingo, 29 de novembro de 2015

O Ano Em Que Me Apaixonei Pelo Não




2015 começou meio engraçado. Vou poupá-los dos detalhes sórdidos (até porque eu não lembro deles), mas minha virada envolveu muito glitter, areia, vômito roxo, nudez em suas formas acidental e proposital. Ou seja. Não acredito em presságios, mas, caso acreditasse, diria que esse foi um. GRANDÃO. Tive um ano bagunçado, difícil, confuso. Cheio de descobertas tão dolorosas quanto necessárias, de rupturas externas e conflitos internos, de muito desgaste emocional. Foi o ano em que abracei minha personalidade introspectiva, em que dei tchau pra gente que eu achava que nunca iria embora, em que gastei mais horas do que poderia contar escrevendo textão no Facebook, desconstruindo discursos e perdendo amigos no processo. Foi um ano bastante solitário em alguns sentidos, o primeiro desde os 17 que passei sem nenhum envolvimento amoroso, com poucas noites de sábado vomitando vodca com Red Bull nos canteiros do meu condomínio e muitas maratonas de documentários tristes e fantasias sujas com o John Oliver. Foi um ano em que reavaliei muitas verdades que acreditava conhecer sobre mim mesma. Foi um ano em que comprei muita briga. Mas a descoberta mais importante de todas foi a que talvez a que tenha motivado as outras. 2015, esse safadinho cheio de surpresas, foi o ano em que descobri o poder transformador do NÃO.

É engraçado como aprendemos a demonizar essa palavra. O quanto condenamos a "negatividade" das pessoas, o quanto glorificamos pessoas que ~topam desafios e ~se abrem para as experiências, o número de mensagens motivacionais no Instagram que nos encorajam a viver o momento, a expandir os horizontes, CARPE DIEM tatuado em nucas ao redor do mundo. No trabalho, ser uma YES PERSON é praticamente pré-requisito. Não importa se você é inteligente, competente, empenhado. Impor limites é mau negócio. Sim, eu posso ficar até mais tarde! Sim, eu aceito essas suas ordens que vão completamente contra os meus princípios! Mais um comando arbitrário sem nenhum motivo de ser de uma pessoa marginalmente qualificada? SIM, POR FAVOR, ME VÊ DOIS! Nos relacionamentos, o SIM ganha ares de inevitabilidade - afinal, é a palavra que define o tal do "compromisso". Tá ruim? Tá doendo? Tá incomodando? Ah, faz parte! Relacionamento TEM QUE ser assim! CLARO que eu adoraria passar um dia com seus amigos que eu detesto! ÓBVIO que eu estou super de boa com fazer todas essas coisas que eu não gosto no meu dia de folga! E por favor, não consigo pensar em nada melhor para fazer nessa quarta do que assistir a um filme conceitual que eu pra falar a verdade nem entendo! A existência social é um poço de SIM compulsório. SIM, eu vou pra esse almoço chato com a família que mal conheço para ouvir piadas sobre a Dilma! CLARO que eu topo gastar muito dinheiro num vestido para ir num casamento de gente que mal conheço e beber whisky barato! Por favor, sim, pode embrulhar um pouco dessa torta de climão para levar pra viagem? O quanto da nossa vida a gente passa dizendo sim pelo simples medo de parecermos rudes, chatos, rabugentos ou, pior ainda, NEGATIVOS. Quem quer estar perto de uma pessoa ~pra baixo, não é mesmo?

sábado, 28 de novembro de 2015

Pergunta ao Tempo






Eu tinha sete pra oito anos quando ganhei o livro infantil O Fio Mágico. Era um livro bonito, super ilustrado, em formato brochura, que fazia parte da coleção Contos Populares da Velha Europa. Essa coleção não era de histórias bobinhas, traziam sempre lições importantes até para adultos, mas obviamente num formato mais leve, colorido, infantil enfim. Lembro que dessa coleção, ganhei até uma versão de Rei Lear, de Shakespeare, chamada Capote de Junco, linda por sinal. Mas a lição mais marcante, que me fez voltar às minhas histórias infantis quando pensei neste texto, foi mesmo O Fio Mágico.

A história, aparentemente simples, me serve hoje de exemplo de uma forma absurda. O protagonista era João. Ou seria Pedro? Não lembro com clareza. Vamos chamá-lo de João. Um menino de 10 anos. Tinha ânsia que o tempo passasse rápido. Queria crescer logo. Virar adolescente, depois adulto, namorar, casar. Estava sempre insatisfeito com o momento e a fase em que vivia. Um dia desejou com tanta força que o tempo passasse rápido para crescer e fazer coisas que acreditava ser mais interessantes do que a vida de criança que, de repente, topou pelo caminho em que andava devaneando com uma velha senhora, que ao ser ajudada por ele, concedeu-lhe, como agradecimento, um pedido de algo que desejasse muito.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Sobre Cotidianos (e Sobre Patrick 1,5)




Göran e Sven são apaixonados e felizes, formam o chamado casal perfeito. Eles acabam de se mudar para uma casa nova, num subúrbio sueco onde tudo parece um comercial de margarina visto de longe, e até que são bem aceitos por alguns vizinhos, apesar das brincadeiras tolas de algumas crianças que insistem em quebrar-lhes a caixa do correio e os insultar. Os dois sonham em adotar uma criança e, depois de um tempo na fila de espera da adoção, os rapazes ficam felizes e ansiosos com a chegada de um bebê de pouco mais de um ano. Mas eis que para o espanto deles, recebem em casa um adolescente de 15 anos que é ainda por cima um delinquente que acha que todos os gays são pedófilos! Para a infelicidade do casal, são obrigados pelo governo a ficar com a guarda do jovem até que as coisas se acertem, mas descobrem da pior maneira que nem tudo era tão perfeito em suas vidas como eles mesmos acreditavam.

Eu já escrevi sobre este filme outras vezes, sua história é repleta de grandes momentos e, por mais que pareça previsível, eu sempre penso como muitas pessoas gostariam de ter uma vida assim, simples. Não basta muito. São apenas coisas que podem parecer bem banais, mas no fundo são essenciais quando se pretende viver em comunidade.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

O Cu De Todo Mundo




Admito que até hoje não tinha refletido sobre o tão cobiçado, proclamado e famoso orifício. E cá entre nós, nunca entendi muito bem a obsessão que algumas pessoas possuem por ele. E não, não estou sendo nada irônico. Pense só comigo. Quando pequenos, ouvimos a torto e a direito os adultos e os quase adultos mandando todo mundo tomar no meio do olho do cu. Crescemos acreditando que essa é a maior ofensa que qualquer pessoa pode receber e qualquer outro pode desejar e berrar em um momento de raiva!

Mas não é só isso. Existe também o tabu sexual que envolve essa “parte do corpo”. Homens querem. Mulheres (algumas) nem cogitam usar essa área do corpo, já que dizem (as más línguas) que isso (utilizar) não é coisa de mulher direita (e não estou usando nenhum exemplo extraído de uma obra de Nelson Rodrigues). Alguns outros (homens, mulheres e trans.) utilizam como ganha pão. Quando não, acabam tendo que usar os dos clientes para que eles saiam satisfeitos.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Retornando ao Peru: a Imponência Inca em Cusco e Machu Picchu




Seguindo o roteiro traçado para a viagem, mesmo com os imprevistos (que estavam só começando), voltamos ao Peru. Ao chegar a Puno, decidimos descer na rodoviária e buscar outro ônibus que nos levasse até Cusco. O próximo turístico, da empresa Cruz del Sur, com quem tivemos uma boa experiência no início da viagem, sairia somente às 22h. E eram pouco mais do que 15h30. Resolvemos tentar qualquer empresa que saísse por aquele horário. E encontramos a companhia Libertad. Os peruanos foram super solícitos, vendo a nossa urgência de chegar a Cusco, e fizeram de tudo pra gente embarcar o mais rápido possível, sem maiores burocracias. O ônibus tinha dois andares e, aparentemente, estava em melhores condições que o da Litoral, que veio da Bolívia. Pelo menos a janela abria e o banco estava inteiro, seco e reclinável. O banheiro também não tinha água e fedia, mas estava no primeiro andar. Nós viajávamos no segundo, logo, longe do cheiro. Todo o ônibus tinha um odor estranho, mas que não identificamos a princípio. Eu havia sido avisado que o transporte para turistas era muito diferente daquele dedicado aos moradores locais – e que estávamos experimentando naquele momento.

Dentro do ônibus, conhecemos um casal de brasileiros que estava fazendo uma viagem mais baixo custo. Eles nos alertaram que haveria uma greve de trens em Machu Picchu, nos dias em que nós iríamos para a cidade, o que nos gerou apreensão a partir daquele momento. Tentamos descansar ao longo da viagem, enquanto o coletivo se enchia de peruanos, principalmente quando parou na rodoviária de Juliaca, outra cidade próxima. Aliás, houve várias paradas. Em uma delas, entraram duas mulheres de avental, oferecendo uma bebida estranha dentro de um saquinho, que parecia um saco de mijo. Depois, passaram vendendo uma carne assada. Sim, uma delas abriu um embrulho com uma imensa carne assada dentro do ônibus e cortou com um cutelo, como uma açougueira enlouquecida, enquanto o ônibus balançava pela estrada. Depois, colocou os pedaços dentro de um saquinho e entregava para quem comprava, junto com um pedaço de papel higiênico para limpar os dedos engordurados. Era o cheiro desse assado que estava entranhado no ônibus e não tínhamos até então identificados.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

O Preço de um 2016 Livre e Justo




Não sei se eu disse isso ano passado, mas eu não sou de fazer promessas pro ano que vai entrar. Nunca cumpro, mesmo. Mas dessa vez eu quero começar o ano de forma diferente, e foi o que fiz.

Eu era uma pessoa escrota (não que hoje eu seja flor que se cheire, mas eu sou mais legal, juro!) e, sendo uma pessoa escrota, eu meio que fui escroto com algumas pessoas que não tinha absolutamente nada a ver com os meus problemas, mas que eu acabei despejando nelas a minha raiva e minhas frustrações. Como vocês bem sabem, eu acredito na lei do retorno, inclusive, o celular furtado foi o preço que eu paguei por ter magoado uma amiga. Na hora que senti que o celular não estava lá eu pensei naquele momento lá em dois mil e não sei quando, o que me fez tomar essa decisão.

Eu disse no começo do mês que também tinha as minhas palavras não ditas, não foi? Então eu fui atrás de cada pessoa (não vou dizer quantas, fica aí a reflexão, bjs) e fiz o que? Sim, pedi desculpas. Essas eram as minhas palavras não ditas. Cada momento, cada palavra que eu disse, cada reação que eu causei, tudo isso ficou gravado na minha memória e eu convivi com essa culpa por tanto tempo que pensei: "Ah não, tá na hora de fazer diferente. 2016 vai ser diferente, quero começar do zero.".

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Survivor: Um Vício em Forma de Reality Show





Eu adoro realities shows. Acho interessantíssima a dinâmica humana quando em competição, tendo de assumir papeis ao mesmo tempo que corre atrás de seus objetivos. E, salvo raras excessões (oi, The Voice Brasil), as versões nacionais de bons realities shows são tão boas (e algumas vezes até mesmo melhores) que suas originais. O sucesso do Master Chef Brasil (e de sua fofíssima versão Junior) e do nosso famoso Big Brother apenas comprovam isso.

Entretanto, temos um grandiosíssimo problema com realities shows no Brasil: a desnecessária mania de se dar poder ao telespectador para decidir o destino dos participantes. Dessa forma, fórmulas consagradas e que envolvem estratégias dos participantes nas versões de outros países, são diluídas a meros jogos de coitadinhos e favoritos do público por aqui. Foi o que aconteceu, por exemplo, com No Limite, o primeiro grande reality nacional, "inspirado" no americano Survivor, que teve 4 temporadas por aqui, entre 2000 e 2009. E se a primeira temporada do programa, em 2000, foi um sucesso absoluto (com a vencedora sendo divulgada por um jornal semanas antes da exibição da final - ah, os tempos sem o reinado absoluto da internet!), as demais foram sem graça exatamente por dar poderes ao público para definir destinos do jogo.

domingo, 22 de novembro de 2015

Mulheres Negras





Eu não sou muito política. Falo isso sem orgulho nenhum. Porém, tenho de reconhecer que não sou engajada, que não sou militante de causa alguma. Eu me envergonho dessa passividade porque eu deveria ser. Nasci negra e mulher. Além disso, não sou uma mulher bonita ou magra, então as coisas complicam muito pro meu lado. Ah, nasci numa família pobre também, que continua pobre e não tem perspectiva de mudar isso. Só que consegui dar uns saltos para fora dessa curva. Consegui me educar minimamente. consegui um emprego razoável que me permite acessos que minha família não tem. Não me identifico com os valores da classe média brasileira, porque minha origem não é essa, mas o fato é que hoje minha renda per capita me enquadra exatamente aí no meio desse povo que tem uma cultura e um pensamento bem diferentes do meu sobre vários assuntos que me são caros.

Eu leio muita coisa por aí. Leio bastante sobre feminismo e leio ainda mais sobre a condição das pessoas negras, especialmente as mulheres. É muito foda ser negra e pobre no Brasil e, quando eu digo isso, não estou falando sobre a minha vida, mas sobre a vida da maioria das mulheres negras. Vidas que estão próximas de mim, pois não preciso ir muito longe para ter exemplos que se encaixam com perfeição nas estatísticas que nos evidenciam o quão mais complicado é ser um cidadão se você faz parte de determinado grupo social. Eu tenho mulheres na minha família dentro dessas estatísticas todas que pululam por aí. A educação de baixa qualidade. O salário baixo. O subemprego. O trabalho doméstico. Os acessos restritos. A gravidez na adolescência. Todos os fatores nos quais o grande contingente é feito de mulheres negras.

Eu não sei como articular de forma clara o meu pensamento, mas estou tentando porque tenho um grupo de amigos e outro dia eles discutiam algumas características do movimento feminista feito por e para mulheres negras, particularmente a agressividade e o que alguns consideram como equívocos de posicionamento. Meus amigos não entendem e como explicar? Eu não sei. São questões muito complexas, que não permitem respostas simples.

sábado, 21 de novembro de 2015

Pequena Reflexão Sobre as Palavras de Matheus




Essa semana, meu participante favorito do Master Chef Junior saiu do programa. Estou falando do fofézimo Matheus B., o Matheuzinho. Atrapalhado, guloso, emotivo, engraçado e com um par de bochechas impossível de não querer apertar, o menino de 11 anos é a personificação da fofura. Todos os participantes de Master Chef Jr são absurdamente encantadores, aliás, o reality culinári é um grande deleite, mas Matheus, francamente, é uma coisa.

Em sua eliminação, o pequeno Matheus deu um depoimento que me pôs a pensar. Ao despedir-se, ele afirmou que quer ser um grande cozinheiro, e que até já tinha combinado com alguns participantes de abrir um restaurante quando crescer. Então pensei, todos ali acalentam o mesmo sonho. São crianças com um talento especial para a cozinha, um talento que realmente impressiona. Mas quantas daquelas crianças realmente serão grandes chefs, assim como sonham hoje?

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Sobre Medrosos e Impiedosos




Vivemos num século muito diferente do que foi idealizado por escritores, poetas, sonhadores. Estamos longe das invenções que imaginavam o homem voando em espaçonaves pelo cosmos. Mas mesmo assim, a terceira tela é uma realidade. Em função disso, hoje estamos mais conectados do que nunca. Não apenas vemos TV, por exemplo, mas somos críticos impiedosos, com opiniões sobre tudo. Ou torcedores fanáticos, apaixonados, que defendem com unhas e dentes suas causas, artistas, times, opiniões.

Entretanto, tanta informação tem saturado o público de tal forma que ele ou reage com desprezo, ou acredita piamente, não existe uma linha tênue que separe o que é real do que não é. Não existe um equilíbrio. Não existe uma necessidade de buscar conhecimento, ao mesmo tempo em todos acham que sabem tudo. Contraditório, não é?

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Nada Justifica...





O mundo anda tão louco que não sei sobre o que poderia escrever. Não, não quero falar sobre as pessoas que andam perdendo a noção cada vez mais. Também não pretendo fazer uma análise de como a mídia não anda sabendo lidar com tantos acontecimentos simultâneos. Se acontece uma tragédia aqui, é preciso equilibrar com aquela outra ali e ter flashes diários sobre aquela outra lá.

Graças ao mundo conectado, ou por culpa dele, pouca coisa ainda foge aos nossos olhares ou nosso conhecimento. Parte disso é muito positivo, afinal, é mais fácil descobrir o que “de fato” anda acontecendo do que só ter um olhar, de um veículo, sobre o tema. Mas ao mesmo tempo é enlouquecedor. Estamos lidando com tanta informação, com tantas notícias verídicas que parecem que são tiradas da capa do site Sensacionalista, que é tudo muito desgastante.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Bolívia: de Paisagens Para Não Sair da Memória a Experiências Para Esquecer





No meio da nossa viagem, havíamos programado três a quatro dias dedicados à Bolívia, por recomendação de alguns amigos. Não daria para fazer o famoso Salar de Uyuni, mas ficaríamos entre três localidades: Copacabana, Ilha do Sol (essas duas, ainda à beira do Lago Titicaca) e a capital La Paz.

Tivemos em Puno, ainda no Peru, a descoberta de que dificilmente acessaríamos a Ilha do Sol dentro do horário programado (iríamos dormir na ilha para assistir ao seu famoso raiar do dia). Mesmo assim, tentamos. Ao chegarmos à Copacabana, cidade homônima da Princesinha do Mar carioca, berço de Nossa Senhora de Copacabana, buscamos o serviço particular de lancha para nos levar até a ilha. E o que sairia ao preço de $ 60 bolivianos para os dois (o que equivaleria a menos de R$ 40), simplesmente nos cobraram $ 600 bolivianos, baixando no máximo para $ 450 bolivianos (isso nos deixando no lado sul da Ilha, que não era a localidade da pousada onde tínhamos reserva). Não topamos e resolvemos procurar um hotel em Copacabana mesmo. O primeiro lugar que surgiu foi no Hotel Mirador, parada final do nosso ônibus e localidade estratégica na cidade, ao preço de US$ 6 por pessoa.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

A Soma do Quadrado dos Catetos





Recentemente eu entendi o motivo de não ter me identificado com a música Hello, da AdeleA música é ótima, eu adoro, o refrão é intenso, eu me jogo fazendo dublagem. Mas não me identifiquei. Sabe quando você ouve uma e pensa: "NOOOOSSA, ESSA MÚSICA, PUTA QUE PARIU!" e consegue encaixá-la em algum momento da sua vida? Pois é, comigo Hello não foi assim. Comigo Lean On é que foi, porque além de dançante, tem um trecho que eu pretendo tatuar, que diz: Blow a kiss, fire a gun, all we need is somebody to lean on"

Lean On fala sobre um passado intenso, um futuro incerto e o refrão diz: "Tudo o que precisamos é de alguém em quem nos apoiar". Diferente de Hello, que é a história de Adele tentando conversar com seu ex-namorado e pedir desculpar por terminar com ele, por partir o coração do rapaz.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Humanos e Desumanos





"Nesses dias tão estranhos, 
Fica a poeira se escondendo pelos cantos
Esse é o nosso mundo, o que é demais nunca é o bastante
E a primeira vez, sempre a última chance
Ninguém vê onde chegamos, os assassinos estão livres
Não não estamos..."
Teatro dos Vampiros (Legião Urbana)

Uma sensação de que não deu certo. De que o projeto era perfeito, tinha potencial, mas se perdeu no meio do caminho, tomou outros rumos e passou do prazo, devendo ser abandonado e eliminado, porque não, não tem mais jeito. É isso que sinto ao pensar sobre a humanidade, sobre o que vemos à nossa volta, na internet, no mundo real. 

Na televisão, tragédias. Em Mariana/MG, irresponsabilidade, ganância, crimes. E muita gente morta, um ecossistema inteiro que não se recuperará, destruição por toda parte.  Porque uma empresa cometeu um erro crime bárbaro, provavelmente pensando em lucro e sem tomar as medidas necessárias para evitar o que aconteceu. 

No governo, um longo silêncio.  Uma presidente omissa, que se perdeu em suas trapalhadas e nas maracutaias criadas para elegê-la. Pessoas morrendo e um governo calado, sem se solidarizar ou se pronunciar imediatamente, quando efetivamente deveria. Isso sem contar a vergonha que se espalha pelo Congresso, esse sim um rio de lama ainda mais tóxico que a tragédia de Mariana.

domingo, 15 de novembro de 2015

Criaçao




Fui criado com formação católica apóstólica romana mais, creio, pelo desejo de meus pais de não criarem um filho gentio, perpetuando uma tradição social por simples osmose, do que pela crença em si. Nunca fomos uma família religiosa, lembro vagamente das esparsas vezes em que fomos, como núcleo familiar, à missa ou festas da igreja (salvo quermesse que de religioso não tem é nada).

Até mesmo em casa a presença da religião se dava mais através dos filmes bíblicos que minha mãe amava, do que por livros sagrados em locais estratégicos da casa acompanhados das quinquilharias e aparatos crentes, nem um ou outro tinha presença em casa. Havia sim um ar de reverência discreta, o divino era algo mais a ser respeitado do que temido, venerado ou idolatrado e não me recordo, sinceramente, de ameaças paternas ou maternas embutidas do fogo do inferno ou castigo divino, antes, o oposto, as ameaças eram endoladas por castigos bem mais reais que a ira de cima ou a danação eterna.

sábado, 14 de novembro de 2015

Sobre Alguns Canais do Youtube




Já me disseram pra fazer um canal no Youtube, virar vlogueiro, já que blogueiro já sou há um bom tempo. Até pensei no caso, e confesso que ainda penso de vez em quando, mas sempre chego à mesma conclusão: ser vlogger virou "modinha". Todos querem falar, falar e falar no mundo virtual. Querem ser cults, conselheiros, engraçados e, principalmente, populares.

Alguns até conseguem de fato, são inteligentes e produzem um bom conteúdo, mas a maioria é um grandessíssimo mais do mesmo; quando se trata de vlogueiros gays então, a coisa vira uma repetição sem fim. Com essa proliferação de vlogues e vlogueiros, alguns fazendo até relativo sucesso, a probabilidade de encontrar muita coisa chata e cansativa na rede é imensa.

O pior é quando a turminha se conhece, aí um convida o outro pra participar do canal do outro. Aí vira um festival de vlogueiros jovens, felizes e descolados, que se acham o máximo porque estão na crista da onda com não sei quantos zilhões de inscritos, e eles tem fãs e isso é sensacional pro ego dessas crianças internáuticas, que se acham cada vez mais formadoras de opinião, incríveis e fodões.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Sobre Aquele Dia Maldito





Andava cabisbaixo na chuva, pensava nas palavras pronunciadas naquele momento de raiva, coisas que ele normalmente não diria, mas perdera a cabeça e as palavras romperam e se ele pudesse voltar atrás teria engolido cada uma delas, mas vomitá-las não fez nenhum bem - ao menos não àquele que ele achou que faria. E o tempo, para que cada uma delas fizesse o efeito que se esperava, já havia passado.

“Eis o problema, ao se calar perde-se uma oportunidade.”, dizia aquela voz dentro da sua cabeça. “Então, porque não me impediste.”, argumentava. E como impedir? Nem mesmo uma manada de elefantes impediria. Em certos momentos é melhor deixar seguir seu curso. 

E como remediar? O que foi dito, foi sincero, foi o que você de fato sentiu dizer? Portanto, não há o que fazer, sei que não gostaria de ter dito da forma como disseste, agora já é tarde, meu caro. Já foi dito, maldito. 

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Seja Você Mesmo, Mas Não Seja Sempre o Mesmo




Diz pra mim, mas com honestidade: você já sentiu vontade de se cuidar? Sim, se cuidar. Marcar aquela consulta no dermatologista, depois ir ao barbeiro ou cabeleireiro polir o visual. Ah, dar uma marcada para cortar as unhas e depois passar em uma perfumaria para comprar um cheiro novo, uma nova fragrância para um novo você.

Pode ser que as respostas sejam concentradas no lado do sim ou no do não (no fim, isso não muda em nada o que quero dizer), mas é um fato que uma dessas coisas que listei você já fez na vida.  Pode ter sido por você mesmo, por querer se cuidar e se sentir bem ao olhar para o espelho. Como pode ter sido por certa pressão daquela pessoa com quem você estava e queria te ver bem.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

As Primeiras Aventuras Pelo Peru: Lima, Nasca, Arequipa e Puno





Nossa ida ao Peru e à Bolívia começou com uma boa surpresa ainda no aeroporto do Galeão. Na hora do check-in, a funcionária da Avianca pegou os nossos passaportes, pediu um momento, entrou e sumiu das nossas vistas por alguns minutos. Depois de muita apreensão, ela retornou, dizendo que tinha visto que estávamos em lugares separados no mesmo voo e que ela pediu autorização do superior dela pra trocar uma pessoa de lugar e nos colocar juntos. Fofa. Prometemos que não esqueceríamos o nome dela. Mas esquecemos...

Bola pra frente. O voo foi tranquilo. E pousamos em Lima em torno das 9h30 da manhã. Às 14h iríamos direto para Nasca, pois nossa programação já seria de passar os últimos dois dias da viagem na capital peruana, onde pegaríamos o voo de volta para o Rio. Depois de aterrissar, fomos direto ao Larcomar, misto de shopping e centro de entretenimento e lazer encravado em uma falésia, no badalado bairro de Miraflores. A experiência é bem bacana, pois a integração do edifício à paisagem é perfeita. Lá, almoçamos e demos umas voltas antes de pegar o ônibus.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Me Perdoa?





Já faz um tempo que eu ando fazendo de tudo pra fugir de treta, mas a gente sabe que tem c e r t a s pessoas que adoram provocar, não é? Ou como dizem os mais antigos, cutucar a onça com a vara curta.

Eu era do tipo Inês Brasil: "Se me atacar eu vou atacar.", mas a gente também sabe que isso não adianta de absolutamente porra nenhuma, certo?! Certo.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Shonda Rhimes e a Representatividade na Televisão Americana





Há muito se fala sobre a Era de Ouro da televisão americana. O veículo, que por tanto tempo foi menosprezado como uma forma de cultura menor, se reinventou e hoje, certamente, apresenta produções tão ou mais valorizadas que o próprio cinema. Por isso, não é de se espantar que nomes antes voltados exclusivamente à sétima arte venham se aventurando pela telinha, com resultados dos mais diversos. A televisão americana é hoje, sem dúvidas, um solo fértil para boa produções chegarem ao grande público.

E se no Brasil ainda temos muito que aprender sobre representatividade na televisão, com casos específicos chocando o público menos conservador, que não consegue acreditar que um beijo entre duas atrizes idosas possa naufragar uma novela, por exemplo, na televisão americana essas questões parecem superadas. O primeiro beijo gay em uma série americana aconteceu no já distante ano de 2003, no episódio final de Dawson's Creek, uma das minhas séries queridinhas de todos os tempos. De lá pra cá, as séries americanas apenas cresceram em roteiro e conceito, e questões como beijo gay e, principalmente, sexualidade, foram tratadas com honestidade e bom senso.

domingo, 8 de novembro de 2015

Os Direitos das Minorias





Outro dia entrei num suave embate com um colega de colégio. Estudamos juntos desde o maternal até o segundo ano do ensino médio. Num colégio católico. Tenho certeza que em alguns anos ele foi meu par nas festinhas juninas, e minha memória garante que ele foi também meu par na primeira comunhão. Marchamos juntos na comemoração de 7 de setembro, rezamos juntos para agradecer a merenda no fim do recreio e presenciamos diversas vezes as freiras distribuindo sopa aos moradores de rua do entorno. Crescemos na mesma escola sob a ótica religiosa que nos deu – ou deveria ter dado – um pouco mais de sensibilidade nas questões do ser humano. No entanto, fico assustada de ver que ele e alguns outros amigos da mesma época parecem discordar um pouco sobre o que são direitos e o que é realidade. 

Ele, fervoroso defensor de qualquer coisa que incite a morte/prisão/extinção da presidente Dilma e qualquer outra espécie de esquerda, diariamente posta em seu Facebook coisas que visam difamar qualquer busca por igualdade de direitos no país. Sua justificativa, no entanto, é sempre baseada na Constituição que prima por “somos todos iguais perante a Lei”. E, se somos iguais, essa eterna luta da esquerda por direitos para as mulheres, para os LGBTs, para os negros e outras minorias, seria desnecessária. Ele inclusive bradou: não tenho preconceito com negros ou homossexuais, apenas acho que eles não devem ter mais direitos que eu por terem outra cor ou orientação sexual.

sábado, 7 de novembro de 2015

Um Encontro Especial





Olga Feld embrulhava a última xícara de porcelana, guardando-a com cuidado na caixa de louças, que deixou para ser levada por último no carreto de mudanças, com receio de que as quebrassem. Já tinha perdido tudo que lhe era de mais precioso na vida; seus objetos de estimação e as lembranças eram tudo o que restava. 

Num período de 15 meses, havia perdido o único filho e o marido. Com a morte do companheiro de mais de 40 anos, a casa tinha ficado grande demais para Olga e sua imensurável solidão. Três meses após a morte de seu amado George, Olga mudava-se de seu antigo casarão afastado da movimentação da cidade, para um modesto e confortável apartamento no centro. Talvez a agitação nos arredores da nova residência espantasse a tristeza e a saudade pela ausência do cônjuge que já não estaria mais ao seu lado.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Sobre Entornos e Retornos





Eu já mencionei aqui em muitos textos, meu carinho por meus amigos e como a amizade me é cara. Como o amor que eu sinto em apenas ver meus amigos, saber que estão bem me emociona, me deixa leve. Minha família são meus amigos, eu os escolhi.

E amigos podem ir e vir de nossas vidas mas, quando realmente existe amor, eles nunca se vão por completo. A amizade pode tirar férias, mas ela persiste. Aconteceu comigo algumas vezes, muitas das vezes eu sei que fui responsável, outras não. Sei que sou ciumento, possessivo (bem menos hoje do que antes), mas não gosto de não me sentir fazendo parte da vida dos meus amigos e quando isso acontece, prefiro deixar ir. Não adianta forçar, não vale a pena. E se tiver que voltar, voltará no tempo certo.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Trinta Anos, Nem Bem Te Conheço, Mas Já Te Considero Pra Caramba!




Trinta anos sempre foi uma idade meio misteriosa pra mim. Lembro que quando mais novo, o que achava legal era ter vinte e cinco. Aos vinte e cinco já não existia faculdade. Só trabalho e diversão. Isso, aos olhos de uma criança, claro. Quando completei vinte anos tive o meu primeiro susto. Era o mesmo cara e com os mesmos medos de quando tinha dezesseis. Fazer vinte e quatro, cinco e seis não foi muito diferente disso. A idade vai ficando maior e todo o resto continua com a mesma proporção que tinha quando se era mais novo. Menos as roupas que acompanham a idade e vão subindo de número. Aliado ao cabelo que foi diminuindo.

Parece trágico, eu sei. E até foi em alguns momentos em algumas questões. Os sonhos tornaram-se outros, claro. Também troquei de crush aqui e ali. Me apaixonei e desapaixonei algumas vezes ao longo dos anos e da “maturidade”. Mas o Silvestre, aquele que pensava que os vinte cinco anos eram o máximo, aquele inocente, continuava o mesmo. Até que vieram os meus vinte e seis anos e tudo mudou. Tive minha primeira perda. E me vi mudar. Mudar de verdade pela primeira vez. Percebi como funcionava em situações limite, de pressão, e gostei disso. Gostei de ver minha digievolução, se é que você me entende.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Relatos de uma Viagem





Após um período de férias, do trabalho e dos textos inéditos do Barba Feita, estou de volta. Aos inéditos, porque em relação ao trabalho ainda me recupero de uma pequena cirurgia de septo nasal, realizada na última sexta-feira. Muito chato esse pós, mas já, já, estarei 100%.

Para esse retorno, resolvi tratar de outro importante e marcante fato das minhas férias: a minha viagem. Foi um roteiro muito ousado: passar por 12 cidades/localidades em dois países ao longo de duas semanas. Nunca havia ficado tanto tempo viajando na minha vida, ainda mais por tantos locais.

Os países escolhidos foram Peru e Bolívia. Cristiano (para quem não sabe, meu companheiro nessa vida) e eu optamos por realizar um autêntico mochilão, apenas apelando para um pouco mais de conforto nas hospedagens.  E muita gente disse que eu não tinha cara de mochileiro... Mas vou dizer: o mochilão talvez tenha sido a melhor parte disso tudo, mesmo com suas limitações espaciais. As grandes provas dessa viagem ficaram por conta de imensos imprevistos que desabaram como uma avalanche e a tornaram uma grande experiência de vida.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

O Peso das Palavras Não Ditas





Essa semana eu ouvi numa série (Quantico, assistam, bem boa!) a seguinte frase: 
"Falar demais é tão ruim quanto não falar o suficiente."
Às vezes, seja num momento de raiva, ou de bebedeira, ou de deboche, você acaba soltando algo que ofende uma pessoa ou determinado grupo de pessoas, sejam seus amigos, sejam seus colegas de trabalho (que também podem ser seus amigos), e pisa na bola com essas pessoas, e elas ficam chateadas com você, e as coisas não ficam mais do jeito que eram. Falar demais sempre dá merda, né? Tem vezes que é melhor você ficar quieto e fazer o que os pinguins de Madagascar ensinaram (e que eu uso pra vida), que é "Sorrir e acenar". É uma ótima tática, mas repetindo, em determinadas situações.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Rescisão Contratual




Relacionamentos são contratos. Fato. Sejam eles mais ou menos flexíveis, somos nós quem ditamos as regras a que nos predispomos seguir. E quando digo relacionamento, estou me referindo a todos os tipos: amorosos, familiares, de amizade. Nesse contexto, o que seria uma traição? A quebra das regras contratuais, sejam elas explícitas ou implícitas. 

Dar em cima do namorado(a) do(a) amigo(a) para mim é trair a amizade; beijar ou transar com outra pessoa, sendo você comprometido e sem que essa pessoa saiba disso, pra mim é trair o relacionamento; mentir para o pai/mãe/irmão é trair a confiança da relação familiar. 

Entretanto, não há como não admitir: a palavra traição quase sempre nos remete aos relacionamentos amorosos e suas complicações. Eu, por exemplo, já traí e já fui traído. E sofri nas duas situações. Dois lados de uma mesma moeda? Todavia, acredito que existam casos e casos. Fora os acasos. 

domingo, 1 de novembro de 2015

A Solidão e o Autoconhecimento





Antes de mais nada, não me imagine como uma pessoa depressiva, jogada às traças e largada num canto escuro em meio à solidão profunda. Ao contrário disso, sou uma pessoa muito extrovertida (todos que me conhecem sabem bem disso), comunicativo, expansionista e gosto de ser o centro das atenções; gosto de ser escutado e ser elogiado por ser como sou, um comunicador nato, no sentindo de me comunicar com Deus e o mundo, pois sou falante por natureza. Porém, mesmo estando cercado de pessoas, é muito comum eu me sentir só. 

Não é uma solidão de estar sozinho; creio que é uma solidão de incompreensão, de ter muita gente comigo e, mesmo assim, noventa por cento não entender o que sinto. Talvez fosse melhor ter apenas um amigo que me entendesse do que vários que não conseguem entender realmente como estou, embora, cada um à sua maneira seja totalmente importante na minha vida. Ainda assim sinto falta do “Melhor Amigo”.