quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Não Seja Um Babaca!




A ideia parece simples. É simples. Se você não conhece o outro, não sabe sobre a vida dele, não julga. Mas apesar de ser simples e de fácil entendimento, as pessoas continuam caindo over and over again no mesmo erro: Fácil Julgamento. O ato em si, acredito, que seja digno de pena. Afinal, quem somos nós para exercer esse “poder” todo sobre a vida alheia? Não estamos na pele daquela outra pessoa. Não sofremos, não conquistamos, não encaramos os dissabores que é estar ali, ser aquele outro ser.

Mas, em época onde vomitar verdades seja um esporte disputadíssimo em nossa timeline, não me surpreende que um vídeo onde uma mulher é “pega” no flagrante por seu marido, entrando do motel com o melhor amigo dele, tenha se tornado “viral”. Não me choca ler comentários maldosos e machistas. Não me choca ver homens vomitando o poder de sua macheza alfa e outras mulheres berrando castigos eternos para aquela outra mulher. Para aquela outra pessoa.

Não venho aqui defender a atitude e escolhas feitas por ela. Como também não venho aqui pontuar tudo o que existe de errado nesse caso (começando por filmarem o flagra e toda agressão sofrida por ela, além de compartilharem sem dó em redes sociais e afins. Com o intuído de quê? Ridicularizar a figura daquela pessoa que já estava mais do que humilhada. Estava castigada com doses de crueldade). Mas não vou comentar tudo isso porque vocês sabem muito bem o que isso tudo significa, eu sei. Na verdade, soube assim que ouvi falar sobre o caso. Um dos inúmeros problemas está em admitir que tudo isso que aconteceu e vive por acontecer diariamente contra a mulher, é algo normal. Melhor dizendo, visto como normal. Aos olhos de tantos outros homens e inúmeras mulheres, tudo o que se passa com Fabíola é um amontoado de merecimento. No fim das contas, não importa como tudo aconteceu, a culpa sempre será da mulher. Ela foi o objeto de ódio no vídeo, nos comentários e nas opiniões inflamadas que surgem por todos os lados. Ela, não o amante, não o cara que está ali ao lado observando tudo. Não o cara que traiu o melhor amigo. Não o homem!


Será mesmo que ela foi a única errada e digna julgamento de toda essa história? Não conheço a vida que ela leva, não faço ideia de como eram os dias ao lado do marido e também não sei quando esses encontros amorosos começaram. E sinceramente? Não quero saber! Isso não é importante nem pra mim e pra você. Pra início de conversa, não deveríamos nem saber que Fabíola existe. Não como um viral em potencial e em cima de uma situação sofrida e íntima. Por algo pessoal e que virou de todos. Os olhares de vários sobre uma história vivida por três pessoas.

Mas parece que Fabíola, a mulher, foi a única responsável pelo ocorrido. Foge da capacidade de assumir que ninguém é dono de ninguém e que nenhuma mulher deveria ser chamada pejorativamente de puta. Ou encarada como uma. Não, gente. Ela não é puta e nem nunca foi. Fabíola pode ser tão gente quanto a gente e tão mulher quanto você. O que diferencia é que você sabe da situação que ela passou. Você a conhece, mas ela não tem ideia de quem você seja – olha o quão louco é isso!!! Então, pra quê pagar de santo ou santa? Pra que ficar criando uma máscara abarrotada de virtudes e qualidades quando existem dois pesos e duas medidas?!

Pense antes de verbalizar todo seu ódio. Pense antes de achar que alguém “merece” sofrer. A ideia aqui é pedir para que pense mais e berre de menos. Como disse lá no início do texto, parem de cair no fácil julgamento. Estamos bem crescidinhos para saber que nem toda verdade é absoluta e que a unanimidade é bem burra!

Sorria, falta menos do que faltava para o fim do ano!

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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