sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Sobre Medrosos e Impiedosos




Vivemos num século muito diferente do que foi idealizado por escritores, poetas, sonhadores. Estamos longe das invenções que imaginavam o homem voando em espaçonaves pelo cosmos. Mas mesmo assim, a terceira tela é uma realidade. Em função disso, hoje estamos mais conectados do que nunca. Não apenas vemos TV, por exemplo, mas somos críticos impiedosos, com opiniões sobre tudo. Ou torcedores fanáticos, apaixonados, que defendem com unhas e dentes suas causas, artistas, times, opiniões.

Entretanto, tanta informação tem saturado o público de tal forma que ele ou reage com desprezo, ou acredita piamente, não existe uma linha tênue que separe o que é real do que não é. Não existe um equilíbrio. Não existe uma necessidade de buscar conhecimento, ao mesmo tempo em todos acham que sabem tudo. Contraditório, não é?

Se por um lado a pessoa acha que o que está lendo (ou o que está dizendo) é a pura verdade, não almeja saber mais nada a respeito e se diz profundo conhecedor. A necessidade de achar um culpado ou um vencedor, de limitar tudo a uma binaridade é constante. Não sabe ele que o mundo não é tão limitado assim. Por outro lado, se despreza tudo que lê (ou que diz o outro), então despeja toda a série de comentários desnecessários. E ainda angaria fã-clube

Recentemente li várias pessoas na internet saudando o fato de uma determinada emissora ter alcançado altos índices de audiência com sua novela e que aquilo era um fato histórico único. Sendo assim, desmereceram todas as novelas anteriores de outras emissoras que fizeram o mesmo perante a emissora líder. Obviamente, foi uma falta de informação dita com propriedade por pessoas que se acham formadores de opinião. O pior é que muitas delas acabaram galgando tal posição porque sempre existem aqueles que aplaudem. Não vamos esquecer que os grandes ditadores sempre tiveram um grande público.

São tantas situações, tanto rancor deflagrado, que isso assusta. Não sabemos o que está por vir e o inimigo hoje te adiciona numa rede social e você não tem mais como se livrar dele. Ele conversará com você  e saberá tudo sobre sua vida. Num determinado momento, ele vai deixar escapar quem de fato é. Você tem duas opções, excluir e deixar ele seguir sua vida ou unir-se a ele. 

Não alcançamos a hegemonia que esperávamos, talvez nunca seremos um modelo. Estamos atrasados e talvez isto seja uma doença crônica. Falamos mais do que devíamos e escutamos muito pouco: educação deixou de ser regra para ser exceção. O direito do outro deixa de existir porque o nosso sempre é mais importante, nossos gostos e desejos são melhores. O mundo poderia ser um lugar melhor para viver, mas hoje vive bem quem não segue as tendências ou modismos vigentes porque não tem coisa mais perigosa do que seguir unanimidades.

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Leandro Faria  
Serginho Tavares é um apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), da TV e da literatura. Adora escrever e é o colunista oficial do Barba Feita às sextas. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência até a praia e mantenha sempre os pés bem firmes na terra.
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Um comentário:

Markus disse...

Boa reflexão Serginho. Parece que as pessoas descobriram agora como é usar a internet para expressar opinião, mas não aprenderam limites. Os haters me assustam o tempo todo e deixei de participar de posts polêmicos por causa disso.