terça-feira, 3 de novembro de 2015

O Peso das Palavras Não Ditas





Essa semana eu ouvi numa série (Quantico, assistam, bem boa!) a seguinte frase: 
"Falar demais é tão ruim quanto não falar o suficiente."
Às vezes, seja num momento de raiva, ou de bebedeira, ou de deboche, você acaba soltando algo que ofende uma pessoa ou determinado grupo de pessoas, sejam seus amigos, sejam seus colegas de trabalho (que também podem ser seus amigos), e pisa na bola com essas pessoas, e elas ficam chateadas com você, e as coisas não ficam mais do jeito que eram. Falar demais sempre dá merda, né? Tem vezes que é melhor você ficar quieto e fazer o que os pinguins de Madagascar ensinaram (e que eu uso pra vida), que é "Sorrir e acenar". É uma ótima tática, mas repetindo, em determinadas situações.

Existe algo que também pode ser prejudicial para você e para as pessoas que te cercam: não dizer o suficiente. Guardar. Acumular. Deixar presas aquelas palavras que querem, que precisam sair da sua garganta. O peso das palavras não ditas faz mal, porque você sabe, sente que precisa dizer aquilo, seja pra preservar uma amizade, ou pra salvar um relacionamento, até mesmo pra terminar um relacionamento e deixar todas as pontas amarradas, tudo certinho, mesmo que a sinceridade daquelas palavras machuque quem está ouvindo. Você passa dias e dias com aquilo preso na garganta, pronto pra sair, mas não fala por medo de desagradar, ou por ser mal interpretado, ou porque sabe que, ao dizer aquilo, vai encerrar um assunto que você tem cinquenta por cento de vontade de que não acabe, e escolhe viver sob aquela pressão, sentindo uma agonia cada vez maior toda vez que você vê fulano ou ciclana, ou quem quer que seja, e você pensa "É agora, eu vou falar!", mas acaba escolhendo por não querer perder, ou deixar aquilo passar, mesmo sabendo que isso vai te tirar o sono.

Outro dia mesmo eu descobri que um colega está chateado comigo por algo que eu não fiz, que foi ficar junto dele e do namorado na balada, já que eu tinha ido com meus amigos e enfim, mas eu soube por outra pessoa, não por ele, que preferiu não me contar, mudar de atitude comigo e seguir a vida, o que me faz entrar na perspectiva das outras pessoas.

Você guarda algo, seja uma ofensa ou opinião que alguém te disse e que você não concorda, e ao invés de chegar na pessoa e falar: "Ó, não concordei com isso aí não, acho que é assim, assim, assado.", ou então: "Poxa, não gostei do que você falou comigo, me senti ofendido.", mas não. Aí vai, muda de atitude com a pessoa, deixa de conversar, deixa de socializar, e a pessoa fica do outro lado tentando adivinhar o que tá acontecendo ali, e então mais uma amizade/relacionamento acaba por conta de que? Palavras não ditas.

Eu tenho as minhas palavras não ditas, é claro que tenho, mas estou criando coragem pra colocar tudo pra fora, tirar esse peso das minhas costas ainda esse ano. É claro, não é pra chegar já dando voadora, ou ofendendo, mas dialogar, senão a situação fica pior.

Claro, há quem consiga viver com isso, com esse monte de palavras não ditas, com essa constante sensação de peso, e acabam colocando a culpa em outras coisas, quando na verdade, basta elas chegarem e: "Eu preciso falar algo com você(s).".

Então, aproveita que o final do ano tá chegando, e antes de fazer as famosas promessas pra 2016, encerra o que tem que ser encerrado, aquele pequeno desentendimento, aquela piada que você fez ou que ouviu e que não gostou, e bora pra frente!

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, é o colunista oficial das terças no Barba Feita. Tem aproveitado a fase de solteiro para viver tórridos casos de amor. Com os personagens dos livros que lê e das séries que assiste, porque lidar com o sofrimento do término com personagens é bem mais fácil do que com pessoas reais.
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