terça-feira, 17 de novembro de 2015

A Soma do Quadrado dos Catetos





Recentemente eu entendi o motivo de não ter me identificado com a música Hello, da AdeleA música é ótima, eu adoro, o refrão é intenso, eu me jogo fazendo dublagem. Mas não me identifiquei. Sabe quando você ouve uma e pensa: "NOOOOSSA, ESSA MÚSICA, PUTA QUE PARIU!" e consegue encaixá-la em algum momento da sua vida? Pois é, comigo Hello não foi assim. Comigo Lean On é que foi, porque além de dançante, tem um trecho que eu pretendo tatuar, que diz: Blow a kiss, fire a gun, all we need is somebody to lean on"

Lean On fala sobre um passado intenso, um futuro incerto e o refrão diz: "Tudo o que precisamos é de alguém em quem nos apoiar". Diferente de Hello, que é a história de Adele tentando conversar com seu ex-namorado e pedir desculpar por terminar com ele, por partir o coração do rapaz.

Conversando com o meu amigo PH, aquele moço maravilindo das quartas-feiras, falei sobre a intensidade dos meus sentimentos, e que isso assusta as pessoas. PH, muito sábio, me disse: "Glauco, você é assim. Não tente mudar quem você é. Só precisa parar de se punir.".

Onde Hello entra nisso tudo? Simples: eu nunca terminei com ninguém, muito menos parti corações. Foi sempre o contrário. Eu sempre estive do outro lado, sempre ouvindo: "Não é você, sou eu.", "Melhor sermos amigos.", ou simplesmente abandonado, sem nem um tchau.

É foda quando a gente está pronto, quando sabemos que somos o par perfeito, mas só nos querem pra amizade, ou pra curtir foto de evento, ou pior: pra curtir foto da pessoa com a namorada, ou namorado. É foda.

Não tenho coragem de partir o coração de ninguém. Dói. Muito. Eu sei como é. Já estive lá várias vezes. Eu choro. Fico quieto. Durmo. Escrevo. Corro por horas até ficar sem fôlego (em círculos, num jardim que tem no centro da cidade, me sinto um hamster). Por fora eu tô bem, uso a desculpa de que estou cheio de problemas no trabalho pra justificar o meu silêncio. Por dentro? Eu estou lá, naquele vazio.

Com amizades é algo parecido. Surge aquela amizade maravilhosa. Vocês saem, se divertem, bebem, tiram fotos, criam piadas internas. E então acaba. Aparece alguém melhor. Você foi apenas um tapa buraco.

Mas... O PH tá certo. Pra falar a verdade eu sempre soube disso também, mas é o tipo de coisa que precisa alguém de fora dizer pra que a gente consiga enxergar direito, sabem? Pois é. Eu não posso mudar quem eu sou. O que eu tenho que fazer é parar de me punir. Ora bolas, a culpa não é minha! Eu sou intenso mesmo e não escondo isso de ninguém. Tá praticamente escrito no meu rosto: "Cuidado, rapaz intenso perigoso!" (e dramático também, não vamos esquecer).

Depois dessa conversa rápida que tivemos (tão pouco tempo que temos), eu parei, pensei e a soma dos quadrados dos catetos resultou na seguinte resposta: Eu sou exagerado, mesmo. O que eu posso fazer? É o meu jeitinho. Eu sempre vou sentir mais, ainda que não aparente. Eu sou exageradamente carinhoso com quem eu gosto/tenho apreço/consideração. Eu guardo tudo. Desde data do aniversário à música favorita. E não, não faço esforço pra agradar ninguém. Isso não é esforço, simplesmente acontece. Mas ao contrário do Cazuza, eu sou exagerado sim, porém nunca vou ficar jogado aos pés de ninguém. Depois que passa todo o processo de aceitação citado acima e eu sei que ninguém vai vir cantar Hello pra mim, porque nunca vem, eu sigo a minha vida. 

"Glauco, isso não é um martírio? Você não se cansa disso?". Sim, me canso. Mas eu sei que uma hora isso acaba. Não, não to dizendo que vou mudar quanto aos meus sentimentos. Uma hora as pessoas vão vir pra ficar, uma hora a história começa de novo e então vai até o fim. 

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, é o colunista oficial das terças no Barba Feita. Tem aproveitado a fase de solteiro para viver tórridos casos de amor. Com os personagens dos livros que lê e das séries que assiste, porque lidar com o sofrimento do término com personagens é bem mais fácil do que com pessoas reais.
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2 comentários:

Math disse...

Lindo texto....sei exatamente como é passar por isso.....mas, qq hora acaba....tb acho...

Glauco Damasceno disse...

Ah, acaba! Briagdo, Math! :)