quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Relatos de uma Viagem





Após um período de férias, do trabalho e dos textos inéditos do Barba Feita, estou de volta. Aos inéditos, porque em relação ao trabalho ainda me recupero de uma pequena cirurgia de septo nasal, realizada na última sexta-feira. Muito chato esse pós, mas já, já, estarei 100%.

Para esse retorno, resolvi tratar de outro importante e marcante fato das minhas férias: a minha viagem. Foi um roteiro muito ousado: passar por 12 cidades/localidades em dois países ao longo de duas semanas. Nunca havia ficado tanto tempo viajando na minha vida, ainda mais por tantos locais.

Os países escolhidos foram Peru e Bolívia. Cristiano (para quem não sabe, meu companheiro nessa vida) e eu optamos por realizar um autêntico mochilão, apenas apelando para um pouco mais de conforto nas hospedagens.  E muita gente disse que eu não tinha cara de mochileiro... Mas vou dizer: o mochilão talvez tenha sido a melhor parte disso tudo, mesmo com suas limitações espaciais. As grandes provas dessa viagem ficaram por conta de imensos imprevistos que desabaram como uma avalanche e a tornaram uma grande experiência de vida.

Percorremos cerca de 2.500 quilômetros por terra, entre deserto, montanhas e floresta. Foram 58 horas de ônibus (mais de 2 dias), mais 13 horas de avião (contando um teco-teco para 6 passageiros e 2 tripulantes), 6 horas de carro (incluindo a caçamba de uma picape), 5 horas de van, 5 horas de barco, 1h30min de trem, e 8 horas a pé. Sim, caminhamos muito. Muitas das vezes ouvindo que não conseguiríamos. Conhecemos e fizemos amizades com peruanos, bolivianos, holandeses, espanhóis, americanos, noruegueses, canadenses, franceses, colombianos, espanhóis, alemães, coreanos, chilenos e brasileiros.

Estivemos a 4.500 metros acima do nível do mar (e nossa adaptação foi uma das melhores, não dando muitas brechas ao soroche, o tal mal da altitude). Conhecemos mais da cultura de povos ancestrais, como os Paracas e os Nascas, dos pré-Colombianos e mais balados Incas, e dos remanescentes Quechuas e Aymaras.

Todo o relato dessa jornada, com os requintes que podem soar de ficção a todo o momento (eu acharia exagero se lesse em um livro o que se passou com a gente) vou compartilhar aqui no Barba Feita em três capítulos nas próximas semanas: A Primeira Parte no Peru; A Ida à Bolívia; O Retorno e o Desfecho no Peru.

Seja para empolgar uma ida a esses países ou desestimular também, o que é possível; seja para apenas entreter e fazer vocês rirem um pouco das nossas agruras. Mas o principal é que sempre esperei que essa viagem fizesse despertar algo novo e diferente dentro de mim. E ela conseguiu. Principalmente na minha visão sobre as relações humanas; novas e antigas amizades e o porquê delas surgirem. Além do mágico contato com a energia há séculos depositada em muitos desses locais pelos quais passamos.

Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor do livro Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
FacebookTwitter


Nenhum comentário: