terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Aquele Último Texto do Ano





Chegou a hora, minha gente! A hora de postar aquele último texto do ano, né? Aquele em que a gente para pra fazer um balanço do que passou, e encher de palavras bonitas e tal, mas... que ano mais encasquetado de ruim, puta que pariu! Pelo menos dá pra comemorar o fato de eu AINDA estar empregado. Então, Dilma, segura a marimba aí, meu bem, porque eu quero continuar assim, tá? Beijão!

Sério, 2015 até que começou bacana, mas depois que desandou... não parou mais! Foi em 2015 que eu descobri que sou um perigo pra mim mesmo e, consequentemente, para os outros, tudo por eu ser romântico demais (ai de mim que sou romântica ♪), me joguei na fossa, me ferrei todo, fiquei chato, paranoico, esquisito... Bem, vocês perceberam por conta dos meus textos, né? Então, foi bem assim. 2015 também ficou conhecido como o ano em que minha mãe iniciou sua batalha contra o câncer (é, eu sei, a vida acontece), e agora todos nós estamos unidos pra matar essa coisa!

Esse ano marcou o mundo inteiro. Atentados terroristas, bombardeios, o crime ambiental em Mariana; crimes de ódio, preconceito, assaltos, mortes, enchentes... UFA, realmente, 2015 não facilitou em nada pra gente.

Mas... passou, certo? Tudo isso que aconteceu com o mundo, comigo, minha mãe, agora não tem mais volta. Não dá pra voltar em Janeiro, quando eu estava feliz, ou em Julho, quando os médicos diagnosticaram minha mãe com infecção urinária, muito menos impedir os atentados e a quebra da barragem, ou salvar quem infelizmente acabou sendo morto, impedir quem sofreu qualquer tipo de ofensa. Não dá mais pra salvar ninguém do que já aconteceu.

Todos nós estamos saindo machucados de 2015, de alguma maneira. Esse ano mudou alguma coisa em cada um de nós, e mesmo que entremos em 2016 com feridas abertas, ou que estejam quase fechadas, ainda vamos ver as cicatrizes por um tempo. Cicatrizes são lembretes de que nós passamos por algo nada legal, mas sobrevivemos.

Os sobreviventes de Mariana e Paris não são mais os mesmos, eles perderam algo, interior ou exteriormente, talvez os dois; pais perderam seus filhos para crimes de ódio, esposas perderam seus maridos para a violência; meu coração não é mais o mesmo, eu não sou mais o mesmo, assim como minha mãe e minha família. Tudo mudou, a guerra travada esse ano foi difícil.

O que a gente pode fazer é seguir em frente (vida que segue, etc). Temos que seguir em frente, precisamos seguir em frente. 2015 já foi ruim o suficiente pra entrarmos num novo ano com rancores passados, afinal, foi como eu disse: 2015 desandou, aconteceu, passou! 2015 tem que ficar no lugar dele, ou seja, no passado. Eu sei, é clichê, mas eu não consegui fugir de um texto clichê, até porque esse texto fala também das minhas experiências ao longo desses fatídicos trezentos e sessenta e cinco dias.

Eu tô entrando em 2016 sem rancor. É sério. Resolvi perdoar aquele povo daquela organização, afinal, eles não têm mais poder sobre mim, não temos mais ligação alguma. Perdoei também vocês sabem quem, que me jogou na fossa, afinal, a vida tem dessas coisas, e olhando hoje eu percebo que eu me livrei, isso sim! Ia me dar uma trabalheira...

Perdoar não é esquecer, vocês sabem. Não vamos esquecer o que vivemos em 2015, vamos apenas superar, nos tornar superiores a tudo o que aconteceu. Nos reerguer, colocar um sorriso no rosto sempre que olharmos para nossas cicatrizes, porque toda vez que fizermos isso, vamos nos lembrar que fomos fodas o suficiente, enfrentamos tudo e caímos. Mas nos levantamos.

2016 tá aí, batendo na porta. Se ele vai ser pior que esse ano? Não sei. Ninguém sabe. Mas vamos lá, com a cara e a coragem. Ganhar o que tiver pra ganhar, perder o que tiver pra perder.

Nos vemos na próxima temporada de Jogos Vorazes: 2016!

Leia Também:
Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, é o colunista oficial das terças no Barba Feita. Tem aproveitado a fase de solteiro para viver tórridos casos de amor. Com os personagens dos livros que lê e das séries que assiste, porque lidar com o sofrimento do término com personagens é bem mais fácil do que com pessoas reais.
FacebookTwitter


Nenhum comentário: