segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Desconstrução





Éramos quatro pessoas conversando casualmente quando o assunto mulheres negras veio à baila. Começou como um comentário sobre o texto de uma colunista convidada aqui do Barba (Mulheres Negras, belamente escrito e esclarecedor), mas foi se ampliando para outras discussões. Racismo, cotas, meritocracia. Eu, que normalmente ouço essas palavras e tenho calafrios, com preguiça de entrar em discussões inúteis, não fugi dos temas e me posicionei sobre o que penso, argumentando com base naquilo que tenho aprendido com a minha própria desconstrução, com a mudança das minhas verdades absolutas, com a assimilação de outros pontos de vista.

Porque tenho aprendido que a gente pode e deve mudar de opinião. Ou melhor, devemos desconstruir nossas ideias preconcebidas, buscando descobrir de onde elas vieram e para onde estão nos levando. Afinal, algo que aprendi com a minha experiência de vida até agora, nesses 34 anos já experimentados, é que só não muda de opinião e reavalia valores as pessoas realmente idiotas e pequenas.

O mundo é dinâmico e, em nosso cotidiano, somos apresentados todos os dias à mil maneiras distintas de se ver e encarar a vida. Seja em assuntos polêmicos (e urgentes!), como os que inspiraram a idealização desses texto, seja em assuntos triviais e bobos, mas que podem e devem ser revistos e desconstruídos. Vivemos em 2015, então, por que nos basearmos em ideias prontas e preconcebidas, vindas de códigos morais escritos há milhares de anos?

O que me preocupa, entretanto, é ver quantas pessoas se agarram às suas ideias como se fossem baluartes da verdade e se tornam incapazes de evoluir o pensamento, atrasando seu próprio crescimento como seres humanos. Quando foi que ter razão passou a ser mais importante do que ser feliz, vivendo bem e melhor?

Não é de hoje que eu digo que ando com medo da humanidade. As opiniões deixaram de ser pontos de vista e passaram a ser encaradas como verdades indissolúveis que, para serem "provadas", geram guerras absurdas e picuinhas infantis. As redes sociais, os nossos ringues virtuais cotidianos, que o digam.

Mas, enquanto isso, eu penso em mim e na minha desconstrução. A atitude alheia me irrita e incomoda, mas, e quanto a mim? Minha mãe me ensinou que quando apontamos um dedo para alguém, temos outros quatro virados em nossa direção. E como ela estava certa! Assim, com as minhas desconstruções diárias e cotidianas, venho tentando mudar aquilo sob o que tenho gerência: eu mesmo e minhas ideias, que não precisam ser sempre verdades absolutas, mas que tem me levado a viver uma vida mais leve e prazerosa.

Mas que fique claro: eu não fujo de uma discussão e tenho meus pontos de vista bem claros para mim e para quem quiser escutá-los. Apenas lamento que tanta gente esteja tão preocupada em provar-se certo do que em ouvir o outro e, assim, quem sabe, rever os próprios conceitos...

Leia Também:
Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
FacebookTwitter


Nenhum comentário: