terça-feira, 24 de novembro de 2015

O Preço de um 2016 Livre e Justo




Não sei se eu disse isso ano passado, mas eu não sou de fazer promessas pro ano que vai entrar. Nunca cumpro, mesmo. Mas dessa vez eu quero começar o ano de forma diferente, e foi o que fiz.

Eu era uma pessoa escrota (não que hoje eu seja flor que se cheire, mas eu sou mais legal, juro!) e, sendo uma pessoa escrota, eu meio que fui escroto com algumas pessoas que não tinha absolutamente nada a ver com os meus problemas, mas que eu acabei despejando nelas a minha raiva e minhas frustrações. Como vocês bem sabem, eu acredito na lei do retorno, inclusive, o celular furtado foi o preço que eu paguei por ter magoado uma amiga. Na hora que senti que o celular não estava lá eu pensei naquele momento lá em dois mil e não sei quando, o que me fez tomar essa decisão.

Eu disse no começo do mês que também tinha as minhas palavras não ditas, não foi? Então eu fui atrás de cada pessoa (não vou dizer quantas, fica aí a reflexão, bjs) e fiz o que? Sim, pedi desculpas. Essas eram as minhas palavras não ditas. Cada momento, cada palavra que eu disse, cada reação que eu causei, tudo isso ficou gravado na minha memória e eu convivi com essa culpa por tanto tempo que pensei: "Ah não, tá na hora de fazer diferente. 2016 vai ser diferente, quero começar do zero.".

A ideia era me desculpar pessoalmente com cada pessoa, mas por conta da falta de tempo eu tive que fazer via Facebook com duas delas. Mas foi! Eu fui lá, respirei fundo, ensaie, ensaiei e disse. Cada palavra foi sincera, porque agora eu podia enxergar o quadro todo e fiquei pensando: "Glauco, seu grande idiota...".

A reação dessas pessoas foi a melhor possível. Nenhuma delas se lembrava, mas todas me receberam de braços abertos, tão sinceras, que eu fiquei ainda mais constrangido por ter sido um idiota com elas. Coisas de anos atrás que eu nunca esqueci e que pra essas pessoas não fazia mais diferença. E posso dizer uma coisa? A sensação é maravilhosa, o tipo de coisa que a gente pensa: "Se eu soubesse que era tão bom tinha feito antes!", sabem? Pois é, é isso.

Esse foi o preço que eu paguei, o preço de um 2016 livre e justo, livre desse peso, e justo porque eu me rendi, eu fui lá e disse: "Ei, eu ferrei com tudo, me desculpa.", e agora eu me sinto como se tivesse acertado as contas com o Universo. Às vezes a gente acaba pagando um preço maior que um simples celular, ou outras pessoas pagam pelo nosso erro, por menor que seja.

Claro, eu também tenho contas a cobrar, mas deixo com o Universo, ele cobra isso. Ele sempre cobra.

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, é o colunista oficial das terças no Barba Feita. Tem aproveitado a fase de solteiro para viver tórridos casos de amor. Com os personagens dos livros que lê e das séries que assiste, porque lidar com o sofrimento do término com personagens é bem mais fácil do que com pessoas reais.
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