sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Sobre Aquele Dia Maldito





Andava cabisbaixo na chuva, pensava nas palavras pronunciadas naquele momento de raiva, coisas que ele normalmente não diria, mas perdera a cabeça e as palavras romperam e se ele pudesse voltar atrás teria engolido cada uma delas, mas vomitá-las não fez nenhum bem - ao menos não àquele que ele achou que faria. E o tempo, para que cada uma delas fizesse o efeito que se esperava, já havia passado.

“Eis o problema, ao se calar perde-se uma oportunidade.”, dizia aquela voz dentro da sua cabeça. “Então, porque não me impediste.”, argumentava. E como impedir? Nem mesmo uma manada de elefantes impediria. Em certos momentos é melhor deixar seguir seu curso. 

E como remediar? O que foi dito, foi sincero, foi o que você de fato sentiu dizer? Portanto, não há o que fazer, sei que não gostaria de ter dito da forma como disseste, agora já é tarde, meu caro. Já foi dito, maldito. 

Bendito o dia em que o encontrou na soleira da porta de um velho sobrado, fitando com aqueles lindos olhos amparados por sobrancelhas grossas, talvez já naquele dia, eles acreditaram que ambos eram as melhores coisas que haviam na vida um do outro, mas sempre existe um filho da puta egoísta que deixa de dizer o que deveria ser dito e na primeira oportunidade zangam-se um com o outro rechaçando coisas que poderiam ter sido reparadas há muito tempo.

Deixava a chuva molhar o corpo, talvez assim o lavasse suficiente, quem sabe assim poderia ter algum tipo de expiação, uma redenção por todos os planos jogados no ralo do banheiro, por terem usado as palavras certas para cativarem um ao outro e depois o abandono, esquecendo assim o que um dia prometeram que seriam apenas um.

Sim meu caro, eu errei, eu deixei tanto quanto você e não cumprira minha parte no trato. E te peço perdão, não por parafrasear Vinicius e te amar de repente, mas neste caso o culpado foste tu que por ter feito a mim um bem enorme quando eu precisava. Mas te peço perdão se algum dia eu esqueci de te perguntar se era isso que querias também.

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Leandro Faria  
Serginho Tavares é um apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), da TV e da literatura. Adora escrever e é o colunista oficial do Barba Feita às sextas. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência até a praia e mantenha sempre os pés bem firmes na terra.
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