sábado, 14 de novembro de 2015

Sobre Alguns Canais do Youtube




Já me disseram pra fazer um canal no Youtube, virar vlogueiro, já que blogueiro já sou há um bom tempo. Até pensei no caso, e confesso que ainda penso de vez em quando, mas sempre chego à mesma conclusão: ser vlogger virou "modinha". Todos querem falar, falar e falar no mundo virtual. Querem ser cults, conselheiros, engraçados e, principalmente, populares.

Alguns até conseguem de fato, são inteligentes e produzem um bom conteúdo, mas a maioria é um grandessíssimo mais do mesmo; quando se trata de vlogueiros gays então, a coisa vira uma repetição sem fim. Com essa proliferação de vlogues e vlogueiros, alguns fazendo até relativo sucesso, a probabilidade de encontrar muita coisa chata e cansativa na rede é imensa.

O pior é quando a turminha se conhece, aí um convida o outro pra participar do canal do outro. Aí vira um festival de vlogueiros jovens, felizes e descolados, que se acham o máximo porque estão na crista da onda com não sei quantos zilhões de inscritos, e eles tem fãs e isso é sensacional pro ego dessas crianças internáuticas, que se acham cada vez mais formadoras de opinião, incríveis e fodões.

Ai gente, na boa, dá muita preguiça! Isso sem falar nas correntes, como a famigerada 50 coisas, onde o super famoso vlogueiro conta 50 curiosidades sobre si para os fãs ávidos em saber um pouquinho mais sobre essas celebridades virtuais que mantém a vida super reservada.
Ai Esdras, para de recalque!
Não é recalque, queridinha. É senso crítico. E já que falei deles de forma generalizada, vou dar nome aos bois, e dizer o que realmente é uma porcaria e o que de fato vale a pena assistir, inscrever-se, dar joinha e compartilhar com os amiguinhos.

Importante começar pelo começo (grande conclusão) ou por onde eu acredito que tudo tenha começado. A onda toda, o grande boom, me parece ter vindo com Felipe Neto e seu canal Não Faz SentidoUm mocinho de óculos escuros, desbocado, bancando o rebelde e falando de forma bastante articulada e nada doce sobre algumas paixões adolescentes como Crepúsculo, Justin Bieber, Restart, entre outros, causou furor no Youtube quando lançou seu canal em 2010. Era algo novo, diferente, pelo menos aqui no Brasil, pois Felipe se inspirou em vlogueiros americanos, e fez muito sucesso. O garoto foi parar até no Programa do Jô. Lançou livro, criou uma empresa que hospeda vários canais, entre eles o também já famoso Parafernalha e em seu rastro começaram a pipocar dezenas de outros canais tentando seguir seu estilo, e ainda que seja diferente a intenção é a mesma, tornar-se tão bem sucedido quanto ele.

Felipe é bom. Seu canal era divertido e polêmico, mas cansou, tornou-se repetitivo e até desinteressante. Felipe usou da inteligência que tem, parou com os vídeos polêmicos, concentrou-se em algo maior e esporadicamente faz aparições na rede com um vídeo ou outro, um pouco mais suave, sem a tal marra de garoto rebelde e irritadinho que o lançou à fama.

Quase na mesma época surgiu Kéfera e seu 5 Minutos, talvez uma versão feminina de Felipe. A garota paranaense é atriz. Chegou como quem não quer nada (mas querendo tudo) fazendo vídeos caseiros em seu quarto e arrasou a vlogosfera. Foi contratada como apresentadora pela MTV e tem mais de 5 milhões de inscritos em seu canal. Ela é boa? É ótima! Mas também enjoei de acompanhar seu canal. Esporadicamente vejo algum vídeo e me divirto, como um em que ela fala sobre O Último Capítulo de Uma Novela, referindo-se ao final de Verdades Secretas, muito hilário e super me identifiquei, mas foi o último que vi e já faz mais de um mês. 

Às vezes é cansativo seguir certos vloggers, por melhor que eles sejam. É o caso de Jout Jout, o canal de Júlia, a mocinha sensação do momento, de fala mansa e displicente, de Niterói, que tem um delicioso humor sarcástico, mas que também não consigo assistir por muito tempo. Julia Tolezano anda colhendo ótimos frutos de seu canal, um deles foi tornar-se colunista da revista Cosmopolitan. Parabéns à Jout Jout, acho que prefiro lê-la ao invés de assisti-la.

Agora vamos aos genéricos, desesperados pra alcançar o sucesso dos três acima. Christian Figueiredo, nomegusta e LubaTV. Já saíram da adolescência há um tempinho, mas seu público alvo são os próprios. Consegui assistir uns dois ou três vídeos de cada, mas tudo se repete. Pior é que os meninos fazem sucesso com conteúdos idênticos, ok ok, há gosto e público pra tudo.

Por fim temos os canais segmentados, youtubers gays, que são e fazem seu canal para esse público específico. Quando não se tem referência de nada nesse quesito, é maravilhoso encontrar canais que supram a necessidade de ouvirmos nossa própria língua. Mas a coisa começa a se proliferar de tal forma, que perde-se conteúdo, consistência e qualidade. É o caso de Victor Larguesa, Luan Poffo, Federico Devito e Felipe Mastandréa. Federico até que é fofo, posta umas coisas legais, além de ser liiiiindo. Luan Poffo, seu ex-namorado, tenta, mas não tem muita graça. Victor Larguesa dividiu o ótimo Canal das Beedurante um bom tempo, com a excelente Jássica Tauane, mas não sei porque cargas d'água, resolveu fazer um canal solo, de conteúdo tão pobre, que chega dar vergonha. Mas vergonha nenhuma se compara ao canal de Felipe Mastandréa, que posta vídeos do tipo Tutorial de como fazer uma chuca ou Sobre fisting, coisa fina, de uma elegância... que inclusive já figurou por duas vezes na coluna #VergonhaAlheia, do nosso blog irmão, Pop de Botequim. Felipe é simplesmente inacreditável, pra usar uma palavra suave em se tratando de seu imenso mau gosto para pautas, além de desnecessário.

Mas nem só de chatices e gracinhas desnecessárias vive o Youtube. Canais deliciosos, inteligentes, engraçados e informativos existem e os que acompanho com todo o prazer e conteúdos diversos são: Canal das Bee, já citado. Um canal assumidamente ativista pela causa LGBT. Era apresentado há uns meses atrás, pelo furacão Jéssica Tauane juntamente com o insosso Victor Larguesa. O canal ficou grande demais pra ele, que saiu, deixando a turminha das Bee mais interativa, pois agora todos os envolvidos no canal se revezam na apresentação de vídeos, mas sempre com a marca da abelha rainha, Jéssica.

O canal Enrique sem H, também é muito bom. Enrique é um garoto franzino, loiro, de olhos azuis, que mora no Rio de Janeiro, e grava seus vídeos no cenário simples de seu quarto branco. Extremamente bem articulado, Enrique é uma simpatia. Tem três livros escritos, além de manter um blog chamado Discípulos de Peter Pan e falar sobre assuntos, sérios e profundos como suicídio, depressão, atração por gordos e afeminados, além de dar dicas de filmes, livros e músicas.

Lorelay Fox é uma pérola perdida no Youtube. Drag queen de voz doce, pausada e postura elegante, seu canal Para Tudo é um bálsamo. A prova cabal de que travesti, nem drag queen é bagunça.

Whindersson Nunes não tem só o nome engraçado, o rapaz do Piauí é um comediante nato, que com seu sotaque carregado arranca gargalhadas escancaradas de quem o assiste com histórias simples do dia a dia e familiares, além de ser cantor.

Põe na Roda é o divertido canal com esquetes de humor e reportagens sobre a cena gay; Meus 2 Centavos é sobre cinema, o crítico Thiago fala com propriedade sobre todos os filmes que estão em cartaz, não saio de casa antes de consultá-lo; Bixa Melhore é o canal da divertida dupla Tato e Tiago Wolf, vale a pena a conferida; e o Canal da Véia é o espaço do dj Zé Pedro no Youtube, muito engraçado e inteligente, Zé Pedro faz paródias de clipes e fala de assuntos diversos com extremo bom humor.

Claro que não poderia fechar a lista dos ótimos e recomendáveis canais que acompanho, sem citar o simples e elegante Chá dos 5. Composto por quatro lindos apresentadores, sendo um deles o super, mega, blaster divo Marcel Filgueiras, e mais um convidado especial a cada semana, o programa é praticamente um talk show, que em seus inacreditáveis 30 min para um canal do Youtube, é saboroso como um chá quentinho em dia frio e nem se sente os minutos passarem, tão gostosa e agradável é a sinergia e o entrosamento entre os rapazes, que trazem à baila temas diversos como relacionamento, vaidade, pedagogia queer, ciúme, auto-estima, fobias sexuais, moda, traição, rótulos, entre muitos outros. Gravado na Faculdade de Belas Artes de São Paulo, o programa reúne entretenimento e informação da melhor qualidade.

Essas são as dicas, gente. E se um dia eu tiver que virar um youtuber, quero ser como eles, divertido, informativo e sofisticado. Não apenas mais um querendo aparecer nesse zoológico virtual, mas alguém que valha realmente à pena parar pra ser assistido.

Esta é minha opinião pessoal, exclusiva e intransferível. Quem quiser que dê a sua, em outro lugar, porque esse espaço é meu. Tá, meu bem!

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Leandro Faria  
Esdras Bailone, nosso colunista oficial do Barba Feita aos sábados, é leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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Um comentário:

Anônimo disse...

LUAN POFFO TEM MUITA GRAÇA SIM ,MUITO MELHOR QUE ESSE DEVITO MAU HUMORADO .