sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Sobre Entornos e Retornos





Eu já mencionei aqui em muitos textos, meu carinho por meus amigos e como a amizade me é cara. Como o amor que eu sinto em apenas ver meus amigos, saber que estão bem me emociona, me deixa leve. Minha família são meus amigos, eu os escolhi.

E amigos podem ir e vir de nossas vidas mas, quando realmente existe amor, eles nunca se vão por completo. A amizade pode tirar férias, mas ela persiste. Aconteceu comigo algumas vezes, muitas das vezes eu sei que fui responsável, outras não. Sei que sou ciumento, possessivo (bem menos hoje do que antes), mas não gosto de não me sentir fazendo parte da vida dos meus amigos e quando isso acontece, prefiro deixar ir. Não adianta forçar, não vale a pena. E se tiver que voltar, voltará no tempo certo.

Muitos dos meus amigos não vejo com tanta frequência assim, ou porque moram longe, ou porque as fases da vida que nos encontramos nos impede, ou por causa dessa vida atribulada do século XXI, que faz com que sejamos quase máquinas. Outras vezes, porque sair de casa é algo que no momento tenho me permitido muito pouco, confesso. Culpem a faculdade por isso.

Mas, como eu dizia, amigos podem ir e vir de nossas vidas. De todos que se foram, guardo com imenso carinho e saudade apenas um. Porque todos os demais que se foram, ou de fato voltaram e ficaram para sempre, ou foram para sempre porque não significaram tanto, nem eu para eles e nem eles para mim. Faz parte. Entretanto, este que em algum momento se foi ainda guarda dentro de mim um imenso regalo.

Foi embora porque ambos não souberam se comunicar corretamente e dizer o que sentiam de fato num determinado momento. Havia (e ainda acredito que há) um amor imenso envolvido que se perdeu. Como diz a mãe de um grande amigo, “amizade muito fina se quebra”. Esta quebrou por erro de ambos, principalmente orgulho, e orgulho é uma chaga que provoca terríveis danos. Danos estes que levaram tanto tempo para curar, talvez até nem se cure; ele se foi e eu sinto sua falta, não sei se ele sente a minha, sempre quis saber isto. 

Sei que muitos talvez estejam a se perguntar porque agora eu não o procuro. Sim, eu farei isso. Talvez este texto tenha dado o start inicial para isso; quem sabe, se de fato acontecer, o Barba Feita, além das imensas alegrias que me dá quase que diariamente, me dará ainda outra. 

Mas deixarei agora a cargo do tempo, já fez muito tempo, muito tempo para mim e para ele. Talvez nem estejamos na mesma página, vai ver eu amo a pessoa que ele era e não a que é agora, vai ver ele mudou tanto quanto eu. Provavelmente agora ambos irão de fato se conhecer.

Quem sabe...

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Leandro Faria  
Serginho Tavares é um apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), da TV e da literatura. Adora escrever e é o colunista oficial do Barba Feita às sextas. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência até a praia e mantenha sempre os pés bem firmes na terra.
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